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17 de maio de 2010 - 14:19Análises, Box

No limite da legalidade

GP de Mônaco de 2010, última volta. O Safety Car está na pista e ninguém pode ultrapassar ninguém. Na entrada dos boxes, o carro se retira para que todos possam cruzar a linha de chegada sem nada na frente, ajudando fotógrafos e cinegrafistas e permitindo que as equipes tenham mais retorno com a imagem de seus carros na televisão e nas fotos que ilustram sites, jornais e revistas. Afinal, com aquele belo carro esporte à frente, as verdadeiras estrelas do espetáculo apareceriam menos na cobertura jornalística, que sempre investe numa foto ou imagem da chegada da prova.

O grande xis da questão envolvendo a corrida de ontem é este. O Safety Car saiu da frente não para liberar uma nova competição que duraria poucos metros. Ele saiu apenas para que a chegada ficasse “bonitinha”. Todo mundo, pilotos e e equipes, sabem disso. Até Michael Schumacher sabe disso. Mas, mesmo assim, o alemão preferiu arriscar uma ultrapassagem sobre Fernando Alonso à moda “se colar, colou”. Era fato que seria desclassificado, mas Schumacher é assim, costuma andar no limite da legalidade. Às vezes se dá bem, em outras nem tanto. Mas é assim que ele é.

Não que isso o transforme num sujeito inescrupuloso, encarnação do monstro de fumaça de Lost. Mas é fato que, em situações nas quais a maioria dos pilotos prefere não arriscar por saber que sua conduta pode ser interpretada como má-fé ou que pode infringir o regulamento, Schumacher arrisca. Esta não é a primeira e provavelmente não sera a última polêmica na qual se envolve. O heptacampeão é assim, quer ganhar a todo custo. Ainda que muitas de suas atitudes provoquem discussões a respeito de ética e de moral.

Em 1994, Schumacher e a Benetton se aproveitaram de equívocos da direção de prova durante a comunicação de uma punição de stop & go no GP da Inglaterra para não cumprir a pena. Foi declassificado com bandeira preta e só assim parou para cumprir os dez segundos de punição. Voltou à pista e completou a corrida em segundo lugar, ainda que tendo recebido bandeira preta antes da metade da prova. Até subiu ao pódio, mas sua desclassificação foi confirmada no comitê de apelações e Schumacher pegou duas corridas de gancho por causa da insubordinação às regras.

Já correndo pela Ferrari, protagonizou um evento semelhante em 1998, também em Silverstone. A direção de prova sinalizou que o alemão deveria cumprir um stop & go nas voltas finais da corrida. Um erro, já que penas nesta fase da prova devem ser acrescidas ao tempo final. Na dúvida, a equipe mandou o alemão para os boxes na última volta, parando por dez segundo e recebendo a bandeirada por dentro do pit lane. Schumacher ganhou a corrida já que, dada a manobra inteligente dele e da Ferrari, os comissários acabaram assumindo o erro e não aplicaram a soma de segundos ao seu tempo final. Nessa, ele se deu bem.

Como se deu bem também na Áustria, em 2002. A famosa corrida da infâmia, na qual o alemão herdou a vitória de Rubens Barrichello na reta de chegada, num momento imortalizado por Cléber Machaado com a famosa narração “Hoje não, hoje não… hoje sim… hoje sim??”. Como nos casos anteriores, não que Schumi tenha feito algo de errado. Mas esperava-se de um tetracampeão que liderava o campeonato com folga que não aceitasse a patuscada ensaiada pela Ferrari. Ele poderia ter sido nobre, mas não foi.

E também não foi nobre em 2006, quando parou o carro propositadamente na curva La Rascasse, em Mônaco, para interromper o treino de classificação e impedir Fernando Alonso de roubar-lhe a pole position. Schumacher simulou um erro na freada, que de tão falso não enganou ninguém e acabou punido pela FIA, obrigado a largar do fundo do grid.

Como se vê, em nenhuma dessas ações Michael Schumacher e sua equipe (seja Ferrari, Benetton ou Mercedes) foram deliberadamente maldosos. Apenas agiram no limite do regulamento. Em alguns casos, foram pegos. Em outros, não.

Concordo que não são atitudes nobres, mas no fim das contas, não são de todo ilegais. São manobras comuns no direito, quando bons advogados aproveitam brechas nas leis para absolverem seus clientes. Schumacher tentou explorar a brecha da nova regra da “linha do Safety Car” para ganhar uma posição. Mas se deu mal, já que o artigo 40.13 do código desportivo deixa bem claro que, quando é a última volta, não vale ultrapassar.

E assim é Schumacher, alguém que, até o final da carreira, fará com que jornalistas, donos de equipe e fãs fiquem pesquisando regulamentos para saber se o que ele fez é passível de punição ou não. Controverso, mas um piloto muito talentoso e inteligente.

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comentários

96 comentários

  1. Jaime Ferreira disse:

    SE a manobra fosse feita pelo Senna ou elo Hamilton, tinha sido genial. Não percebo o problema, pois a bandeiras estavam verdes e ele reagiu a essa circunstância.

  2. Samuka disse:

    Na ultima volta não vale ultrapassar !!!!!
    Que regra absurda pra uma corrida de carros em q o objetivo é….ultrapassar !!!!

  3. Nikolas Spagnol disse:

    Acho que essa perseguição pra cima do Schummy, neste caso, é imerecida.

    Não foi uma corrida encerrada sob safety car, foi uma relargada, tanto é que as Red Bulls cruzaram a linha correndo em ritmo de corrida, e se não me engano o Webber deu também aquele “migué” básico de atrasar a relargada, deixando o SC sair pra depois acelerar. O Rosberg também quase passou o Alonso, que deu uma “moscada” e tentou até defender a posição.

    Na última volta os carros já haviam sido retirados, não havia mais perigo nenhum na pista. Se ela tivesse 5 voltas a mais, elas teriam sido corridas em bandeira verde.

    Mas o regulamento tem essa brecha e a FIA decidiu pela saída mais fácil, punindo o Schumacher, que depois de tanto aprontar, calado já tá errado.

