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24 de março de 2010 - 1:19Automobilismo, Box, Curiosidades, História

25 anos de GP da Austrália – parte 2

Se na maioria das vezes as corridas em Adelaide foram de certa forma uma celebração de fim de temporada, em duas ocasiões a situação foi um tanto diferente. O GP da Austrália decidiu dois títulos mundiais, em 1986 e 1994. Ambas decisões foram históricas, cada uma à sua maneira. Se em 1986 Alain Prost foi o campeão-azarão numa prova marcada por muitas alternativas e suspense até as voltas finais, em 1994 a corrida australiana foi marcada pela infâmia, com Michael Schumacher forçando um acidente com Damon Hill.

Três no páreo e decisão surpreendente

Nigel Mansell, Nelson Piquet e Alain Prost desembarcaram na Austrália com ambições de fechar o ano com um título mundial. O inglês era o franco favorito. Bastava um terceiro lugar, independentemente de qualquer outro resultado, para ser campeão. E, ainda que não fosse ao pódio, levaria o título da mesma forma, caso o vencedor não fosse nem Prost nem Piquet. O brasileiro, companheiro de Mansell na Williams, precisava da vitória a todo custo. E Prost, ainda que em segundo lugar no campeonato, era o menos cotado, já que sua McLaren-TAG Porsche não era páreo para as duas Williams-Honda.

Na classificação, já se pôde ter uma noção da vantagem da Williams. Mansell e Piquet formaram a primeira fila, virando tempos na casa de 1min18s. Prost foi quarto, mais de um segundo atrás. Seu companheiro, Keke Rosberg, foi apenas sétimo, a dois segundos das Williams. A situação não era nada favorável à McLaren. E justamente por isso, a equipe decidiu por uma estratégia ousada.

Rosberg foi escolhido como “coelho”. Não venceria, mas largaria mais leve e dispararia na frente de forma a forçar Piquet e Mansell a desgastarem seus equipamentos. Tudo começou conforme o script, com o finlandês ultrapassando todo mundo – é bom lembrar que era uma época em que ultrapassagens eram eventos normais – e assumindo a ponta. Piquet e Mansell começaram a forçar e o brasileiro foi o primeiro a se complicar, travando os freios e rodando. Caiu do segundo para o quarto lugar.

Mas, por um instante, pareceu que a estratégia do time de Ron Dennis fracassara. Alain Prost teve um pneu furado e foi obrigado a parar nos boxes. Despencou para a quarta posição e suas chances de título pareciam terminadas. Mas justamente o pneu furado foi seu grande aliado.

Aqui cabe um parêntese. Duas semanas antes, no México, a Goodyear protagonizou um fiasco ao ver suas equipes obrigadas a duas paradas para trocas de pneus por seus compostos não aguentarem as ondulações do circuito Hermanos Rodriguez. Gerhard Berger, com uma Benetton – equipe estreante – calçada com pneus mais resistentes da concorrente Pirelli, conseguiu uma vitória surpreendente. Fecha parêntese.

Preocupada com o fracasso no México, a Goodyear prometeu novos compostos para o GP da Austrália que, em sua avaliação, seriam resistentes o suficiente para garantir uma corrida inteira sem trocas. Como ninguém iria parar, Prost estava, de fato, ferrado. Mas não foi bem assim.

Cerca de trinta voltas depois, já no terço final de corrida, o coelho Rosberg encostou e abandonou. Em um primeiro momento, imaginava-se pane seca, já que o finlandês vinha num ritmo alucinante a corrida toda. Mas não: o motivo fora um pneu furado. Dados os problemas de pneus nas duas McLaren, era de se esperar que os compostos da Goodyear não fossem assim tão resistantes. Mas, mesmo assim, a Williams confiou na palavra do fornecedor e não mandou nem Piquet nem Mansell pararem. Erro fatal.

Prost comemora o bi logo após cruzar a linha (Foto: Tony Feder/Allsport)

Prost comemora o bi logo após cruzar a linha
(Foto: Tony Feder/Allsport)

O inglês, que vinha em segundo lugar e tinha o título nas mãos, viu seu pneu traseiro esquerdo explodir em plena reta, a 300km/h. Felizmente, conseguiu controlar o carro e evitou um grave acidente, mas o título já estava perdido. Com o abandono de Mansell, Piquet passou a liderar a prova, com Prost em segundo. Porém, preocupada com o estado dos pneus do brasileiro, considerando que ele já havia travado rodas e rodado, a equipe o orientou a parar nos boxes para uma troca. Assim, a menos de 20 voltas para o fim, Prost assumiu a liderança rumo a seu segundo título mundial.

