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24 de setembro de 2008 - 23:50Estatísticas, História

Cingapura, 800

O GP de Cingapura, no próximo domingo, entrará para a história não somente por ser a primeira corrida noturna da Fórmula 1, mas também por representar a corrida de número 800 da categoria.

É a primeira vez que uma prova centenária acontece numa estréia de Grande Prêmio, o que torna a etapa cingapuriana ainda mais especial. A Ferrari, por exemplo, busca quebrar um tabu. Maior vencedora da categoria, ainda não conseguiu triunfar em uma corrida centenária. Que tal uma rápida relembrada nos outros GPs centenários da história da Fórmula 1?

GP nº 100 – Alemanha/1961
Vencedor: Stirling Moss, Lotus


Numa temporada amplamente dominada pela Ferrari, Stirling Moss, de Lotus, quebrou a série de quatro vitórias rossas com uma exuberante exibição no inferno verde do antigo Nürburgring-Nordschleife. Saltou de terceiro para primeiro logo na primeira volta, depois de um acidente de Jack Brabham, dominando a corrida de ponta a ponta. Seria a última vitória da carreira do “campeão sem título”.

GP nº 200 – Mônaco/1971
Vencedor: Jackie Stewart, Tyrrell


Terceira etapa da temporada, marcou a segunda vitória de Jackie Stewart e da Tyrrell no ano, que iniciava a disparada para seu segundo título mundial. O escocês foi amplamente dominante, marcando pole, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida. O pódio foi completado por Ronnie Peterson, segundo, e Jacky Ickx, terceiro.

GP nº 300 – África do Sul/1978
Vencedor: Ronnie Peterson, Lotus


Numa corrida movimentada e cheia de alternativas em Kyalami, Ronnie Peterson chegou em primeiro depois de largar em 11º, galgando posições com uma seqüência sensacional de ultrapassagens. A grande surpresa da prova foi a Arrows de Riccardo Patrese. Era apenas a segunda corrida da equipe e o então jovem italiano liderou boa parte da prova, abandonando com seu motor estourado a apenas 15 voltas do fim. Peterson vinha em segundo na abertura da última volta, até que o líder Patrick Depailler, da Tyrrell, foi atrapalhado pelo retardatário Hector Rebaque. O sueco encostou e forçou a ultrapassagem, dividindo diversas curvas com o francês, até assumir definitivamente a liderança a poucos metros do fim.

GP nº 400 – Áustria/1984
Vencedor: Niki Lauda, McLaren


Na reta final do campeonato, vitória providencial de Niki Lauda em casa, roubando do francês Alain Prost a liderança do mundial. O austríaco largou mal, em quarto, mas foi beneficiado pela quebra do motor da Lotus de Elio de Angelis e pela rodada de Prost no óleo deixado pelo italiano. Em segundo, saiu à caça do líder Nelson Piquet até ultrapassá-lo a 12 voltas do fim. O brasileiro chegou em segundo, com Michele Alboreto em terceiro. Quatro corridas depois, Lauda terminaria o ano como campeão.

GP nº 500 – Austrália/1990
Vencedor: Nelson Piquet, Benetton


Deu zebra na etapa de encerramento do campeonato, em Adelaide. Nelson Piquet, brilhante a bordo de uma limitada Benetton, venceu uma das corridas mais emocionantes da temporada de 1990. Ayrton Senna, campeão antecipado, liderava a corrida com folga até ficar sem freios, bater e abandonar. Sem trocar pneus, Piquet assumiu a liderança e resistiu bravamente aos ataques da Ferrari de Nigel Mansell. Na última volta, no hairpin do final da grande reta, fechou a porta para o atrevido inglês, numa manobra ousada que por pouco não eliminou ambos da corrida. Foi recompensado com uma grande vitória. Mesmo assim, Mansell terminou em segundo, com Alain Prost completando o pódio.

GP nº 600 – Argentina/1997
Vencedor: Jacques Villeneuve, Williams


O GP da Argentina começou confuso, com um acidente entre Rubens Barrichello e Michael Schumacher na primeira curva, que eliminou ambos da disputa. Após uma entrada do Safety Car, Jacques Villeneuve manteve a ponta, seguido de perto pela surpreendente Prost de Olivier Panis. O francês, no entanto, teve problemas elétricos e precisou abandonar, deixando o caminho livre para o canadense da Williams. Mas Villeneuve não teve vida fácil. Com problemas em um de seus jogos de pneus, foi obrigado a um pit stop extra e perdeu toda a vantagem que tinha sobre a Ferrari de Eddie Irvine. O filho do eterno Gilles precisou resistir a uma intensa pressão do norte-irlandês nas últimas voltas para confirmar sua segunda vitória na temporada. Ralf Schumacher subiu ao pódio pela primeira vez, em terceiro com a Jordan.

