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25 de fevereiro de 2011 - 14:04Análises, Automobilismo, Colunas, História

Ele é alemão e não desiste nunca

* Coluna publicada na edição 11 da Revista Warm Up

Nick Heidfeld é um caso que merece ser estudado. O piloto alemão, ainda que bastante talentoso, é dentre todos os da Fórmula 1 atual o que mais dificuldades teve na carreira. Esteve sem emprego por, pelo menos, quatro vezes. Mas, mesmo assim, nunca ficou uma temporada inteira afastado, ainda que nunca tenha conseguido as bênçãos de nenhum abastado patrocinador.

O começo da carreira de Heidfeld já foi marcado por um certo revés. Estreou na Prost, em 2000, mas seu contrato era com a McLaren. Campeão de F3000 em 1999 pelo time júnior da escuderia prateada, ingressava na F1 em uma equipe menor com o objetivo de ser preparado para ser piloto McLaren dentro de alguns anos, quando Mika Hakkinen se aposentasse. Não teve um bom ano, mas a McLaren bancou-o na Sauber em 2001. Foi uma boa temporada, com pódio e tudo, mas o alemão foi vítima do efeito Kimi Raikkonen. Hakkinen, bicampeão e de grande reputação na McLaren, indicou seu compatriota para substituí-lo em 2002. Kimi fez alguns testes, caiu nas graças de Ron Dennis e Nick ficou a ver navios.

Já independente da McLaren, precisou reconstruir sua carreira, ainda que permanecendo na Sauber. Mas o baque foi grande. Em 2003, principalmente, cometeu muitos erros e ficou em situação delicada na equipe. Acabou dispensado por Peter Sauber e ficou sem rumo. Muitos já davam sua carreira como acabada, até que, surpreendentemente, descolou uma vaga na Jordan para 2004.

A Jordan vivia seu ocaso, sem dinheiro e patrocinadores. Com Giorgio Pantano de piloto pagante – posteriormente substituído por Timo Glock -, Nick seria o responsável pelo desenvolvimento. Mesmo praticamente correndo de graça, topou a oferta. Até que não foi um mau ano para ele, ainda que tenha sido a pior temporada da história da equipe. Nick chegou a conquistar um quinto e um sexto lugares, mas a situação financeira era delicada demais, a ponto de Eddie Jordan ter de vender o time. E, com isso, Nick ficou desempregado outra vez.

Mas a boa temporada na Jordan melhorou sua cotação na Fórmula 1. E com isso foi chamado pela Williams para uma espécie de vestibular para definir quem seria o companheiro de Mark Webber em 2005. Chegou na última hora e superou o favorito à vaga, Antonio Pizzonia. E, assim, continuou na categoria. Apesar de conturbada, foi uma de suas melhores temporadas. Marcou uma pole em Nürburgring, chegou duas vezes em segundo lugar e superava em pontos seu companheiro de equipe, bem mais cotado. Até que sofreu um acidente durante testes em Monza e não pôde disputar os GPs da Itália e da Bélgica. Quando deveria retornar, foi vítima de represália da Williams.

O motivo: a BMW, que fornecia motores e estava deixando a equipe, havia contratado o piloto para disputar a temporada seguinte pelo time que acabara de comprar, a Sauber. Frank Williams e Patrick Head, furiosos, não deixaram mais que Nick voltasse, ficando de fora até o fim do ano. Mas, ainda que com este contratempo, a passagem do alemão pela BMW Sauber foi seu melhor momento na Fórmula 1. Foram quatro temporadas, oito pódios e uma vitória que bateu na trave, no Canadá em 2008.

O problema é que, em fins de 2009, a BMW resolveu abandonar a F1. E Heidlfeld, outra vez, ficou desempregado. Assinou como terceiro piloto da Mercedes para 2010, mas em momento algum foi aproveitado. Virou test driver da Pirelli, ajudou a desenvolver os pneus de 2011, e no fim do ano foi premiado com uma vaga na F1, de novo na Sauber. Disputou os últimos GPs do ano em substituição a Pedro de La Rosa, que fazia um campeonato abaixo da crítica. Para se ter uma ideia, Nick conseguiu em cinco corridas a mesma pontuação do espanhol em 14.

Pena que o bom desempenho não tenha servido para segurar Heidfeld na F1. Precisando de dinheiro, Peter Sauber contratou o mexicano Sergio Perez e Nick, como de costume, ficou a pé. Até que… Robert Kubica, seu ex-companheiro de BMW Sauber, sofreu um sério acidente de rali na Itália. E então Nick Heidfeld voltou às manchetes.

Os resultados dos testes em Jerez de la Frontera não deixaram muitas dúvidas sobre quem seria o escolhido para substituir Kubica. Faltam a Bruno Senna e Vitantonio Liuzzi, os outros candidatos, a experiência e a consistência que sobram em Heidfeld. Semana passada veio a confirmação. É a escolha óbvia.

Paradoxalmente, a temporada na Renault pode ser a mais promissora de toda a carreira de Nick. O carro vem andando bem, não é de se duvidar que possa brigar por vitórias, ainda que eventualmente. E assim, quem sabe, o alemão possa conseguir livrar-se da pecha que o acompanha já há alguns anos: é o piloto que mais GPs disputou sem ter vencido um sequer, em toda a história da sexagenária Fórmula 1.

Com tantas idas e vindas, altos e baixos até injustos para um piloto de talento, um fato não dá para negar. Nick Heidfeld pode não ser brasileiro, mas não desiste nunca.

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comentários

18 comentários

  1. Ricardo disse:

    O povo que comenta site de F1 geralmente é muito chato. Tem que peidar dados irrelevantes da década de 70, ou esculhambar todo mundo. Deve ter sido alguma coisa na construção do imaginário popular pela TV.