Piquet ainda reduziu a diferença, mas já era tarde. Nem mesmo um problema no medidor de combustível, que a duas voltas do fim passou a sinalizar que não havia mais gasolina no tanque, tirou o título de Prost. O francês não reduziu o ritmo e preferiu correr o risco de uma pane seca. Saiu de Adelaide campeão. Desceu do carro logo depois de cruzar a linha de chegada, saltando de alegria. Um grande momento.

Triste fim de uma temporada infame

Já em 1994, a situação foi completamente diferente. A temporada foi marcada por uma série trágica de acidentes, sendo que dois produziram vítimas fatais: Ayrton Senna e Roland Ratzenberger. O campeonato apresentou uma liderança folgada de Michael Schummacher, que ganhou seis das sete primeiras corridas. Porém, uma série de desavenças entre a FIA e a equipe Benetton, acusada de utilizar dispositivos ilegais em seus carros. As acusações nunca ficaram provadas, mas mesmo assim a FIA fez “justiça com as próprias mãos” ao desclassificar Schumacher de duas corridas e proibi-lo de disputar outras duas. O alemão até mereceu a desclassificação no GP da Inglaterra, mas o restante das punições pareceram um tanto exageradas. Era uma tentativa atrapalhada de salvar um campeonato manchado por mortes, trapaças e controvérsias.

Com tapetão, a decisão do título acabou ficando para a última corrida. Michael Schumacher chegou à Austrália líder, mas apenas um ponto à frente de Damon Hill, da Williams. Assim, quem chegasse à frente nas primeiras posições seria o campeão, num briga direta, homem a homem.

A pole position ficou com Nigel Mansell, que substituía Senna na Williams, com Schumacher em segundo e Hill em terceiro. Depois de dois anos na Indy, o Leão havia se acostumado com largadas lançadas e não partiu bem quando surgiu o sinal verde. Caiu para quinto, deixando a briga na ponta para os dois postulantes ao título. Schumacher saltou na frente, com Hill em segundo.

Schumacher joga seu carro sobre Hill para ser campeão (Foto: Reprodução/Adrivo.com)

Schumacher joga seu carro sobre Hill para ser campeão
(Foto: Reprodução/Adrivo.com)

Embora não tenha havido uma tentativa de ultrapassagem, Hill vinha marcando Schumacher de perto. Até o pit stop fizeram juntos, era mesmo uma marcação homem a homem. Quando começaram a negociar ultrapassagens com retardatários, o alemão conseguiu abrir alguma vantagem. Porém, errou na 35ª de 81 voltas. Deixou sua Benetton escapar, bateu com a roda dianteira numa mureta de proteção e voltou à pista atordoado. Damon Hill, que viu Schumacher voltando à pista depois de uma escapada, achou que aquela era a sua grande chance e colocou por dentro para ultrapassar. Ao ver que não teria como segurar o inglês, Schumacher apelou. Jogou sua Benetton sobre o carro de Hill, forçando o abandono de ambos.

Foi um título constrangido, o primeiro da carreira vitoriosa de Schumacher, e talvez o que mais prejudicou sua imagem. A canalhice que fez foi aprendida na cartilha de seus professores, Alain Prost e Ayrton Senna. Mas o problema é que na época Michael era apenas um talentoso piloto buscando provar que poderia ser campeão. Senna e Prost foram sujos quando já gozavam da fama de super-heróis, um momento no qual barbaridades são vistas com certa condescendência. Schumacher não tinha um passado que o absolvesse, mas o futuro se encarregou de lhe fazer justiça.

Amanhã, a parte final do especial, com os GPs disputados no Albert Park.

Comentários do Facebook

comentários

81 comentários

  1. Marisol Perry disse:

    O futuro tb mostrou que ele continuaria com suas trapaças… Tentando tirar o Villeneuve em 97, tirando o pé pra não ajudar o Irvine em 99, parando o carro em Mônaco 2006 pra atrapalhar o Alonso, entre tantas outras bizarrices do tão bom piloto quanto vigarista, Schumacher.

  2. Só digo duas coisinahs:

    “amigos” viúvas: vocês me enojam e sujam o nome do nosso tricampeão

    amigos piquetistas: tirando aqueles que são fãs a sério e respeitosos [essa raça tá em extinção] são um bando de invejosos pq o ídolo deles não tem o apelo popular q o rival tem

  3. João O. disse:

    “Eita, chamou o Senna de sujo! Que malvado! Prevejo brigas nos posts.” [2]

    Tirando a brincadeira Capelli, o seu post foi muito legal!! Ótimo texto, na dose certa. Também acho válida a sua opinião a respeito das “trairagens” dos pilotos e como tudo isso pode marcar a vida na carreira deles. Shumacher pode ter sido muito sacana naquela hora, mas as suas conquistas seguidas mostraram que ele é um piloto de valor. E não há tb porquê simplesmente isentar Senna e Prost das brigas que tiveram. Como vc disse, certo “reconhecimento” que havia trazia certa condescência para os fatos.