    Depois reclamam quando dizem que na F1 vale tudo, menos o pecado mortal da ultrapassagem, que normalmente é motivo de punição…

  4. Roberto disse:

    Bem, Já na página inicial do blog há uma foto em tamanho grande de Ayrton Senna. Abaixo, à esquerda, há outra, de Michael Schumacher. Claro, hão de argumentar que “isso acontece devido às atualizações, e sempre a matéria mais recente fica acima”. Ótimo.
    (Antes de continuar, é importante lembrar que o site GP, na edição de maio de sua nova revista virtual, resolveu prestar uma “homenagem” a Ayrton Senna, lembrando a data de sua morte: 16 desempenhos marcantes do piloto: 8 bons e 8 ruins – uma bela iniciativa falar de erros cometidos quando se recorda uma data especial, não? Sem contar que os comentários sobre as ‘grandes’ corridas foram sempre no sentido “porém, contudo, todavia, entretanto”. Mas isso não vem ao caso, agora).
    O texto que fala sobre Ayrton tem o seguinte título: “Pela humanização do ídolo”. Já o relativo a Schumacher é chamado “No Limite da Legalidade”.
    Aqui já podemos começar a pensar em Pêcheux. Ambas as frases têm quatro palavras. A primeira inicia-se com a preposição “pela”. Tal palavra (qual “por” e “para”) indica o(a) motiv(açã)o ou proposta de algo. Já “no” (em + o) indica lugar, situação. Portanto, a principal diferença que se nota é que enquanto a segunda frase apenas localiza a ação a ser discorrida, ficando neutra, a primeira assume uma postura defensiva, pois está escrevendo em razão de determinado objeto.
    “Humanização” X “Limite”: o substantivo ‘humanização’ vem do verbo ‘humanizar’, que significa ‘tornar humano’. Obviamente, você só torna humano algo que não o é. Já ‘limite’, também um substantivo, em certos casos pode ser visto como fronteira, marca (física ou imaginária) que separa dois pólos. Assim, tanto uma quanto outra palavra estão se referindo a alguma espécie de mudança ou transformação.
    “Do” e “Da” (junção de “de” + artigo) são usadas para preceder os substantivos “ídolo” – palavra que pode ser também usada como adjetivo – e “legalidade” (substantivo, apenas). A palavra ídolo, em sua origem, era usada no campo religioso: lembremos que a Bíblia condena a existência de ‘ídolos’ do ínicio ao fim. Portanto, o “ídolo” é a materialização de algo que não é humano – como visto de ínício.
    Já ‘legalidade’, que vem do adjetivo ‘legal’ (significando ‘pertencente à lei’), se refere a coisas do mundo, dos humanos, do dia-a-dia, a coisas a que todos estão sujeitos.
    Analisando ambas as frases, fica tudo muito claro: a sobre Schumacher quer mostrar que ele é, como eu e você, humano; a relativa a Senna quer dizer a mesma coisa: humano como nós (e o autor até explicita isso na gravata de seu texto).
    “Ora, então são iguais”. Aí é que vem a diferença.
    Iremos usar apenas mais duas frases de cada texto, afinal, “é questão de espaço e também de tempo”, como diria Lulu Santos. Não se trata de tirar citações do contexto, até porque os links estão aí e você pode lê-los na íntegra. É apenas para mostrar como a teoria de Pêcheux se aplica: a ideologia está sempre por trás das palavras.
    No texto “humanizante” lemos: “Ayrton Senna é isso: um herói do esporte, tão grande quanto Oscar Schmidt ou Bernardinho. E tão humano quanto Diego Maradona.” Já no “legalizante”: “Como se vê, em nenhuma dessas ações Michael Schumacher e sua equipe foram deliberadamente maldosos. Apenas agiram no limite do regulamento.”
    Reparem: no texto que fala de Senna, Bernardinho e Oscar são usados como “grandes exemplos esportivos”, e são vistos como ‘iguais a Senna’, para o autor. Já Maradona é usado como “exemplo de humanidade” – com sentido negativo -, seja por seu ‘gol de mão’ ou por seu envolvimento com drogas.
    Sem questionar a grandeza pessoal de Oscar e Bernardinho, por que Maradona (responsável pelos únicos títulos da história do Napoli, campeão mundial com a Argentina praticamente sozinho, autor do maior gol da história das copas, etc) não é mencionado por seus feitos esportivos?
    No caso de Schumacher, o autor, após citar diversos “erros” (como fez no texto de Senna, também) da carreira do piloto, trata de absolvê-lo de tais, afirmando que ele “não agiu com maldade”, e chega a dizer, até, que tais atitudes “se não são nobres, não são de todo ilegais”.
    Resumindo: “Senna pode ter sido grandioso como os dois, mas também foi vil como o outro”. “Schumacher pode ter feito algo pouco louvável, mas agiu nos limites”. Perceberam a oposição?
    E essa constante ideia de contraste nos dois textos (que seriam, juntos, mais ou menos como um músico que lança um “álbum duplo”, ou então o cineasta que filma as “partes 1 e 2″ de determinado filme) mostra-se inquestionável no final.
    O texto sobre Senna termina assim: “Vencedor, campeão, gênio das pistas. Mas humano”.
    Já o de Schumacher, dessa forma: “Controverso, mas um piloto muito talentoso e inteligente”.
    Todo mundo sabe a função da conjunção “mas”.
    Certa vez, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (o grande ‘Tom’), instado a falar sobre qual seria a diferença entre Nova York e o Rio de Janeiro, respondeu: “Lá [NY] é bom, mas é uma merda; aqui [RJ] é uma merda, mas é tão bom”!