GP nº 700 – Brasil/2003
Vencedor: Giancarlo Fisichella, Jordan


Um dos mais doidos GPs do Brasil da história. A chuva torrencial que caiu em Interlagos formou um verdadeiro rio na curva do sol, provocando acidentes e eliminando diversos pilotos, entre eles os favoritos Michael Schumacher e Juan-Pablo Montoya. A pista foi secando e Rubens Barrichello pulou para primeiro. Tudo indicava que sua primeira vitória no GP do Brasil finalmente viria, até que sua Ferrari começou a se arrastar na pista. O motivo? Pane seca. David Coulthard liderava e parou nos boxes para um pit stop, entregando a liderança temporariamente a Kimi Raikkonen. Mas o finlandês errou uma freada e foi surpreendido pela Jordan de Giancarlo Fisichella, que preparava-se para um pit stop e assumiu a ponta. Tudo isso praticamente no mesmo momento em que Mark Webber bateu na curva do Café. Fernando Alonso não conseguiu desviar dos destroços da Jaguar e bateu no mesmo local, espalhando muita sujeira pela pista e obrigando a direção de prova a encerrar a corrida 17 voltas antes do previsto.

Tal encerramento gerou muita confusão. A Jordan comemorava como vencedora da corrida, já que a bandeira vermelha fora apresentada após Fisichella ter cruzado a linha de chegada em primeiro pela segunda vez. Assim, mesmo que valendo o resultado da passagem anterior, o italiano teria conquistado sua primeira vitória na Fórmula 1. Mas a direção de prova entendeu que a bandeira vermelha tinha sido mostrada antes de Fisichella cruzar a linha pela segunda vez, aclamando Kimi Raikkonen como o vencedor.

Dias depois, no entanto, surgiu um vídeo que provava que a bandeira vermelha só fora estendida após a passagem do italiano. A FIA reconheceu o erro e, quinze dias depois, organizou uma constrangida cerimônia em Imola para que Raikkonen entregasse o troféu da vitória a Fisichella. Foi a última conquista da simpática Jordan na Fórmula 1.

Comentários do Facebook

comentários

22 comentários

  1. Pedro Ivo disse:

    Outro detalhe interessante das corridas centenárias é que nenhuma delas ocorreu no mesmo lugar. Ou seja, foram 8 corridas em 8 lugares diferentes

  2. samu disse:

    akio acho q no caso do dc o povo da inlgaterra ja sabia q ele seria uma chincane ambulante em termos galvabuenoidiolitistico,ai ia causar muitos acidentes,nao sei se vi isos em revista pois logo que o senna morreu procurei saber quem era seu substituto,ai era pequeno na epoca 9 anso,depois descobri e tenho uma amigo que tem daltonismo parcial ele me ve verde hehe,mas dirigi bem!!!

  3. Capelli disse:

    Oi Diego!

    Sim, é isso mesmo. E está certo. Se o GP de nº 1 da Jordan foi o de 501 da história da F1, o seu GP de nº 200 foi o GP 700.

    Abraço,

    Capelli

  4. Diego - Caeté/MG disse:

    Capelli, aquele número “200″, na carenagem da Jordan do Fisichella, estaria a indicar a ducentésima participação da equipe na F-1? E se for assim, não estaria havendo um erro, já que, segundo me lembro, a Jordan estreara na primeira corrida de 1991, ou seja, na primeira corrida após Adelaide em 1990?
    Abraços,

  5. Guto disse:

    Só espero que o vencedor da corrida seja novamente um grande piloto – gênio, por assim dizer, já que o Villenueve foi um grande piloto…

    Abraço

  6. Felipe Playmobil disse:

    - Otimo post.

    Espero ver um do vencedor da corrida nª800.

    Abraço.

  7. Bruno disse:

    “Claro que em relaçao aos farois verticais nao tem problema”

    Aqui no RJ não tem faróis horizontais e acredito que ser daltonico não muda em nada na hora de dirigir po !!

    é só decorar o lugar do sinal que piscar ao invés da cor da luz.
    Se o vermelho for sempre em baixo, o cara não precisa saber a cor, é só ele saber o lugar. ahaha

  8. Akio Kikuchi disse:

    Samu e Bruno, valeu mesmo pela informaçao,mas o que me surpreendeu foi o fato do Coulthard nao poder ter carteira de motorista; porque eu possuo uma e sequer foi feito algum teste sobre isso. Claro que em relaçao aos farois verticais nao tem problema,porem com os horizontais,confesso que há dificuldade.

    Abraços!

  9. Darcio disse:

    O GP Brasil de 2003 foi um dos mais divertidos de se acompanhar. Quem viu deve ter se divertido muito

  10. Capelli disse:

    Grande Mattar!

    Falei zebra porque, convenhamos, ninguém esperava uma vitória da Benetton naquele dia. Piquet vinha de vitória no Japão, mas numa condição em que as duas McLaren e Ferrari abandonaram. Em circunstâncias normais, não havia como imaginar que Piquet ganharia. Eu, pelo menos, não esperava.

    E ele venceu, brilhantemente, uma das maiores vitórias da carreira.