    Afinal, todos lá querem provar que podem ser melhores e campeões.

    Ah, e todos nós esperamos mais histórias com seus pitacos! []‘s!

  4. Allan Guimaraes disse:

    Como eu já disse outras vezes, faria o mesmo que Senna fez – afinal no ano anterior sacanearam comigo, e em que eu iria bater foi justamente o cara que começou a sacanagem… Troco com troco.

    Hill, no entanto, não tinha NADA a dever pro Miguel. Que Schumacher falasse mal da FIA, ou fizesse outra coisa pra humilhar a concorrência – como o fez no primeiro GP da Malasia, em 99, quando voltou depois de ficar afastado em decorrencia do acidente de Silverstone. Ali ele HUMILHOU todo mundo, deixando Irvine ganhar a prova e prendendo o Mika como quis… Não teve tapetão ou manobra suja – só alguma antidesportividade (segurar o Mika pro Irvine ganhar, quando ele demonstrou que poderia vencer com voltas sobre os demais).
    O problema do Miguel em Adelaide foi que não esperava um Hill combativo, com uma já acertada Williams. Basta lembrar que no inicio do ano ele deu VOLTA no inglês (vide GP Brasil), sendo frequentemente de 1 a 2s mais rápido por prova. Hill estava numa prova fantástica, e isso tirou Miguelito do sério…

  5. Thiago Schauenberg Pereira disse:

    Ótimas histórias, no aguardo do terceiro capítulo.

    OBS: Prevejo uma guerra civil por ter chamado o Senna de sujo.

  6. Thiago Schauenberg Pereira disse:

    Ótimas histórias, no aguardo do terceiro capítulo.

    OBS: Prevejo uma guerra civil por ter chamado o Senna de sujo.

  7. Erico disse:

    Rosberg saiu com menos gasolina em 86? Nunca ouvi falar nisso. Tem registro em algum lugar?

  8. David disse:

    Schumacher pode ser 7 vezes campeão, mas uma manobra que leva muitos espectadores a concluir que foi algo sujo, sim, aprendidas com Senna e Prost, marca a carreira de um piloto e o fará sempre alvo de polêmica.

    Talvez, por trás das câmeras, ou depois de algum tempo, posso chegar a imaginar que ele tenha se arrependido do que fez. Nunca confessado, é claro. Mas no “calor do momento”, na hora em que se viu acuado, ele fez o que era necessário para garantir seu título. E muitos fariam… também.

    PS.: Realmente está complicado comentar algo sobre automobilismo sem que caia nas “viúvas de Senna”. Pelo menos 3 comentários dos 5 primeiros já foram com intuito de provocar reações de fãs de Senna; e não sobre o post do Capelli. Realmente não entendo essa moda.
    E quando reclama-se de tal ato, lá estão os modistas infantis para mandarem “calar a boca”.
    Acho que tá na hora de blogs e comunidades começarem a agir e proibir esse tipo de comentário. Seja para/com o Senna, Piquet, Fittipaldi, Pace, Barrichello, Massa, Di Grassi… enfim.
    Respeito está acima de liberdade de expressão.

    • Robson Moraes disse:

      Caro David.

      Acho que você foi incoerente na sua ponderação. Primeiramente você se queixa de que dos “modistas infantis” mandam “calar a boca”. Depois sugere que se proiba “esse tipo de comentário”. O que é uma proibição se não um cala boca? Além do mais, blogs como este primam pela abertura que dão (no bom sentido, viu, Seu Capelli?) aos comentários, sejam eles elogiosos ou não.

      Num mundo como o de hoje, onde causa estranheza a tentativa da China de cercear o conteúdo do Google, me causa mais estranheza ainda tal atitude partindo de internautas.

      • Edgar Guediguian disse:

        Robson,

        Você talvez não acredite, mas eu iria escrever 90% do que você muito bem comentou. Enfim, só posso dizer que endosso o seu comentário.

      • David disse:

        Como eu disse: “Respeito está acima de liberdade de expressão”.
        Atitudes enérgicas precisam ser tomadas, pois seres humanos só aprendem assim.
        Você não mora na China. Não cabe a nós julgar o que acontece naquele país. E mesmo que morasse, estaria num pais que cerca o google e tem a maior taxa de crescimento econômico no mundo. Liberdade de expressão, como você quer, não é o que a China quer.