  5. Roberto disse:

    Bem, Já na página inicial do blog há uma foto em tamanho grande de Ayrton Senna. Abaixo, à esquerda, há outra, de Michael Schumacher. Claro, hão de argumentar que “isso acontece devido às atualizações, e sempre a matéria mais recente fica acima”. Ótimo.
    (Antes de continuar, é importante lembrar que o site GP, na edição de maio de sua nova revista virtual, resolveu prestar uma “homenagem” a Ayrton Senna, lembrando a data de sua morte: 16 desempenhos marcantes do piloto: 8 bons e 8 ruins – uma bela iniciativa falar de erros cometidos quando se recorda uma data especial, não? Sem contar que os comentários sobre as ‘grandes’ corridas foram sempre no sentido “porém, contudo, todavia, entretanto”. Mas isso não vem ao caso, agora).
    O texto que fala sobre Ayrton tem o seguinte título: “Pela humanização do ídolo”. Já o relativo a Schumacher é chamado “No Limite da Legalidade”.
    Aqui já podemos começar a pensar em Pêcheux. Ambas as frases têm quatro palavras. A primeira inicia-se com a preposição “pela”. Tal palavra (qual “por” e “para”) indica o(a) motiv(açã)o ou proposta de algo. Já “no” (em + o) indica lugar, situação. Portanto, a principal diferença que se nota é que enquanto a segunda frase apenas localiza a ação a ser discorrida, ficando neutra, a primeira assume uma postura defensiva, pois está escrevendo em razão de determinado objeto.
    “Humanização” X “Limite”: o substantivo ‘humanização’ vem do verbo ‘humanizar’, que significa ‘tornar humano’. Obviamente, você só torna humano algo que não o é. Já ‘limite’, também um substantivo, em certos casos pode ser visto como fronteira, marca (física ou imaginária) que separa dois pólos. Assim, tanto uma quanto outra palavra estão se referindo a alguma espécie de mudança ou transformação.
    “Do” e “Da” (junção de “de” + artigo) são usadas para preceder os substantivos “ídolo” – palavra que pode ser também usada como adjetivo – e “legalidade” (substantivo, apenas). A palavra ídolo, em sua origem, era usada no campo religioso: lembremos que a Bíblia condena a existência de ‘ídolos’ do ínicio ao fim. Portanto, o “ídolo” é a materialização de algo que não é humano – como visto de ínício.
    Já ‘legalidade’, que vem do adjetivo ‘legal’ (significando ‘pertencente à lei’), se refere a coisas do mundo, dos humanos, do dia-a-dia, a coisas a que todos estão sujeitos.
    Analisando ambas as frases, fica tudo muito claro: a sobre Schumacher quer mostrar que ele é, como eu e você, humano; a relativa a Senna quer dizer a mesma coisa: humano como nós (e o autor até explicita isso na gravata de seu texto).
    “Ora, então são iguais”. Aí é que vem a diferença.
    Iremos usar apenas mais duas frases de cada texto, afinal, “é questão de espaço e também de tempo”, como diria Lulu Santos. Não se trata de tirar citações do contexto, até porque os links estão aí e você pode lê-los na íntegra. É apenas para mostrar como a teoria de Pêcheux se aplica: a ideologia está sempre por trás das palavras.
    No texto “humanizante” lemos: “Ayrton Senna é isso: um herói do esporte, tão grande quanto Oscar Schmidt ou Bernardinho. E tão humano quanto Diego Maradona.” Já no “legalizante”: “Como se vê, em nenhuma dessas ações Michael Schumacher e sua equipe foram deliberadamente maldosos. Apenas agiram no limite do regulamento.”
    Reparem: no texto que fala de Senna, Bernardinho e Oscar são usados como “grandes exemplos esportivos”, e são vistos como ‘iguais a Senna’, para o autor. Já Maradona é usado como “exemplo de humanidade” – com sentido negativo -, seja por seu ‘gol de mão’ ou por seu envolvimento com drogas.
    Sem questionar a grandeza pessoal de Oscar e Bernardinho, por que Maradona (responsável pelos únicos títulos da história do Napoli, campeão mundial com a Argentina praticamente sozinho, autor do maior gol da história das copas, etc) não é mencionado por seus feitos esportivos?
    No caso de Schumacher, o autor, após citar diversos “erros” (como fez no texto de Senna, também) da carreira do piloto, trata de absolvê-lo de tais, afirmando que ele “não agiu com maldade”, e chega a dizer, até, que tais atitudes “se não são nobres, não são de todo ilegais”.
    Resumindo: “Senna pode ter sido grandioso como os dois, mas também foi vil como o outro”. “Schumacher pode ter feito algo pouco louvável, mas agiu nos limites”. Perceberam a oposição?
    E essa constante ideia de contraste nos dois textos (que seriam, juntos, mais ou menos como um músico que lança um “álbum duplo”, ou então o cineasta que filma as “partes 1 e 2″ de determinado filme) mostra-se inquestionável no final.
    O texto sobre Senna termina assim: “Vencedor, campeão, gênio das pistas. Mas humano”.
    Já o de Schumacher, dessa forma: “Controverso, mas um piloto muito talentoso e inteligente”.
    Todo mundo sabe a função da conjunção “mas”.
    Certa vez, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (o grande ‘Tom’), instado a falar sobre qual seria a diferença entre Nova York e o Rio de Janeiro, respondeu: “Lá [NY] é bom, mas é uma merda; aqui [RJ] é uma merda, mas é tão bom”.

  6. Roberto disse:

    Já na página inicial do blog há uma foto em tamanho grande de Ayrton Senna. Abaixo, à esquerda, há outra, de Michael Schumacher. Claro, hão de argumentar que “isso acontece devido às atualizações, e sempre a matéria mais recente fica acima”. Ótimo.
    (Antes de continuar, é importante lembrar que o site GP, na edição de maio de sua nova revista virtual, resolveu prestar uma “homenagem” a Ayrton Senna, lembrando a data de sua morte: 16 desempenhos marcantes do piloto: 8 bons e 8 ruins – uma bela iniciativa falar de erros cometidos quando se recorda uma data especial, não? Sem contar que os comentários sobre as ‘grandes’ corridas foram sempre no sentido “porém, contudo, todavia, entretanto”. Mas isso não vem ao caso, agora).
    O texto que fala sobre Ayrton tem o seguinte título: “Pela humanização do ídolo”. Já o relativo a Schumacher é chamado “No Limite da Legalidade”.
    Aqui já podemos começar a pensar em Pêcheux. Ambas as frases têm quatro palavras. A primeira inicia-se com a preposição “pela”. Tal palavra (qual “por” e “para”) indica o(a) motiv(açã)o ou proposta de algo. Já “no” (em + o) indica lugar, situação. Portanto, a principal diferença que se nota é que enquanto a segunda frase apenas localiza a ação a ser discorrida, ficando neutra, a primeira assume uma postura defensiva, pois está escrevendo em razão de determinado objeto.
    “Humanização” X “Limite”: o substantivo ‘humanização’ vem do verbo ‘humanizar’, que significa ‘tornar humano’. Obviamente, você só torna humano algo que não o é. Já ‘limite’, também um substantivo, em certos casos pode ser visto como fronteira, marca (física ou imaginária) que separa dois pólos. Assim, tanto uma quanto outra palavra estão se referindo a alguma espécie de mudança ou transformação.
    “Do” e “Da” (junção de “de” + artigo) são usadas para preceder os substantivos “ídolo” – palavra que pode ser também usada como adjetivo – e “legalidade” (substantivo, apenas). A palavra ídolo, em sua origem, era usada no campo religioso: lembremos que a Bíblia condena a existência de ‘ídolos’ do ínicio ao fim. Portanto, o “ídolo” é a materialização de algo que não é humano – como visto de ínício.
    Já ‘legalidade’, que vem do adjetivo ‘legal’ (significando ‘pertencente à lei’), se refere a coisas do mundo, dos humanos, do dia-a-dia, a coisas a que todos estão sujeitos.
    Analisando ambas as frases, fica tudo muito claro: a sobre Schumacher quer mostrar que ele é, como eu e você, humano; a relativa a Senna quer dizer a mesma coisa: humano como nós (e o autor até explicita isso na gravata de seu texto).
    “Ora, então são iguais”. Aí é que vem a diferença.
    Iremos usar apenas mais duas frases de cada texto, afinal, “é questão de espaço e também de tempo”, como diria Lulu Santos. Não se trata de tirar citações do contexto, até porque os links estão aí e você pode lê-los na íntegra. É apenas para mostrar como a teoria de Pêcheux se aplica: a ideologia está sempre por trás das palavras.
    No texto “humanizante” lemos: “Ayrton Senna é isso: um herói do esporte, tão grande quanto Oscar Schmidt ou Bernardinho. E tão humano quanto Diego Maradona.” Já no “legalizante”: “Como se vê, em nenhuma dessas ações Michael Schumacher e sua equipe foram deliberadamente maldosos. Apenas agiram no limite do regulamento.”
    Reparem: no texto que fala de Senna, Bernardinho e Oscar são usados como “grandes exemplos esportivos”, e são vistos como ‘iguais a Senna’, para o autor. Já Maradona é usado como “exemplo de humanidade” – com sentido negativo -, seja por seu ‘gol de mão’ ou por seu envolvimento com drogas.
    Sem questionar a grandeza pessoal de Oscar e Bernardinho, por que Maradona (responsável pelos únicos títulos da história do Napoli, campeão mundial com a Argentina praticamente sozinho, autor do maior gol da história das copas, etc) não é mencionado por seus feitos esportivos?
    No caso de Schumacher, o autor, após citar diversos “erros” (como fez no texto de Senna, também) da carreira do piloto, trata de absolvê-lo de tais, afirmando que ele “não agiu com maldade”, e chega a dizer, até, que tais atitudes “se não são nobres, não são de todo ilegais”.
    Resumindo: “Senna pode ter sido grandioso como os dois, mas também foi vil como o outro”. “Schumacher pode ter feito algo pouco louvável, mas agiu nos limites”. Perceberam a oposição?
    E essa constante ideia de contraste nos dois textos (que seriam, juntos, mais ou menos como um músico que lança um “álbum duplo”, ou então o cineasta que filma as “partes 1 e 2″ de determinado filme) mostra-se inquestionável no final.
    O texto sobre Senna termina assim: “Vencedor, campeão, gênio das pistas. Mas humano”.
    Já o de Schumacher, dessa forma: “Controverso, mas um piloto muito talentoso e inteligente”.
    Todo mundo sabe a função da conjunção “mas”.
    Certa vez, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (o grande ‘Tom’), instado a falar sobre qual seria a diferença entre Nova York e o Rio de Janeiro, respondeu: “Lá [NY] é bom, mas é uma merda; aqui [RJ] é uma merda, mas é tão bom”.

