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31 de janeiro de 2011 - 19:08Análises, Automobilismo, Novos carros

Em busca de uma identidade

Em 1981, Ted Toleman e Alex Hawkridge traziam à Fórmula 1 a Toleman Team, equipe nascida quatro anos antes nas bases do automobilismo inglês, Fórmula Ford 2000 e Fórmula 2. Cinco anos depois, o time mudava de mãos, sendo comprado pela griffe de roupas italiana Benetton.

Foi uma estratégia ousada para a época, fazendo com que uma marca de um produto não-relacionado ao automobilismo deixasse de ser apenas patrocinadora para virar dona de equipe. Assim, surgiu um novo conceito de marketing na categoria, de abrangência mundial, que agregava à marca uma série de valores e elevou a Benetton a um novo patamar em seu mercado. A estratégia foi repetida por outras empresas, principalmente japonesas, como a imobiliária Leyton House e a transportadora logística Footwork, mas nenhuma com o mesmo sucesso. Somente a Red Bull, já nos anos 2000, conseguiu êxito similar.

Nos anos Benetton, o time criou uma identidade forte. Era vista como uma equipe simpática, colorida, ousada e despojada. Quando virou um time vencedor, na era Schumacher, um tanto dessas características foram perdidas. A imagem de zebra foi deixada de lado para virar o time a ser batido, e essa ascensão ao mainstream mudou um pouco as coisas por lá. Mas não que isso fosse ruim. Ruim mesmo foi a fase pós-Schumacher, uma ressaca violenta que fez o time colecionar resultados negativos em sequência, culminando na venda para a Renault, em 2000.

A equipe voltou a crescer, principalmente a partir de 2003, com a chegada de Fernando Alonso. A curva ascendente seguiu até o bicampeonato mundial do espanhol, em 2005-2006. A partir daí, no entanto, a queda foi grande. A Toleman-Benetton-Renault foi se apequenando até culminar no escândalo do GP de Cingapura de 2008, um dos capítulos mais baixos da história da Fórmula 1, quando Nelsinho Piquet bateu de propósito no muro para que um Safety Car ajudasse seu companheiro Alonso, que venceu a corrida.

O Renault-Genii disfarçado de Lotus. Até que ficou bonito.
Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic

Toda a história só veio à tona um ano depois, e o estrago sobre a imagem da equipe foi devastador. Patrocinadores foram perdidos e a própria Renault resolveu abandonar o barco. Manteve o nome, mas vendeu o controle da empresa para o Genii, um grupo de investimentos luxemburguês. E aí começou a saga da busca por uma identidade.

Em 2010, a tentativa foi de resgatar a Renault Turbo dos anos 70/80. Pintura retrô em amarelo e preto, losango grandão na lateral. Os resultados foram bons com o excelente Robert Kubica, mas não convenceu. Agora, o time captou um patrocínio mandrake da Lotus Cars, pintou o carro de preto e dourado e inventou que seu nome é Lotus. Não convenceu ninguém, nem a FIA, que vem tratando o time como simplesmente Renault.

O carro é bonito e foi lançado hoje. Tem algumas inovações, como um escapamento frontal que ninguém entendeu direito ainda como vai funcionar, mas o Giorgio Piola (que no Brasil global foi reduzido a “o espião da F1″) vai desenhar e aí a gente vai saber. A dupla de pilotos é desequilibrada: um grande (Kubica) e um instável (Vitaly Petrov). Para completar, uma chuva de pilotos reservas, entre eles Bruno Senna e Romain Grosjean.

Dados os bons resultados do ano passado, é de se esperar algum sucesso. Mas Genii, tira essa pintura e essa ideia da cabeça. Todo mundo sabe que teu nome é Valdemar.

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comentários

11 comentários

  1. Rommel disse:

    Não gostei, a pintura só é semelhante pelo preto e dourado mas as linhas não lembram as das Lotus JPS. Se bem que essa não é a Lotus… Pra mim a “verdadeira” seria a do Tony Fernandes já que esse ano ele adquiriu do irmão de James Hunt os direitos de usar o nome e a marca da lendária Team Lotus. A Lotus cars e a equipe de F1 nunca foram a mesma coisa. Uma sempre foi independente da outra, apesar de ambas pertencerem a Colin Chapman… Continuará sendo Renault e olhe lá, o mais correto seria chamar-se Genii.

  2. No fim das contas, não consigo achar ela bonita. Os traços das JPS’s eram mais, sei lá, delicados. O que chama a atenção mesmo é o escapamento logo atrás das entradas de ar laterais, que o Rodrigo Lombardi acabou de me mostrar em foto. Será que pega?

  3. RT @f1brasil: Lotus Renault: Em busca de uma identidade http://migre.me/3MNKh #f1

  4. Leo Rezende disse:

    Em busca de uma identidade http://bit.ly/hPsAGt (@ivancapelli )/ Lotus Renault Geni Lada: A equipe mais sem alma em muito tempo.

  5. JS disse:

    Parabéns pelo blog Capelli.

  6. hahaha RT @ivancapelli: E agora, é o post da Renault. O nome dela é Valdemar. http://bit.ly/dKhipt

  7. Capelli disse:

    E agora, é o post da Renault. O nome dela é Valdemar. http://bit.ly/dKhipt

  8. Em busca de uma identidade:
    Em 1981, Ted Toleman e Alex Hawkridge traziam à Fórmula 1 a Toleman Team, equipe na… http://bit.ly/fuhp3M

  9. Ricardo disse:

    Capelli,

    É grande a satisfação de te ver voltar a postar. Teu blog é uma ilha de lucidez nesse ambiente de automobilismo. Parabéns pela qualidade dos posts.

    Saudações

    Ricardo

  10. Maxwell disse:

    Joga pedra na Genii

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