      • David disse:

        Como eu disse: “Respeito está acima de liberdade de expressão”.
        Atitudes enérgicas precisam ser tomadas, pois seres humanos só aprendem assim.
        Você não mora na China. Não cabe a nós julgar o que acontece naquele país. E mesmo que morasse, estaria num pais que cerca o google e tem a maior taxa de crescimento econômico no mundo. Liberdade de expressão, como você quer, não é o que a China quer. Não fale

        Você fala de comentários “elogiosos ou não”.
        Pra mim, comentários sobre “viúvas” não são críticas construtivas, e sim ofensas, até mesmo com o ídolo.

    • Fernando Mozart disse:

      Eu ignoro esse comentários de quem não gosta e nem entende nada de F1. Coisa idiota essas briguinhas(PiquetxSennaxSchumacher).
      Já criou o maior borogodó no Blog do Flávio Gomes.

  9. felipe antunis disse:

    Capelli, sempre tive dúvidas sobre a decisão de 1986 e seu post não ajudou muito… não havia nascido ainda (sou de 1988) e tudo que conheço sobre o assunto foi lido em algum lugar… mas… por que diabos a Williams mandou o Piquet parar? foi um palpite de que o pneu não aguentaria? porque não o deixou na pista? estava na cara que ele não alcançaria o Prost… o mais óbvio era arriscar, se estourasse, beleza o resultado seria o mesmo…

    • Capelli disse:

      Foi uma questão de risco, Felipe. Mansell quase sofreu um acidente muito grave por causa do estouro do pneu. Seria negligência expor Piquet ao mesmo risco.

    • Fernando Mozart disse:

      Ia fazer a mesma pergunta, mesmo assim sempre vai ficar a dúvida se Piquet seria tetra no lugar do Prost.
      Meu, que sorte que acompanhei essa época e parabéns pelo post, principalmente da parte que lembra que Senna e Prost já usaram do mesmo artifício do Schumacher.

  10. Onyas disse:

    Acho um exagero generalizar dizendo que “todo” piloto jogaria um carro no outro para defender um título. Acredito – lembrando que estou especulando – que o pessoal das décadas anteriores à de 80 não teriam esta atitude por dois motivos:
    1) Existia mais companheirismo entre os pilotos.
    2) Os carros não eram tão seguros, muita gente morria na época, os pilotos eram mais cuidadosos e não pensariam em provocar um acidente devido ao risco.
    É uma visão que eu tenho pelo que eu já li, já que não acompanhei as provas daquele tempo. Me corrijam se eu estiver errado.

    • eduleal disse:

      É isso mesmo.
      Dá-se o nome de cavalheirismo. A era romantica, disputada e emocionante das corridas. Pessoas invadindo as pistas, circuitos alucinantes, os tanques de combustível circundando o cockpit dos pilotos. Vão falar que era sem segurança. Tudo bem, que venham as pedradas. Deus que me perdoe, mas esta ficando chato assistir f1. hoje.
      Forte abraço. Edu.

      • Edgar Guediguian disse:

        Assino embaixo o que ambos comentaram. Muito bem observado. Abraços!

        • Edgar Guediguian disse:

          Me permitam rever meu conceito sobre cavalheirismo nos anos dourados da F1. Acabei de assistir uma entrevista de Emerson Fittipaldi e ele confessou que, na briga com Clay Regazzone na última corrida de 1974, briga essa que valeu o título daquele ano, foi um tal de um jogar o carro pra cima do outro que quase acabou num sério acidente (Clay, que seria ultrapassado por Emerson, jogou o carro em cima do brasileiro que deu o troco na hora). Enfim, o bicho pegava feio já naquela época.

          Abraços!

    • Pacheco disse:

      Sim, os pilotos era mais companheiros, havia mais risco de morte, pessoas morriam, e etc. Todos pensavam nisso, exceto Clay Regazzoni e Gilles Villeneuve… hehe

  11. Vinicius disse:

    Me desculpe, Capelli. Gosto do q vc escreve. Não defendo Senna e Prost. Mas olha o futuro daquele dia ai:
    http://www.youtube.com/watch?v=gdzu-fqrWxQ

  12. Pacheco disse:

    Gostar do Senna está virando politicamente incorreto na mídia especializada…

    As sujeiras de Senna com Prost inserem-se em um contexto de uma rivalidade exacerbada, em que o elemento “Ballestre” tinha um papel muito importante.
    Jogar o carro em cima de outro é sempre sujeirada, mas, creio, não se pode comparar, contextualizadamente, as batidas Prost-Senna e Senna-Prost, com as Schumacher-Hill, Schumacher Villeneuve, Schumacher-Coulthard etc.
    Claro que Schumacher é um piloto fantástico; quem ama o esporte não pode esquecer disso. Mas, ao mesmo tempo, quem ama o esporte não esquece esses pontinhos negros em sua brilhante carreira, principalmente nos casos em que houve condescendência da FIA.