  7. Leo Milhomem disse:

    As vezes a trapaça faz parte…… rs
    Se não for pego…. vc é o esperto.
    Se for pego… vc vira o vigarista.

  8. Bruno disse:

    Farei um comentário alheio ao automobilismo, em razão da expressão “brechas nas leis para absolver seus clientes” utilizada pelo Capelli.

    Espero desmistificar um pouco essa visão das brechas. Claro que elas existem, sobretudo em razão da (pouca) qualidade de nossos parlamentares, aos quais incumbe legislar. Assim sendo, muitas de nossas leis possuem lacunas e/ou defeitos que poderão ser utilizados a favor de um ou de outro, conforme o caso.

    Entretanto, a meu ver, são dois os principais fatores para a sensação de impunidade (ou de descrença na Justiça) que existe no Brasil: a interpretação da lei e a lei em si.

    Como já mencionado, a maioria de nossos parlamentares não possuem formação jurídica (alguns sequer o ensino fundamental), como consequência, não são poucas as leis com redação duvidosa e/ou subjetiva. Aliás, eis o primeiro problema de uma lei: termos subjetivos devem ser evitados ao máximo, embora nem sempre seja possível, afinal, a lei visa regular condutas humanas, que são naturalmente subjetivas (o dolo e a culpa, por exemplo). Quanto mais subjetiva for uma lei, maiores são as possibilidades e quantidades de interpretações. Não são brechas, mas entendimentos. Aliás, até juízes possuem entendimentos diferentes em um mesmo caso, de acordo com sua formação jurídica, social, filosófica etc. Este é o problema da interpretação da lei.

    O outro fator (ainda mais importante), qual seja, a lei em si, reside no fato de as leis brasileiras serem muito benevolentes, com penas assaz pequenas e institutos nefastos. Veja a prescrição, por exemplo. Só serve para favorecer criminosos. Com a interposição de vários recursos e outros expedientes nada éticos (já que a lealdade processual é um princípio) consegue-se a prescrição de um crime e, ainda que o réu confesse, de nada adiantará, pois não poderá ser punido. Um absurdo!

    Por fim e se não bastasse, ainda temos um instrumento policial retrógrado, ineficaz e reduzido, o que impossibilita a adequada apuração de um crime. A investigação criminal no Brasil não saiu da Idade da Pedra. Portanto, como o ônus da prova cabe a quem acusa (com raras exceções, na esfera cível), diante de uma prova policial (que normalmente é reproduzida em juízo) frágil, alternativa não restará ao juiz ou ao Júri senão absolver o réu, o que pode ser alcançado com um advogado ao menos motivado (nem precisa ser bom, basta não ser negligente).

    Espero que alguns se interessem por isso e reflitam sobre o mito das “brechas legais”. A questão é muito mais complexa. Obrigado àqueles que tiveram paciência de ler algo assim…

    Saudações a todos!

  9. Kik0 disse:

    Não é à toa que somos pentacampeões no futebol: no limite da legalidade. Um pênalti cavado aqui, uma expulsão provocada lá, um impedimento não marcado etc.
    Logo, não é à toa que o Schumerda é hepta campeão: no limite da legalidade.
    Texto muito bom, as viúvas que chorem.
    O velhinho só consegue ultrapassar em situações como essas: em fila indiana e com falha do piloto à frente.

    Cry widows, cry out loud!!!!

  10. Marcus Lins disse:

    O problema, Capelli, é que o que ocorreu foi uma RELARGADA.

    O artigo 40.11 é claro ao dizer “Quando os comissários decidem que a pista está segura…”. Não há exceção, mas aquele procedimento inteiro (avisar “SAFETY CAR IN THIS LAP”, bandeiras e luzes verdes, etc…) só ocorre “Quando os comissários decidem que a pista está segura…”.

    Do contrário, fica impossível, impedido pelo regulamento, que a pista seja liberada na última volta. Note bem nas imagens, os carros que bateram não estavam mais na pista. Se a corrida tivesse 79 em vez de 78 voltas, o SC teria entrado da mesma forma.

    O art 40.13 NÃO diz que, SEMPRE que tiver um SC na última volta, então os carros passam, sem ultrapassar. Ele diz que se o SC estiver “deployed”, coisa que não estava mais.

    Sem pista segura, deveria continuar com bandeiras amarelas, já que não dá pra tomar o procedimento 40.11 com a pista insegura. Imagine se um carro estivesse atravessado, ocupando meia-pista a 15m da chegada, ia ter bandeira verde? CLARO QUE NÃO.

    Na hipótese acima, o SC entra nos boxes, pra não “ganhar a corrida”, mas a situação perigosa persiste, a pista não está segura, e o procedimento é o 40.13 em vez do 40.11.

    E não foi só a Mercedes/Schumacher que entenderam desse jeito, só foram os únicos que conseguiram fazer o que está escrito nas regras.

    Resumindo: leiam atentamente o artigo 40.11. Está claro que só com pista segura que se dá bandeira verde, e se envia a mensagem de “SC IN THIS LAP”. É a primeira frase do artigo!

    Depois ficam montando Grupo de Trabalho para aumentar as ultrapassagens e etc… palhaçada!

  11. Maxwell Barbosa Medeiros disse:

    Não me tira da cabeça que Rubens deixou Schumi passar perto da linha de chegada só para deixar evidente a manobra da equipe. Tirarei o chapéu para Barrichelo pelo resto da vida por isso.