    Abraço,

    Capelli

  11. bruno disse:

    como o samu disse, o coulthard é daltônico. lembro-me que, ainda no meio da década de 1990, se debatia que o piloto levava vantagem pelo daltonismo, pois sua reação às mudanças de luzes era mais rápida do que em alguém de visão normal.

    até onde isso é confirmado, não sei. mas é o que me recordo.

  12. Rodrigo Mattar disse:

    Discordo do rótulo de zebra quanto ao vencedor do 500º GP da F-1 porque para quem, como eu, viu a corrida, o Nelson foi simplesmente fantástico. Tudo bem que o Senna bateu, mas ao acontecer o acidente, ele era o piloto certo no lugar certo. E depois ainda fez o que fez com o Mansell. Zebra, mesmo, só o Fisichella.

  13. samu disse:

    ao akio e capelli,o dc mais conhecido cm david couthard é daltonico,ele tem a super licensa da f-1 mas nao pode dirigir carros de passei,possuindo ate motorista particular.

  14. Aderson disse:

    Que engraçado, nos GPs de nº 200, 400 e 600, os vencedores foram os campeões daquele ano.

    Já os de numeros impares, (100, 300, 500 e 700) os vencedores foram pilotos que não estavam disputando ou que não ganharam o campeonato daquele ano.

    Será que a historia vai se repetir??
    O vencedor desse GP de nº 800 vai ser o campeão deste ano??

  15. Capelli disse:

    Léoo, obrigado pela correção. Tinha trocado as bolas mesmo.

    Akio, não tenho essa informação, mas vou pesquisar.

    Roberto, se utilizarmos este critério, nenhuma corrida de meados dos anos 50 poderia valer, pois eram carros de F2. E precisaríamos contabilizar a F-Aurora e a Tasman Series… não dá pra ser tão rigoroso assim.

    A conta é de GPs oficiais de F1.

  16. Wesley disse:

    É por essas e outras que visito este blog diariamente. parabéns, Capelli.

  17. Romário Jr. disse:

    Sobre o 700º GP: quem ficou com o verdadeiro troféu dessa corrida foi o apresentador de tv Otávio Mesquita, que está com essa Jordan usada pelo Fisichella pendurada na parede da sua sala de estar, show!

  18. Roberto Zimmerman disse:

    Tecnicamente, é o 800º GP válido por algum dos dois campeonatos mundiais (Campeonato Mundial de Pilotos, 1950-1980, Campeonato Mundial de Fórmula 1, 1981-hoje) e não da Fórmula 1 em si…

    Falar que é o 800º GP de F1 é uma temeridade. Porque nessa conta dos campeonatos mundiais não entra, por exemplo, a Race of Champions de 1983, mas entra, por exemplo, o GP do ACF de 1952. O primeiro foi uma corrida de F1 e o segundo, não…

  19. Akio Kikuchi disse:

    Rezo para que a corrida nº800 seja tao boa quanto a nº500, nº600 e nº700.

    Caro Capelli, por ser daltonico,surgiu uma pergunta:
    Ja houve algum piloto daltonico na F-1,ou no automobilismo?

    Abraços!

  20. LéOo disse:

    Capelli

    Seu relato do gp do Brasil de 2003 teve alguns erros.

    Não foi Raikkonen que passou Fisichella. Foi o italiano que ultrapassou o finlandêns. Raikkonen cometeu um erro no Mergulho, e Fisichella o ultrapassou, assumindo a ponta. Raikkonen foi para os pits, e Fisichella se manteve mais uma volta na pista. Essa sua volta extra sem parar lhe deu a vitória, pois o acidente ocorreu nesse momento. O vídeo que mudou o resultado da corrida mostra justamente Fisichella completando essa volta a mais ainda sob luz verde. A bandeira vermelha foi agitada poucos segundos após o italiano cruzar a linha de chegada. A vitória ficara com Raikkonen porque inicialmente pensaram que Giancarlo tinha cruzado a linha após a bandeira vermelha ter sido agitada, o que invalidaria essa volta e computaria o resultado da volta anterior, em que Raikkonen era líder, e em que ainda não se completara a porcentagem necessária para que os pilotos recebessem 100% dos pontos. Assim, Raikkonen foi declarado vencedor e todos receberam 50% da pontuação. Com o vídeo mostrando Fisichella passando pela linha de chegada antes da corrida ser interrompida, a vitória mudou para o italiano, e foram computados 100% dos pontos para os pilotos.

  21. Thiago Alves disse:

    Bem…
    Como eu nasci em 84, esse ano completei 400 Gps hehehe.

  22. MandruWá disse:

    Finalmente depois de um longo e tenebroso inverno um post digno das melhores estatísticas capelísticas…
    Agora só falta o retorno da RÁDIO GP, finado programa de rádio(podE-quésti???)que nós, amantes da F1, dignavo-mos em ouvir….. uma pena que acabou… abraços pros meninos, beijos pras meninas…
    MandruWá

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