  13. JP disse:

    Excelente a matéria Capelli,eu me lembro destas duas corridas.mas em 1986 o Piquet travou uma baita briga com Mansell para ver quem iria ser o primeiro piloto da equipe.mas o titulo acabou nas mãos do Prost.agora já em 1994 o que o Schumacher fez não foi certo,mas na F1 não tem santo.

  14. Alejjandro disse:

    Tsc, tsc, tsc… esse pessoal discute por nada…

    E eu achando que o povo ia falar alguma coisa da frase “Senna e Prost foram sujos quando já gozavam da fama de super-heróis, um momento no qual barbaridades são vistas com certa condescendência”

    Abraço e ótimo post, Capelli!

  15. Luiz G disse:

    Em 94, Schumacher foi sujo, desleal, imundo, ladrão e canalha….mas eu acho que teria feito o mesmo.

    Não acho bonito o que Schumacher fez, mas se ele saísse do carro e pulasse no pescoço de Hill, eu entenderia.
    …E se Hill acelerasse para atropelar Schumacher, eu também entenderia.

    Ninguém pode aceitar perder um campeonato na última corrida.
    Se a decisão cai na ultima corrida, então vale tudo.

    • João disse:

      Prost faria o mesmo…
      Senna também…
      Piquet…
      Mansell..
      Hamilton..
      Lauda…
      Stewart..

      Todos fariam.. é um título mundial… e não se esqueçam de uma coisa.. a linha, o “direito” a fazer a curva é claramente do Schumacher.. tem o carro demasiado à frente… muito muito burro o Hill…

  16. Cidão disse:

    Matéria muito bem escrita, leal aos fatos e objetivo como sempre, parabéns Capelli.
    Apenas acho infantil e ridículo, até por aqui, haver pessoas que usam do verbete “viúvas” para denominar quem é fã do Senna.
    Quem não gosta do Senna tem todo o direito de não gostar, eu pessoalmente não gosto do Schumacher, mas a realidade dos números e dos fatos sempre estão aí para serem vistos. Tanto um quanto o outro são gênios da F1.
    Normalmente, quem faz uso do “viúvas” são admiradores do Piquet.
    Que foi um grande piloto, mas na época dele. Seu talento era mais limitado.
    Na verdade, esses admiradores do Piquet é que são as verdadeiras “viúvas”, pois o ídolo morreu em vida… impossível? Não, a antítese se explica porque ele pode estar vivo como ser humano, mas o piloto ídolo ficou no passado. Senna morreu, como ser humano, mas o piloto ídolo, ainda vive… para desespero dos cegos que só enxergam o que querem ver.

    • Conrado Andrade disse:

      Muito conveniente falar sobre as “viúvas” (os admiradores do Piquet) para alfinetar – tão infantilmente quanto – os “anti-torcedores” do Senna.

      Vc começa seu comentário fazendo um comentário maduro sobre o assunto, pra desenvolver e concluir como um débil-mental infanto-juvenil. Até “…mas na época dele”, estava tudo bem. Mas aí me vem o “Seu talento era mais limitado” – palavras de um expert, certamente – e segue falando mal em diante…

      Vai catar pêlo em ovo… pelamor….

      Era melhor ficar quieto…

      • Cidão disse:

        Falou mestre do Galvão Bueno…
        Todos tem opiniões particulares.
        Falei de fatos…
        E fatos são inegáveis.
        Se você achou que fui infantil e débil mental, eu penso que você que é uma pessoa sem visão alguma e incapaz de aceitar os fatos.
        Na verdade você é que foi infantil e débil.
        Não se pode ter opinião diferente da sua?
        Você comprou a razão de todos?
        Se liga meu…
        Piquet foi limitado sim, ele corria porque dava dinheiro e não porque tinha prazer com isso…
        Prost, Senna e Schumacher são exemplos de desportista, não profissional de esporte…
        E a prova estão nos números e em declarações totalmente infundadas como a sua.
        Piquet foi bom, foi. Ponto final. Não tem mais o que acrescentar porque se limita nisso.
        E você deveria ter um pouco mais de respeito com a opinião alheia, só porque discorda, não significa que você esteja certo sempre.

        • Capelli disse:

          Gente, vamos manter o nível e o respeito, ok?