    • Julio disse:

      Engraçado, nesse fato só me lembra o quanto o Barrichello era pau mandado e que até mataria pra ajudar a equipe, ele ficou tão indignado com essa situação que demorou mais 3 anos pra sair de la.

      • Arnold disse:

        Geeeeente……o que importa é $$ no bolso, esqueçam esse negócio de patriotismo e tal..isso é balela….pelo tanto de $$ que o Rubinho ganhou na Ferrari eu lamberia os pés do Schummy!!!
        Tonto somos nós que torcemos pro piloto encarnar a pátria… :(

  12. Júlio R. disse:

    Acho interessante que esse assunto só é discutido nesses termos quando se trata de Schumacher. Dá a impressão de que quando é com Hamilton ou Alonso, ou quando era com Senna, Mansell ou Piquet, é diferente…

    Deve ser cult chamar Schumacher de Dick Vigarista mas endeusar Ayrton Senna, ou dizer que Schumacher é sujo e inescrupuloso mas Hamilton seja somente “impetuoso” e “agressivo”…

    Uma coisa eu concordo contigo Capelli, ele sempre anda no limite, e não só da legalidade, mas também do carro, de seu preparo físico, de sua pilotagem, assim como o fizeram a maioria dos chamados “gênios” da F-1. Faz parte do circo…

  13. roberto disse:

    O Dick voltou..O Dick voltou..õõõõõõõõõõõõ

    • Ricardo Barbosa disse:

      A verdade é que o Schumacher salvou a corrida chata e medonha que se desenhava pro final. Não iamos ter muito a comentar a não ser a superioridade da redbull…….Alias, parabens pra o Schumi pela manobra e para o Trulli pelo “no sense” que teve na Rascasse rsss

      • Leonardo disse:

        Gostei da manobra do Trulli também. É disso que as corridas precisam, de gente que se arrisque. Como diz o ditado: “Quem não arrisca não se #ode” e nesse caso e se f… Mas poderia ter dado certo.

        Imagina se o Piquet contra o Senna na Hungria/86 não tivesse conseguido segurar o carro, rodasse e fosse pra fora da pista abandonando.

        • Marcus Lins disse:

          Apoiado!

          O indiano que deu um baita mole e não olhou no retrovisor. O Trulli botou meio carro por dentro e, se tivesse notado, o indiano não deveria ter fechado a porta na cara!

          Se continuar assim, vai ser melhor fazer da F1 uma disputa de dragster, com inúmeras largadas seguidas!

  14. Klauss Tofanetto disse:

    Pior é essa história que eu vi rolando de que o Schumacher só está sendo punido porque tem o Damon Hill, um “desafeto” do alemão (sic) como comissário de prova.

    Eita mania de arranjar falsa polêmica!

  15. Não tenho mais por que questionar a punição a Schumacher. @ivancapelli explica a regra (e cita outras "schumacadas"): http://j.mp/99ODjf

  16. Ricardo Silva disse:

    Texto muito bem escrito como sempre. Assim como é o Schumacher de sempre.

    E a jogada suja contra o Hill em 94? E a reincidência contra a própria Williams em 97 contra o Villeneuve? Será que estes incidentes foram tentativas de aproveitar brechas do regulamento?

    Me desculpe, mas é o Dick Vigarista de sempre.

    • Lauda disse:

      Quando é o Hamilton e o Alonso que aprotavam alguma coisa nunca dá essa repercusão. Esses dois elementos MENTIRAM para vencer corridas coisa que o Schumacher nunca fez. O alemão pode até ter exagerado em muitas situações, mas sempre dentro da pista e sem maquiagem. Ele pode jogar pesado, entretanto nunca foi um mentiroso.

      • Julio disse:

        Alguem ainda acredita que o Alonso não sabia de nada quando o Piquet resolveu bater no muro?

        Ou que ele não tem nada a ver com o episódio de espionagem?

        • Fabio disse:

          Verdade, interessante como fazem não se lembrar dessa vergonha do Alonso ne? Manipular a corrida toda p vencer.

          Ninguem cita tambem quando Hamilton bateu atras do Raikkonnen nos boxes, estava claro q o carro estava com problema e preferiram eliminar os dois.

      • mauricio disse:

        Ah, sim. Schumacher nunca mentiu.
        Após o treino de Mônaco em 2006 ele foi até os comissários e disse: “Sim , eu bati de propósito. Foi tudo uma farsa!”

  17. Roberto Taborda disse:

    Pessoal, leiam o regulamento… os pilotos sabem disso… pode estar em luz verde, mas as ultrapassagens só depois da linha de chegada, o que nesse caso, OBRIGA a prova a acabar na ordem que estava por se tratar de ultima volta… se o Alonso escorregou antes, o Michael deveria frear e esperar… concordo com o Capelli na citação “se colar, colou” Ele sabia bem disso podem ter certeza. A questão é que estão tratando isso como inadmissivel… foi uma manobra proibida, foi punida, pronto!

    • Leandro disse:

      Roberto, as ultrapassagem são permitidas após a linha do safety car, e não após a linha de chegada.

      Alonso tbem passou o Chandhock antes da linha de chegada, mas após a linha de safety car na primeira relargada da corrida.

      []´s

  18. Eduardo Casola Filho disse:

    Este episódio do Schumacher lembra-me o episódio do Senna no GP do Japão de 1989, quando foi desclassificado por cortar a chincane após o incidente do Prost, Pelos olhos do espetáculo, o final não foi perfeito, mas o regulamento é esse e não há nada que pode ser feito.

    O Schumacher é um típico espertalhão que quer se dar bem em todo momento, pois não gosta de perder nem em campeonato de bolinha de gude. E por isso tenta até testar os limites do regulamento, pois sbe que pode se dar muito bem se tudo sair do jeito dele.

    Mas essa “qualidade”, muitos gênios e estrelas da Fórmula 1 demonstraram, como Senna (como colocado nos textos da revista, muto boa por sinal), Prost, o próprio Alonso…

    A Fórmula 1 é um lugar de cowboys fora-da-lei…

    http://www.youtube.com/watch?v=06WNv5lVY0g

  19. mauricio disse:

    Capelli, só não concordo quando vc inclui Mônaco 2006 como um dos casos nos quais Michael Schumacher não doi deliberadamente maldoso. Ali ele foi tão maldoso quanto nos episódios com Hill em 94 ou Villeneuve em 97 que, por isso, foram excluídos da sua lista.

  20. JackSpeed disse:

    na boa Capelli nessa voce forçou!faltou mencionar que o Hill estava lá e como disseram regra por regra Hamilton todo dia as quebra,a puniçao dos fiscais nao quer dizer que estao certos!esse discurso que Schumacher é mal ja cansou,ele foi genial,eu faria o mesmo,se não valia que as luzes estivessem amarelas,pegam no pé de Schumacher,sugiro um post descrevendo as artimanhas do Senna,e a lista é grande viu,e o Senna como schumacher esta certo,lugar de bonzinho é na igreja rezando.

