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25 de março de 2010 - 18:07Box, Curiosidades, História

25 anos de GP da Austrália – parte final

Depois de onze quase sempre emocionantes corridas em Adelaide, a Fórmula 1 trocou de ares na Austrália. Em 1996 a FIA transferiu a prova para Melbourne, no estado de Victoria. Mas a mudança não foi apenas de localização, mas também de calendário. Depois de encerrar o Mundial de F1 por onze anos consecutivos, a Austrália passava a abrir o campeonato. O que gerou uma situação inusitada: pela primeira vez na história da categoria, um mesmo GP aconteceu duas vezes consecutivas. Ao término do GP da Austrália de 1995 todos se disseram: boas férias, nos revemos ano que vem na… Austrália!

E a primeira corrida no Albert Park quase proporcionou o primeiro piloto-estreante vencedor em 35 anos.
Desde 1961, quando Giancarlo Baghetti estreou na F1 com uma Ferrari no GP da França, um novato não ganhava seu primeiro GP na categoria. Jacques Villeneuve, campeão da Indy, chegou na F1 abafando e quase levou. Nos treinos de classificação, colocou seu companheiro de Williams Damon Hill no bolso e marcou a pole position. Na corrida, largou bem e manteve a ponta por praticamente toda a prova, até escapar da pista e danificar uma mangueira de óleo. Seu motor perdeu pressão e ele precisou reduzir a velocidade, entregando a vitória de bandeja a Hill. Ao fim do ano, o inglês se sagraria campeão, iniciando um novo marco do GP Australiano: desde então, o vencedor da prova quase sempre levou o título da temporada. Em apenas quatro ocasiões, de 14, isso não aconteceu: 1997, 1999, 2003 e 2005. Por essa informação, fica fácil deduzir que o maior vencedor do circuito é Michael Schumacher, quatro vezes.

Em 1997, Coulthard vence na estreia da McLaren prata (Foto: Pascal Rondeau/Allsport)

Em 1997, Coulthard vence na estreia da McLaren prata
(Foto: Pascal Rondeau/Allsport)

A zebra de 1997 foi David Coulthard, que ganhou a primeira corrida da McLaren com a pintura prateada da Mercedes. As Williams eram favoritas, mas Villeneuve envolveu-se em um acidente na largada e ficou de fora logo cedo. Seu companheiro Heinz-Harald Frentzen, que estreava na equipe, rodou no final, quando parecia ter carro para ultrapassar o escocês. A prova foi marcada também por um abandono curioso. Pelo traçado ser repleto de árvores, as comunicações de rádio não funcionavam muito bem no Albert Park. Jean Alesi, da Benetton, vinha bem e tinha um pódio quase garantido. Mas teve de abandonar a prova quando ficou completamente sem combustível. A equipe o chamava pelo rádio para reabastecer, mas ele não ouvia. Ficou a pé.

O mesmo problema de rádio trouxe uma certa controvérsia à corrida de 1998. Mika Hakkinen, da McLaren, dominou todo o fim de semana e liderava a prova à frente de seu companheiro Coulthard, até que entendeu errado uma comunicação de seu engenheiro e foi aos boxes num momento em que a equipe não estava preparada. Com a desaceleração e o limite de velocidade dos boxes, foi ultrapassado pelo escocês, que assumiu a ponta. Porém, a três voltas do fim, cedeu posição e devolveu a vitória a Hakkinen. Se fosse mais esperto, teria fingido um problema no rádio…

Problemas, aliás, não faltaram na corrida de 1999. Já na largada, algo inusitado: os dois motores Ford das duas Stewart, de Rubens Barrichello e Johnny Herbert, explodiram ao mesmo tempo, enquanto aguardavam no grid. As favoritas McLaren tiveram problemas mecânicos e Michael Schumacher não conseguiu alinhar para a segunda volta de apresentação, tendo que sair da última posição. Até que se recuperava bem, mas teve um pneu furado e acabou em oitavo e último lugar. O sobrevivente vitorioso foi Eddie Irvine, que herdou a primeira vitória de sua carreira. O irlandês brigaria pelo título daquele ano, depois que Schumacher quebrou a perna em Silverstone. Mas terminou só com o vice mesmo.

Villeneuve é retirado do carro após o acidente que matou fiscal (Foto: Robert Cianflone/Allsport)

Villeneuve é retirado do carro após o acidente que matou fiscal
(Foto: Robert Cianflone/Allsport)

E foi em Melbourne, em 2001, que o alemão sofreu o mais assustador acidente de sua carreira, depois daquele de 1999. Nos treinos livres de sexta, ele perdeu o controle da Ferrari, rodou e capotou algumas vezes na área de escape, antes de parar na barreira de pneus. Felizmente, foi apenas um grande susto, ao contrário do que se sucederia no domingo. Jacques Villeneuve tentou uma ultrapassagem sobre a Williams de Ralf Schumacher, errou o cálculo e tocou a roda traseira do alemão. Saiu voando e bateu na mureta. Um dos pneus de sua BAR se soltou e atingiu um fiscal de pista, Graham Beveridge, que morreu. Por sinal, foi a última morte em uma corrida de F1 desde então.

De lá para cá, o Albert Park sediou várias corridas movimentadas e emocionantes, porém sem resultados muito especiais. A grande zebra, mesmo, aconteceu no ano passado, com a espetacular dobradinha da Brawn GP. Pela primeira vez em mais de 50 anos, uma equipe estreante vencia sua primeira corrida e ainda marcava o segundo lugar. Foi o prenúncio de um campeonato surpreendente, que fez de Jenson Button – o quase-desempregado – campeão mundial.