        • Alejjandro disse:

          Gente, calma…

          Eu, particularmente, acho que o erro mais grave do Cidão foi ter escrito “pois o ídolo morreu em vida”…

          P0®®@, Cidão! “Morreu em vida” é f0d@, hein!

          KKKKKK!!!

        • Conrado Andrade disse:

          Então só me diz o “por que?” de atacar gratuitamente os “adoradores do piquet”??
          Ninguem falou nada de errado até agora sobre essa rivalidade entre torcedores…

          Isso não foi infantilidade?!

          Vc podia ter dito que não gostava dele, dado seus motivos e ponto. Não precisava gastar mais de um parágrafo pra rotular uns, falar mal dos mesmos, pq aqueles falam mal dos “admiradores de Senna”.

          Se Piquet corria por dinheiro, o problema é dele. Definitivamente não importa: o que importa é o que ele fez na pista. Assim como Senna.

          Depois ainda descambou pra falar besteira de morte em vida…

          Vc começa seu comentário dizendo que “acha ridículo e infantil as pessoas usarem o verbete ‘viuva’ pros fãs de Senna”. Mas vc faz exatamente a mesma coisa logo depois disso, no mesmo texto!

          T+

          obs: 1) ODEIO Galvão Bueno, é um péssimo profissional com voz marcante. Não é questão de gosto. 2) Ter opinião divergente é normal e em nenhum momento me pus como o dono da verdade; basta ler o que vc escreveu e o que escrevi. 3) Capelli, desculpe-me por isso… o “catar pelo em ovo” foi desnecessário…

        • Douglas Hudson disse:

          Eu podia perguntar no “Pergunte ao Capelli”Quem são as verdadeiras VIUVAS se são os fãs de Senna ou os fãs de Piquet

        • Cidão disse:

          Conrado Andrade,
          Acho que você não leu direito o meu primeiro post, ou leu e entendeu apenas o que quis…
          Foi postado neste espaço, por que “as ´viúvas” não sei o quê, por que agora “as viúvas” vão sei lá como… enfim…
          Eu são fã de F1 e principalmente dos pilotos brasileiros, não desgosto do Piquet, tenho minhas ressalvas, mas apenas coloco em pauta quando eu vejo um exemplo de tom negativo e pejorativo com relação aos torcedores de Senna ou de qualquer outro piloto brasileiro.
          Se fosse algo contra o Piquet, eu defenderia também.
          Em vários blogs isso acontece, no orkut também, e é ridículo!
          Eu apenas tentei fazer uma analogia do meu ponto de vista, que mesmo tendo preferência diferente, não saí denegrindo ninguém (torcedor)… o que eu fiz foi lembrar aqueles que fazem isso, usar o termo “viúva”.
          E no caso, a sua resposta foi demasiadamente ofensiva. Por isso fui ofensivo também.
          Peço desculpas pelos exageros, mas em suma, minha intenção não foi ofender ninguém, apenas mostrar que podemos ter opiniões divergentes sem a necessidade de sermos rotulados por isso.

        • Edgar Guediguian disse:

          Tava demorando pra discussão começar. Tava lendo os comentários, tudo tranquilo… até que cheguei aqui e, sem o menor respeito, rachei o bico, pois este tipo de discussão passional Piquet X Senna é uma das coisas mais idiotas que existem. Em tudo quanto é site, blog e afins, quando os nomes dos dois são citados na mesma matéria, com a permissão de comentários, dá no que dá.

  17. Gabriel disse:

    Excelente matéria! Apesar dos pesares, o campeonato de 94, na minha opinião, foi um dos melhores.

    • Jonas Martins disse:

      Eu já acho que o de 1986 foi o melhor da história! O de 1994 eu achei meio estranho, começaram a inventar chicanes no meio das retas dos circuitos, como aconteceu no Canadá. Inclusive, na mesma corrida do Canadá a FIA “pediu” aos pilotos que não ultrapassassem antes dessa chicane, a fim de evitar acidentes…

  18. Emmanuel disse:

    Legal, falaram das “viúvas” e ninguém falou nada, pior do que viúva são os fiscais de viúvas, hehehe.

  19. [...] This post was mentioned on Twitter by Fórmula 1 Brasil, Capelli, Capelli, Pedro Luis Cuenca, Nelson Biagio Jr  and others. Nelson Biagio Jr  said: RT @f1brasil: 25 anos de GP da Austrália – parte 2 http://migre.me/qOSP #f1 [...]

  20. João disse:

    Vamos ser sinceros… quem naquela situação não fecharia a porta?? Algum pilot no mundo não o faria?? Óbvio que fariam.. Aceito que me digam que o Schumacher fez o movimento com o objectivo de haver colisão mas…. se verificarem a imagem, o Schumacher é o piloto que está claramente à frente e que tem a linha e o “direito” de fazer a curva.. o Hill foi apenas e só muito burro!