  21. arnold disse:

    O schummy eh igual aquele amigo seu que na balada da tiro pra tdo qto eh lado na mulherada e toma toco de várias, mas qdo consegue pegar uma pega a mais bonita e gostosa :) :)

    ….falando sério agora, se for ver bem, comparando friamente com o futebol
    seria como se o schummy tivesse tentado cavar um penalti mas o juiz não foi na dele e ainda levou cartão vermelho. No futebol isso é louvável com adjetivos como malandragem, ginga, raça etc…. Só pq foi o Schummy chovem críticas. Tinha mais que ter passado mesmo, pelo menos rendeu assunto pra uma corrida tão bisonha!!! ;)

    • Kik0 disse:

      Não é à toa que somos pentacampeões no futebol: no limite da legalidade. Um pênalti cavado aqui, uma expulsão provocada lá, um impedimento mal marcado etc.
      Logo, não é à toa que o Schumerda é hepta campeão: no limite da legalidade.
      Texto muito bom, as viúvas que chorem.
      O velhinho só consegue ultrapassar em situações como essas: em fila indiana e com falha do piloto à frente.

      Cry widows, cry out loud!!!!

  22. Paulo Mina disse:

    Foi demais a ultrapassagem, como foi demais a ultrapassagem do Alonso sobre o Massa na entrada dos boxes, mas a F1 deveria adotar o que a Nascar faz quando há bandeira amarela na últimas voltas, o famoso Green-white-checker, seria muito mais divertido, sempre alguém da frente estará sem combustível e os finais nesses casos seriam bem mais legais, mas aí acho que o reabastecimento teria de voltar também.

  23. Flavio disse:

    A manobra foi correta, dentro do regulamento, o Schumacher foi punido não de acordo com a regra atual da F-1. Cabe recurso e retirada da punição de acordo com as atuais regras.
    Tanto faz qual piloto seja, o importante é seguir as regras estabelecidas, senão vira bagunça.

  24. RT @ivancapelli: Tem um post novo lá no blog, sobre a manobra de Schumacher em Mônaco e seu histórico de controvérsias. http://bit.ly/9NBRqP

  25. Um caso que não guarda tantas semelhanças com o de ontem, mas que também considero ilustrativo, é o da punição a Montoya devido a um acidente de largada entre ele e Schumacher no GP da Malásia de 2002. A impressão que eu e a torcida do Flamengo tivemos foi de que Montoya só foi considerado culpado porque encontrou a Ferrari número 1 no caminho. Nos anos dourados do alemão, e ele e sua equipe possuíam um aparato jurídico muito mais poderoso que qualquer outro piloto ou equipe, e acredito que ele tenha se beneficiado muito disso. As alterações de regulamento sobre os pneus, em setembro de 2003 e dos amortecedores de massa, em julho de 2006, também são exemplos relevantes.

  26. Realista disse:

    Que post mais tendencioso e, em certos pontos, até tacanho.

    Agora querer ganhar é sinônimo de sujeira? Não é a falta de pilotos que arriscam o que mais se reclama da F1 hoje em dia?

    O que o Schumacher deveria ter feito? Devolver a posição que o Alonso ENTREGOU com uma saída de curva ridícula? Bater? Brecar e talvez causar uma batida atrás dele?

    Acho que há muita gente lamentavelmente ressentida de quão vitorioso o alemão é. Ele é o maior piloto de todos os tempos, queiram ou não.

    Como em outros esportes, há árbitros (ou semelhantes) que regulam e fiscalizam os competidores. O objetivo é ganhar, não ser amigo e querido (ao contrário do que pensam alguns). Corre-se para ganhar. Não cabe ao Schumacher ou a Mercedes julgar as regras. Existe um órgão para isso, que faz o papel de árbitro. Cabe ao piloto correr para ganhar. Qualquer piloto com o mínimo de audácia faria a ultrapassagem.

    Infelizmente, na F1, o tal órgão é, principalmente, um apêndice que serve aos interesses da Ferrari.

    • Julio disse:

      Concordo com você. Tinha bandeira verde, sem nada atrapalhando a pista, ele tinha mais é que disputar posição. O pessoal ta acostumado demais com os brasileiros que só ficam comboiando o carro da frente na corrida toda, quando alguem tenta algo diferente ja é tachado de malandro, anti-ético e etc.

    • Capelli disse:

      Eu acho, no geral, que vocês estão esquecendo que o Alonso escorregou porque teve que sair do traçado, já que o Schumacher por ali se enfiou… ele forçou a barra e Alonso não estava preparado porque sabia que ninguém poderia ultrapassar.

      • Julio disse:

        Ele escorregou antes do Schumacher tentar passar ele, veja o vídeo novamente.

        • Capelli disse:

          É verdade, me enganei.

        • Guto disse:

          De qualquer maneira acho que ninguém estava rápido. Nem Schumacher, nem Alonso nem ninguém. Dava para evitar a ultrapassagem, sim. E se Alonso tivesse batido, a regra permite a ultrapassagem. Algo do tipo “Se ficar claro que o carro da frente tem problemas ou bateu, a ultrapassagem é permitida”.

        • Julio disse:

          Numa corrida onde o que mais se via eram bandeiras verdes? DUVIDO alguem ficar esperando o outro se arrumar na pista pra isso.

          E onde ta na regra que pode passar nessas ocasiões?

        • Guto disse:

          40.7 (último tópico):
          Overtaking will only be permitted under the following circumstances :
          - if any car slows with an obvious problem.

        • Marcus Lins disse:

          Só relembrando ao Guto, que cita o artigo 40.7.

          Tal artigo diz, um pouco antes:
          “With the following exceptions, overtaking is forbidden until the cars reach the first safety car line”.

          Ressalto: “…until the cars reach the first safety car line…”. A partir da “safety car line”, as ultrapassagens são permitidas (já que são proibidas até ela).

          A ultrapassagem do Schumacher sobre o Alonso foi depois da “safety car line”, e portanto, seria válida mesmo que o Alonso não tivesse escorregado, quebrado ou com problema.

        • Guto disse:

          Mas, Marcus, eu nunca discuti isso. Aliás, eu só falei que dava pra evitar a ultrapassagem, nada mais.
          E, pelo que eu entendi, o Schumacher só foi punido por isso ser na última volta. O Safety Car saiu da frente dos carros para a bandeirada, só. Pelo que eu entendi, na última volta não existe Safety Car line.

  27. henrique disse:

    Esqueceu de citar quando ele jogou o carro em cima de villeneuve em 97.

    Quanto a manobra, achei q foi malandragem mesmo. Ao contrário do q outro disse aí, nao sinto falta disso na F1. Na minha opniao, ser ético e justo é pre-requisito em qualquer esporte. Na F1 parece q as pessoas deixa a índole de lado e passam a vangloriar tais atitudes. Todo esporte é baseado em determinar o melhor, dentro das regras impostas. Se vc nao é capaz de provar se o melhor dentro das regras, talvez vc nao seja o melhor.