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comentários

23 comentários

  1. Capelli podemos dizer que o Hamilton em 2007 tbm entrou para a história com o 3º lugar em Melbourne na sua estreia certo?

  2. NASCIMENTO disse:

    A corrida de 2003 também foi fantástica. O regulamento novo da classificação onde cada piloto dava uma volta lançada e largava com o mesmo combustível do treino somado ao mal tempo na hora da largada proporcionou uma corrida muito movimentada e divertida.

    Na largada Schumacher e Barrichello, o brasileiro queima a largada devido a um problema acho que de embreagem.

    Nas primeiras voltas varias ultrapassagens e muita disputa.

    Parecia que a corrida já era da Ferrari quando Barrichello bate e fica de fora do GP. Schumacher não me lembro bem, o motivo, acho que por estratégia e a entrada do Safety Car acaba indo lá para trás.

    Passaram pela liderança além de Schumacher Montoya que rodou e perdeu a primeira posição, Kimi em sua segunda temporada pela McLaren onde travou uma disputa muito dura com Michael.

    Com tantas variásseis, erro de Montoya, queda de rendimento de Schumacher que tomou uma bandeira preta e laranja por causa de um defletor que se soltava, alguns erros de Kimi e stop and go fizeram com que a vitória caísse no colo de David Colhthard que inclusive foi a ultima de sua carreira.

    Belo GP

    • Jonas Martins disse:

      Me lembro bastante dessa corrida também! Os comentários na segunda feira era de que, até a primeira parada dos boxes, esta tinha sido a corrida mais emocionante dos últimos tempos…

    • Rodrigo disse:

      Classificação com voltas lançadas!! Acho que sou um dos únicos que gostou da ideia. Podia ver todos os carros do grid andando, dando uma volta completa.

  3. JCCJCC disse:

    Sobre a corrida de 1997, duas correcções:
    - a 3 voltas do fim, o Frentzen estava a 3 segundos e a diferença tinha estabilizado, o Coulthard tinha a corrida controlada, não era previsível que houvesse mudança de posições
    - O Alesi não tinha o pódio quase garantido, alias, dificilmente lá chegaria, o Alesi na altura em que abandonou era 2º apenas e só porque os outros já tinham parado enquanto ele se esqueceu de parar.

  4. Leandro Ferreira disse:

    Eu gostava mais da pista de Adelaide.

  5. [...] This post was mentioned on Twitter by Fórmula 1 Brasil and Capelli, Nelson Biagio Jr . Nelson Biagio Jr  said: RT @f1brasil: 25 anos de GP da Austrália – parte final http://migre.me/rg9j #f1 [...]

  6. Edgar Guediguian disse:

    Capelli,

    Duas questões:

    1) O que levou a FIA trocar Adelaide por Melbourne?
    2) O acidente ocorrido em Monza, acho que no mesmo ano, aquele em que Rubinho tentou passar no meio de duas Jordan e que em seguida milagrosamente se salvou da Arrows do de la Rosa quando essa quase caiu em cheio na cabeça dele, enfim, tal grave acidente também não vitimou um fiscal de pista?

  7. RT @f1brasil: 25 anos de GP da Austrália – parte final http://migre.me/rg9j #f1

  8. 25 anos de GP da Austrália – parte final http://migre.me/rg9j #f1

  9. Eduardo Casola Filho disse:

    Vale lembrar outros acidente:

    Em 2001, no treino oficial, o Burti destruiu a Jaguar dele, prenúncio do ano difícil que teria o atual comentarista da RGT!

    Em 2002, teve aquela batida monstrusa provocada pelo Rubinho e pelo Ralf Schumacher na largada.

    Outra panca daquelas em largadas foi em 2006 com Rosberg e Massa, tinha mais gente envolvida, mas eu não me lembrto bem quem mais se envolveu.

    Em 2009, teve aquela disputa louca entre Vettel e Kubica à 3 voltas do fim, que os dois se enroscaram e resolveram pisar fundo sem asa dianteira, com ambos se arrebentando no muro! Com o alemão tentando levar o carro avariado ainda até o fim!

  10. Danilo disse:

    Pena que hoje em dia, com o desenvolvimento desses equipamentos, é quase impossível poder usar a desculpa do rádio que não funciona, rs.

    • Onyas disse:

      Uma curiosidade que descobri há pouco tempo: que equipe começou a usar rádio para comunicar-se com seus pilotos? E quando? Foi a sempre inovadora Lotus, na temporada 85. Ainda rudimentar, o sistema funcionava apenas dos boxes para o piloto. Este não podia responder, mas recebia informações sobre o desempenho do carro. Se não me engano, o recurso estreou no GP da Alemanha daquele ano, em Nürburgring.

  11. Pedro Mendes disse:

    Até que enfim alguém escreve sobre a quantidade enorme de pilotos que venceram esta prova e acabaram por ganhar o campeonato nesse mesmo ano! Tudo o resto também estava fixe.
    Cappeli, tenho uma pergunta. Onde acabaram no GP australiano os campeões de 97, 99 03 e 05?

  12. Capelli disse:

    Meio atrasada, mas ainda em tempo, a parte final do especial dos 25 anos do GP da Austrália. Lá no blog: http://bit.ly/9tNsSY

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