    • Conrado Andrade disse:

      Pois é… fico na mesma encruzilhada…
      Acho que naquela ocasião, a culpa do choque foi dos dois. Hill foi inocente e Schumacher se aproveitou, inteligentemente, da burrada que fez.

      Foi estranho… mas, certamente foi um título merecido pro alemão, o que é o que importa no fim.

  21. Vanderlei Julio disse:

    Ué, mas brasileiro é tão bonzinho…

    Brincadeira.

    Capelli, gostei do post. Me fez lembrar deste dia. Melhor ainda, porque comecei a acompanhar F1 em 86 com o incentivo do Nelson na Williams. Meu pai me acordou neste dia para vermos o GP, mas eu com quase 6 anos não me aguentava de sono. Uma pena. Perdi ultrapassagens!!! Se eu soubesse que isso seria objeto tão raro e de valor anos depois, lavava o rosto com muita água fria.

  22. Que título, o do Prost.
    Todos xingam o Mansell, mas se ele ganhasse, era um título merecido, visto que se a equipe o tivesse mandado trocar pneus, muito provavelmente seria o campeão.
    piquet saiu da Williams com o saldo de um título, mas analisando bem, no mano-a-mano, Mansell foi superior à ele nos dois anos, mesmo antes do acidente em Ímola, 1987.

    • Edgar Guediguian disse:

      Mansell e Prost eram mestres do desequilíbrio emocional e da eficácia, respectivamente. Enquanto um perdia títulos inacreditáveis e cometia erros ainda mais inacreditáveis, o outro sempre sabia a hora certa de agir, não à toa, foi quatro vezes campeão mundial contra pilotos de elevadíssimo gabarito.

  23. Conrado Andrade disse:

    Ótimo Especial :)

    Sem querer soar polêmico mas, vcs não acham que o Hill foi MUITO otimista ao botar o carro por dentro, naquele pequeno espaço ridículo deixado por um Schumacher – “atordoado” – ainda voltando pra pista, fora da linha?

    Acho sim, que o alemão “se aproveitou” daquele momento.

    Mas se eu fosse o Hill, NUNCA tentaria botar meu carro ali. O risco era gigante mesmo se o alemão não jogasse o carro. Era um zigue-zague, com o britânico vindo por dentro na primeira perna, encontrando um carro que se preparava pra entrar na segunda perna, todo “desengonçado”, fora da linha ideal – mas por dentro da segunda curva.

    Se Hill fosse mais piloto, creio que teria esperado aquela sequência, pra sair mais forte na reta que sucede aquela chincane. Até pq Michael não estava – digamos – integral na pista e dificilmente iria se recuperar pra entrar forte na reta.

    Não acho esse episódio tão sujo assim, por parte de Schumacher.
    Não foi como em 1997. Aquilo sim foi sujeira descarada…

    Fica aí minha humilde opinião!
    Abraços e ótimo blog!

    • Vantoil Lima Jr. disse:

      Não entendo porque insistem em falar que o Hill foi precipitado naquela hora (olha que não sou fão dele).

      Mas, naquela hora o Schumacher já estava fora da corrida. O Hill não jogou o carro para passar ele mas sim para desviar, o Schumacher estava numa velocidade muito menor do que a velocidade normal da corrida, simplismente não dava para ele seguir atrás do Schumacher naquela curva. Olha a velocidade que ele chega no Shcumacher…

    • Onyas disse:

      Acho que também havia muita pressão em cima do Hill, ele tava disputando o campeonato, era apenas a sua segunda temporada completa, com um bom carro e um adversário duro na queda. Acho que, na situação dele, a maioria faria o mesmo por causa da adrenalina. No entanto, como ficou provado, foi uma decisão infeliz.

      • Jonatas disse:

        Conrado Andrade vc foi extremamente feliz no comentário, meus parabens, compartilho a mesma idéia que você…
        Mesmo com a adrenalina e a pressão que o Hill carregava na costas (Ele na semana que antecedeu a corrida tinha dado uma entrevista dizendo que estava “bastante inojado” com algumas coisas dentro da equipe, pois ainda corrida sob contrato de piloto de testes (!), e ele disse outra coisa interessante “sou muito melhor do que meu contrato diz que sou”… Em resumo, o sistema nervoso do Hill naquela prova estava em frangalhos antes mesmo do fim de semana começar.