  28. RT @ivancapelli: Tem um post novo lá no blog, sobre a manobra de Schumacher em Mônaco e seu histórico de controvérsias. http://bit.ly/9NBRqP

  29. Marlon disse:

    Eu acho que o Schumacher ultrapassou o Alonso no instinto. Assim que viu o Alonso fazendo cagada na frente dele e abrindo uma brecha ele enfiou o carro sem nem pensar no que tava fazendo.

    • Ricardo Barbosa disse:

      Complementando, pergunto :

      E se naquela patinada do Alonso ele bate a Ferrari ? Todos que vinham atras tinham que parar e nao passar ?

      Pra mim foi puro instinto, o cara da frente escorregou e ele passou.

      Quem ja andou de kart 2 tempos sabe o que to falando, é tudo muito rapido, bobeou-dançou. Eu devolveria a posição mas a punição de 20 segundo faria sentido se terminasse em bandeira amarela (que inclusive ser para avisar que as ultrapassagens estão proibidas e a VELOCIDADE DEVE SER MENOR)

      • Julio disse:

        Tambem não entendi, e esse argumento de que é pra sair melhor na foto é ridiculo. Pra que esconder que a corrida terminou em bandeira amarela? Tem que sair na foto tambem a bandeira verde?

        • Capelli disse:

          Se o argumento é ridículo, que explicação você tem para o SC retirar-se antes da linha de chegada sem, no entanto, que ninguém possa ultrapassar?

        • Julio disse:

          O Safety car na frente de um formula 1 é desmerecer toda a corrida, vai atrapalhar foto? De boa, é ridiculo sim? Nas 500 milhas de Indianapolis ja terminaram várias corridas com Safety car e ninguem fica de mimimi porque tem um carro la na frente.

        • Fabio disse:

          Sim, tiraram o SC para não atrapalhar a foto ! Bandeira verde é bandeira verde, tudo valendo!

          Realmente não faz sentido retirar o SC antes da linhda de chegada e ninguém poder ultrapassar, so esqueceram que o maior genio estava na pista !

        • Rodrigo disse:

          Aff, essa foi demais!!!!

      • Marcus Lins disse:

        Sempre lembrando.

        O artigo 40.11, que trata de mandar o aviso “SAFETY CAR IN THIS LAP” e acenar bandeiras verdes começa com o seguinte:

        “When the clerk of the course decides it is safe to call in the safety car…” – Está evidente que tudo que está descrito no 40.11 só ocorre se “os comissários acham seguro chamar o safety car”. Se estiver inseguro, o procedimento não ocorre.

        Repito a situação hipotética. Se o acidente do trulli e o Chandock tivesse ocorrido 50m a frente, e ainda estivessem atravessados na pista, iria ser acenada bandeira verde??? Seria um absurdo!

        O artigo 40.13 não impede que ocorra uma RELARGADA na última volta, é meramente estético. O safety car sai (e só isso), mas a situação de “safety car deployed” permanece, caso a pista ainda esteja insegura.

        Releiam atentamente o começo do 40.11 (que é a única situação em que se avisa “safety car in this lap”). Ele só ocorre quando os comissários decidem que é seguro chamar o safety car, e no caso de não haver “exceções”, digo, exato! Mesmo se for a última volta, muda de “safety car deployed” para “safety car in this lap”.

  30. Luciano Palma disse:

    E quem vai punir o indivíduo que acionou aquela luz verde que se vê na foto da ultrapassagem humilhante sobre o Chorando Alonso?

    Detalhe: Se não podia ser ultrapassado, porque o Choronso acelerou tanto a ponto de quase perder a traseira quando viu a luz verde?

    Pelo jeito é o tapetão chegando à Fórmula 1… depois disso fico na dúvida até se o lance do Hulkenberg não foi coisa combinada, à la Nelsinho…

    • Paulo Renato Pinheiro disse:

      Concordo com você Luciano quando você duvida do “erro” de Hulkenberg.

      Atualmente a F1 anda tomando tantas decisões “pós-corridas”, e descobrindo tantas falcatruas que fica extremamente complicado acreditar que tudo que acontece nos GP`s é legítimo e verdadeiro.

      Se formos analisar por este ângulo, realmente é coincidência DEMAIS que:

      - logo na primeira volta alguém bata (tudo bem que em Mônaco é aceitável que praticamente qualquert batida provoque SC) e consequentemente cause um SC.

      - logo em Mônaco os pneus se desgatem menos, podendo durar por uma prova inteira sem necessidade de trocas.

      - ainda mais se formos pensar que esta estratégia veio na Ferrari (recentemente apelidade de “Errari”).

      Tudo isto me faz questionar até que ponto tudo que ocorre em um GP é verdadeiro, honesto, e até que ponto há falcatruas, atos combinados, etc.

      Não estou questionando aqui a incrível habilidade de Alonso. Este é com certeza um ótimo piloto. Mas, eu acho tudo isso muito suspeito.

      É isso aí…

      Abs…

      • Fabio de Deus disse:

        Talvez vc se interesse em ver a notícia em que a Williams esclarece que o Hulkenberg teve um problema de embreagem na largada, ficou para tras, tocou em uma Hispania, danificou a asa dianteira, e, portanto, no maior ponto de velocidde da pista, o problema fez com que ele fosse direto para o guard rail…
        Ou seja, teóricos da conspiração: Desencanem!!

  31. O mais incrível é que o narrador dos 500 de Esparta também achou que não haveria punição, sendo que em outros momentos da corrida ele mesmo “avisou” que só valeriam ultrapassagens depois da linha de chegada. Ora, se neste caso a linha de chegada já tinha a bandeira quadriculada, fica claro que não era possível ultrapassar. O que importa é que F1 sem Shummi é como Corrida Maluca sem Dick Vigarista…

    • Eudemar disse:

      Os 300 de Esparta, este filme já assisti várias vezes, mas o de 500 ainda não!

    • Marcus Lins disse:

      Galvão estava errado.

      Não existe mais isso de “ultrapassar após a linha de chegada”, agroa é após a “safety car line”.

      O próprio Alonso ultrapassou o Chandock entre essas duas linhas em uma das relagardas.

      NUNCA confie 100% no Galvão. Até hoje ele, que é pago para isso, confunde Toro Rosso com Red Bull, entre outras coisas…

  32. Ednei Rovida disse:

    RT @thiagoraposo: #RECOMENDO Grande análise da manobra de Schumacher – http://bit.ly/c5qAWO

  33. RT @thiagoraposo: #RECOMENDO Grande análise da manobra de Schumacher – http://bit.ly/c5qAWO

  34. Vários pilotos fariam/fizeram qualquer coisa pra vencer corridas! Principalmente entre os grandes campeões… Aliás, Alonso – outro grande campeão – fez manobra parecida em cima de Massa na Espanha, poderiam dizer que foi “falha” mais grave até que de Schumacher, afinal ambos são companheiros de equipe.
    Acho que a FIA anda mal, parece que trabalha só em favor de Hamilton e da Ferrari – sou ferrarista, faço questão de citar -, eles podem tudo e nada pode contra eles.
    Se Hamilton estivesse andando de Ferrari já teria sido campeão do mundo!