    É um exemplo de que não precisa ser campeão para ter uma história interessante a ser contada. O sujeito parece ser bom, e só se deu mal. Mas está aí, participando da história. Se foi campeão é o de menos, porque precisa dos outros 19 ou 24 para completar o grid e render ultrapassagens, disputas e espetáculo.

    Vale a pena procurar uma boa história para contar na turma do meio do grid. E sem precisar apelar para o piloto diabético, manco, caolho, ou o joão da superação. As dificuldades na pista já são história. E é função dos jornalistas organizar, contar, para os chatos repetirem depois e serem menos enfadonhos.

  2. Cado disse:

    Este carro ta muito bonito, poderia corresponder nas performances na pista, teríamos muitas lembranças boas, em virtude das cores desta máquina.

  3. Nikolas Spagnol disse:

    Acho que Heidfeld é muito mais do que um simples piloto mediano. Ele é acima da média, mas não extraordinário como Hamilton ou Alonso.

    Sou capaz de dizer que entre ele e o campeão mundial Jenson Button não há tanta diferença.

    Heidfeld estreou na F1 muito jovem, como disseram teve altos e baixos, não vai ser campeão do mundo mas pode sim conseguir uma vitória com um bom carro ou uma generosa dose de sorte.

    Quem está fazendo hora-extra na F1 é o Barrichello. Este sim perdeu a hora de se aposentar com dignidade!

  4. Heidfeld é bom piloto, merecia estar na F1 atual (cheia de pilotos pagantes). Tenho a impressão de que ele vai mostrar muito serviço esse ano para puxar o tapete do Petrov. O russo que se cuide.

  5. Lucas disse:

    Aí Capelli, como já falaram, o de Cesaris é o verdadeiro “recordista” de corridas sem vitória.

  6. Bono disse:

    Esse aí já está fazendo hora-extra na F1 há tempos!!

  7. The Judge disse:

    Nick Heidfeld é um exemplo claro de que a F1 é realmente um circo.

    Independente da história do alemão na categoria, já está óbvio e ululante que o prazo de validade dele já venceu. Ele pode fazer um ótimo treino, ser um bom acertador e blá blá blá blá…… mas é só isso!! Nada além disso!!

    A não ser por uma aberração do destino, ou, a Lotus/Renault fizer como a Brawn fez em 2009, ou seja, criar um carro bem à frente da concorrência, ai sim, Nick Heidfeld pode até….veja bem….pode até fazer algo que mude essa sua história de piloto “tampão”, “quebra-galho”, “mister acerto” e coisas assim.

    Um fato a se pensar é, só por exemplo, digamos que a Renault por uma questão de apagar “aquele escândalo”, resolve convocar o Nelsinho Piquet, veja bem, é só uma conjectura, será que não seria até uma forma de pensar no futuro, pois, o Nelsinho Piquet já tem experiência pela equipe, correu na categoria e mostrou potencial. Será que não seria uma solução interessante?

    Ou então, esquecendo do Nelsinho Piquet, o próprio Lucas Di Grassi, será que ele não merecia ocupar o cockpit?

    Mas, ai, em nome de uma “experiência” que nunca chegou a lugar nenhum, a equipe chama o alemão remador (rema, rema, rema e não chega a lugar nenhum!)

    Na minha opinião, tem algo muito além da “experiência” por trás de Nick Heidfeld….alguém ou alguma instituição que o banca, pois, com absoluta certeza, o cara some e quando menos se espera….tá lá o sujeito sendo contratado….sei não…..tem algo nessa história desse alemão que não está muito bem claro e explicado!!!! Não tem a mínima lógica.

  8. nick é o come quieto da F1 a sempre ta la mas ninguem nota assim como era o weber antigamente …

  9. Ricardo disse:

    Capelli, o Heidfeld é o Pupo Moreno da F1, sempre substituindo.

  10. Pedro Jungbluth disse:

    É curioso isso, como ele teve melhores resultados que Kimi na Sauber mas mesmo assim acabou preterido, Ganhou um ano e perdeu outro do Kubica na BMW, mas só citam o que ele perdeu.
    Emfim, um cara que sempre foi rápido e competente, mas nunca teve apoio para aparecer. Nisso se mostra a grande diferença de gerenciamento de carreira.
    Agora, ganha uma vaga num golpe do destino, e isso pode ser seu grande diferencial de carreira.
    Mas não duvido que Kubica reapareça e ele perca o emprego, ficando o lento Petrov com a segunda vaga.

  11. RT @ivancapelli: Ele é alemão e não desiste nunca http://bit.ly/hud5xn

  12. Pasquale disse:

    Bom texto, ainda que você repita “ainda que” pelo menos uma vez por parágrafo.

  13. Elson Rodrigo disse:

    RT @ivancapelli: Ele é alemão e não desiste nunca http://bit.ly/hud5xn

  14. Andrea de Cesaris, por exemplo, correu 208 vezes e não ganhou nenhuma..

    Caso Nick venha a vencer, aí sim, terá sido o piloto que demorou mais GPs para conseguir tal êxito.

  15. Nick Heidfeld: Ele é alemão e não desiste nunca http://migre.me/3WLze #f1

  16. lucastex - f1 disse:

    Ele é alemão e não desiste nunca http://goo.gl/fb/QRWo8 #análises #automobilismo #colunas #história #bmw #jordan #nickheidfeld #prost

  17. Gustavo Lovatto disse:

    Só uma nota sobre 2005: A BMW fez uma pressão imensa na equipe Williams pra que assinassem o Heidfeld, pois o Antônio Pizzonia era o favorito do Patrick Head e Frank Williams

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