        Aquela situação me lembrou bastante o GP Brasil de 1990 quando o Senna perdeu a corrida de forma bisonha ao tentar ultrapassar o retardatário Nakajima no Bico de Pato (!) e arrebentar o seu bico… Foram poucos naquele momento que tiveram a sensatez de pensar que o Ayrton tinha carro para passar onde quisesse e que ele não tinha ninguem colado nele pressionando. Eu sei que a adrenalina surta o raciocínio de um piloto em momento extremos, mas foram precipitações que custaram caro.

        Voltando a questão do alemão contra o Hill, eu faria exatamente a mesma coisa… era um título mundial, a realização de uma vida de trabalho… e digo mais, quem é que aqui nunca fez nada considerado “desleal” ou “esperto” para conseguir algo que quisesse muito na vida?? Aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra…

    • Edgar Guediguian disse:

      Se tivesse sido o Mansell no lugar do Hill, ambos teriam parado na arquibancada.

  24. Oswald K. disse:

    Caraca bicho, todo post tem que aparecer alguém falando “as viúvas do Senna”.
    PQP, anda ficando difícil ler blogs sobre automobilismo.

    O mesma “dose de veneno” destilada a Senna é colocada em Prost, mas qual é a expressão utlizada?!

    Sobre a frase do fim, de fato, o futuro fez justiça, mas ainda houve alguns deslizes como Jerez-97, Montreal-98, Monte Carlo-06.
    Mas ainda assim, ele foi consagrado como o maior de todos os tempos.

  25. Felipe Fugazi disse:

    …é bom lembrar que era uma época em que ultrapassagens eram eventos normais…velhos tempos onde uma corrida não era uma procissão sonolenta…

  26. RT @ivancapelli: Para quem formou cedo ontem, o aviso. 2ª parte do especial de 25 anos do GP da Austrália no blog. http://bit.ly/95xsNe

  27. Capelli disse:

    Para quem formou cedo ontem, o aviso. 2ª parte do especial de 25 anos do GP da Austrália no blog. http://bit.ly/95xsNe

  28. RT @f1brasil: 25 anos de GP da Austrália – parte 2 http://migre.me/qOSP #f1

  29. Afonso Sousa disse:

    Parabéns pela clareza de raciocínio no último parágrafo.

  30. João Rafael disse:

    Capelli botou a cara pra bater, hahauha. A galera vai cair em cima.

    Achei definitivo esse último parágrafo do ‘Capelleti’ parte 2. Nunca tinha analisado por essa perspectiva. Schumacher carregou essa chaga por toda a sua carreira, mesmo após sete títulos e uma carreira arrasador.

    Quando ‘a hora de fazer isso’ chegou, em 1997, já com um bicampeonato e uma carreira mais sólida, Schumacher já tinha esse background de trapaça.

    Ah, e a propósito. Parabéns, Capelli, pela revista. Ficou boa mesmo !

    Abraços.

  31. RT @f1brasil: 25 anos de GP da Austrália – parte 2 http://migre.me/qOSP #f1

  32. 25 anos de GP da Austrália – parte 2 http://migre.me/qOSP #f1

  33. Ricardo Carneiro disse:

    Ihhh Capelli, as viuvas vão te massacrar !!!

    Cara … excelente post. Parábens.

    Também estou gostando muito do WarmUp “saboreando” cada matéria. Muito legal o projeto.

  34. Rads disse:

    Vixeeeee…. viúvas do Senna atacarão hehehehe
    Foi um belo post, principalmente a finalização, parabéns Pepson!

  35. Danilo disse:

    Eita, chamou o Senna de sujo! Que malvado! Prevejo brigas nos posts.

  36. Davi disse:

    Esse é só um dos vários motivos que faz com que seja tão difícil respeitar o Schumacher, mesmo ele sendo um grande campeão e detentor de todos os recordes, a forma como ele chegou a alguns desses números não é motivo de orgulho. Mas enfim, grande texto Capelli. E vamos torcer para que essa corrida da Austrália seja emocionante.

    • vc leu a primeira parte? e quanto ao que a fia fez?

      a fia não fez justiça com as próprias mãos? pois então. eu preferiria que isso não tivesse acontecido, mas… o schumacher tb fez justiça com as própias mãos, ora.

    • Edegar Belz disse:

      O futuro tb mostrou que ele continuaria com suas trapaças…
      Tentando tirar o Villeneuve em 97, tirando o pé pra não ajudar o Irvine em 99, parando o carro em Mônaco 2006 pra atrapalhar o Alonso, entre tantas outras bizarrices do tão bom piloto quanto vigarista, Schumacher.

  37. Capelli disse:

    Antes de dormir: parte 2 do especial dos 25 anos do GP da Austrália. http://bit.ly/95xsNe

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