  35. Vitor Saiki disse:

    Muito bom! RT @ivancapelli: Tem um post novo lá no blog, sobre a manobra de Schumacher [..] http://bit.ly/9NBRqP

  36. Thiago Raposo disse:

    #RECOMENDO Grande análise da manobra de Schumacher – http://bit.ly/c5qAWO

  37. Vitor disse:

    Aplaudi também a manobra do Schumi. O cara é controverso mesmo e seu caráter é sempre posto a prova, mas o que eu gostei de ontem foi do espírito competitivo, o Alonso bobeou, escorregou, e ele foi.

    Não sei se foi um impulso ou se foi algo pensado, mas acho que é assim que todo competidor deve ser, indo pra cima e arriscando, querendo o máximo em todas as oportunidades.

    btw, texto excelente.

  38. Leandro disse:

    Capelli, disse no seu outro post e digo aqui:

    Bandeira verde é bandeira verde, ou seja, a corrida está aberta, está valendo.

    Caso se utilizasse da regra que diz respeito à última volta, o safety car entraria nos boxes mas a pista continuaria sob bandeira amarela. Não foi o caso. Portanto, houve sim relargada e acredito que voltarão atrás da decisão.

    []´s

    • Leandro disse:

      Capelli, volto a insistir no que eu disse acima! Bandeira verde = pista LIBERADA! HOUVE SIM relargada, a prova não acabou sob safety car!

      Se acabasse, seria assim: http://img237.imageshack.us/img237/8861/greg4w.jpg

      Como foi na Austrália ano passado. O Safety car saiu da pista para, como foi dito, ficar “bonito na foto”. Mas a corrida continuou sob bandeira AMARELA E SC!

      Tem o vídeo tbem dos highlighs, q dá pra ver (são apenas uns 2 frames, lá pelo minuto 2:00 e 2:01): http://www.youtube.com/watch?v=ROQVFQ6K8Ik

      BEEEM diferente do que aconteceu em Mônaco, onde foi avisado que o SC iria entrar naquela volta e a corrida teria “nova relargada”, mesmo que nos últimos metros.

      Pra mim não há dúvida da legalidade da manobra.

      []´s

      • Marcus Lins disse:

        Exato.

        O artigo 40.11 é claro: “When the clerk of the course decides it IS SAFE to call in the safety car…”

        Ou seja, mesmo sem haver exceções, o 40.11 trata apenas de relargada quando a pista está segura. Sem pista segura, passa-se ao 40.13, por ser última volta.

        O erro de interpretação do 40.13 é gritante… Ele em nenhum ponto diz que SEMPRE que for última volta e o “Safety Car tiver cruzado a linha de chegada na volta anterior”, não pode ultrapassar…

        Enfim, eu faria de novo, em todas as corridas, até entenderem a regra!

    • Ituano Voador disse:

      Pois é, e Elvis não morreu.

    • Roberto Magno disse:

      Amigo quando o carro madrinha entra nos box as ultrapassagens é a partir da linha de largada ou seja o DICK VIGARISTA do alemão melou.

      • Leandro disse:

        Engano seu Roberto Magno. É a partir da linha de Safety Car. Do regulamento (site f1.com): “When the safety car is ready to leave the circuit it extinguishes its orange lights, indicating to the drivers that it will peel off into the pits at the end of the current lap. The drivers then continue in formation until they cross the first safety-car line where green lights will indicate that they are free to race again.”

        Esta linha encontra-se próximo a entrada dos boxes. Tem um vídeo onboard do Schumacher no youtube que mostra que ele só passou depois dessa linha.

        []´s

        • Leandro disse:

          Enfim, de qualquer maneira a Mercedes não vai apelar e a punição será mantida…

        • Roberto Magno disse:

          Obrigado Leandro, esta interpretação que fica nas entrelinhas do regulamento da F1, é valida, pois generalizando, acreditavamos que a linha era a de largada/chegada, como inclusive os locutores de TV passam para o publico, no BLOG do GOMES, ele tambem pensava que era a linha de chegada/largada.
          Obrigado mais uma vez.
          abraços.

  39. Danilo Santos disse:

    RT @ivancapelli: Tem um post novo lá no blog, sobre a manobra de Schumacher em Mônaco e seu histórico de controvérsias. http://bit.ly/9NBRqP

  40. niko disse:

    é ótimo assistir a cada corrida o schumacher voltando a F1 como um fracassado! mesmo depois de ter sido humilhado pelo Alonso em 2005 e 2006, schumacher ainda tem que ser derrotado cada vez mais, até que todos vejam que de fato ele nunca foi o melhor piloto do mundo, e sim simplesmente tinha o melhor carro e nada mais.

    • Phil disse:

      Ri litros ! HAHAHAHA

    • Luiz G disse:

      Ele FOI o meçlhor piloto do mundo em sua época áurea.
      Nunca foi o melhor da história, mas o melhor do mundo ele foi.

      Quem era melhor que ele de 1994 a 2004?

    • Marcus Lins disse:

      Ter o melhor carro também não é tão simples.

      Foi com o auxílio dele que a Ferrari saiu da fila. Ele pegou um carro lixo por alguns anos antes de ser campeão de novo, e conseguiu ser competitivo desde o começo.

      Ele, na época áurea (94-2004) era o melhor piloto da F1 sim. Quem teria sido melhor que ele?

    • Ber disse:

      Tu eh um asno velhu… pobre recalcado…

      Deve ser viúva…

  41. Igor Otoni disse:

    Não é diferente de Senna, Piquet, Alonso, Hamilton, etc, etc, etc.
    Inclusive eu acho que hoje falta piloto assim na F1. Na maioria são medrosos e não topam riscos.
    Aplaudi de pé o véio alemão nesse domingo, e ri bastante também!

    • Eudemar disse:

      Nã, nã, naninão!
      Fajutice meu caro bloguista!
      É o mesmo que defender os políticos que são pego com a mão na massa$$$! Vão dizer que é nasceram deste jeito mesmo! Não é culpa deles não!
      Ou aquele jogador que entrou e quebrou o capitão sa seleção alemã, e ele vai ficar fora da copa. Entrada maldosa, para quebrar mesmo!

  42. Capelli disse:

    Tem um post novo lá no blog, sobre a manobra de Schumacher em Mônaco e seu histórico de controvérsias. http://bit.ly/9NBRqP

  43. [...] This post was mentioned on Twitter by Leo Rezende, Leonardo Pimenta. Leonardo Pimenta said: No limite da legalidade http://bit.ly/bsJyov #F1 [...]

  44. Leo Rezende disse:

    Ótimo texto (pra variar) do @ivancapelli sobre SchumyXAlonso em #Monaco, que eu ainda nao vi nada. http://goo.gl/C6B5

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