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25 de março de 2011 - 15:02Automobilismo, Notícias

Entendendo a asa móvel

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

A grande novidade da temporada 2011 da Fórmula 1, além da chegada de um novo fabricante de pneus, é sem dúvida o recurso de asa traseira móvel. Nos primeiros treinos livres no Albert Park ficou mais claro como o recurso funciona, embora tenha gerado também muitas dúvidas. Então, em forma de “FAQ”, perguntas e respostas capellescas sobre as tais asas móveis que estão estreando. Algumas respostas foram baseadas numa conversa com o piloto reserva da Lotus, o brasileiro Luiz Razia.

Qual o sentido das asas móveis?
Criar mais uma varíavel nas corridas, que permita mais ultrapassagens. Com o aerofólio traseiro posicionado num ângulo mais baixo, o carro ganha velocidade em reta, facilitando manobras de ultrapassagem.

Como funciona?
O carro possui agora um botão no volante, que aciona o dispositivo que movimenta a asa. Quando o piloto pressiona este botão, um mecanismo modifica o ângulo de ataque, gerando menos arrasto aerodinâmico e fazendo o carro ganhar velocidade. Na foto que ilustra o post o funcionamento fica bastante claro. À esquerda, a asa em posição normal. À direita, a asa aberta.

O piloto pode modificar o ângulo da asa quando quiser?
Não. Nos treinos e na classificação, até pode. Mas o sistema só funciona se o piloto estiver com o pé 100% no acelerador. Uma leve retirada de pé já faz com o que a asa retorne à posição original. Na corrida, o sistema funcionará em condições muito especiais, na chamada “zona de ultrapassagem”.

O que é a zona de ultrapassagem?
É um trecho da pista, delimitado pelos organizadores da prova, no qual os pilotos poderão mudar a inclinação da asa durante as corridas. Normalmente, deve ser a reta de chegada, mas isso pode variar em circuitos como o de Shanghai, no qual há uma reta maior e mais apropriada para ultrapassagens que a de chegada.

Então é possível mudar o ângulo da asa quando quiser na reta?
Não. A asa móvel só vai funcionar durante a corrida se o piloto estiver a no máximo um segundo de distância do adversário à frente.

E como isso vai ser medido?
Sensores marcarão a diferença entre os pilotos na curva que antecede a zona de ultrapassagem. Se a distância for suficiente para acionar a asa na zona de ultrapassagem, uma luz se acenderá no volante. Assim, o piloto sabe que pode acionar o mecanismo.

E se um piloto acionar a asa fora da zona de ultrapassagem? Será punido?
Não há esta possibilidade. O mecanismo é controlado pela central eletrônica do carro, distribuída pela FIA e igual em todos os modelos, de todas as equipes. O piloto pode até apertar o botão, mas a asa não vai se recolher.

O piloto da frente poderá recolher a asa móvel para se defender da ultrapassagem?
Não. Como o acionamento do mecanismo só será liberado eletronicamente a quem estiver dentro da margem de 1s atrás do adversário, o piloto da frente não terá direito a utilizar o recurso. A não ser que, lógico, também esteja a menos de 1s de distância de outro piloto. O mecanismo existe para auxiliar o piloto em posição de ataque, não aquele em posição de defesa.

E se houver um problema mecânico e a asa traseira travar na posição mais baixa, o que acontece com o piloto? É desclassificado?
Nem é preciso desclassificar, ele já terá a corrida comprometida. Não terá estabilidade suficiente para fazer as curvas mais lentas e será severamente prejudicado nos tempos de volta. Terá que parar nos boxes para consertar ou abandonar a corrida.

Dá para fazer curvas com a asa recolhida?
Nos treinos, sim, mas só curvas de alta velocidade, feitas “flat”. Até porque, se o piloto tirar o pé do acelerador, o mínimo que seja, a asa volta à posição original. Na corrida, como existe a limitação da zona de ultrapassagem, não é possível acionar a asa móvel em curvas.

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comentários

28 comentários

  1. creusa proença disse:

    legal curti este barato de asa movel

  2. Rômulo Borim disse:

    E a corrida termina com Vettel no lugar mais alto do pódio. Tanta polêmica por causa das asas. Entenda como funciona. http://bit.ly/f6pAeD

  3. RT @humbertobrandao: RT @alankelon: Entendendo a asa móvel do carro de F1 | Dica: é controlada por software http://t.co/QeTBTy3

  4. Sávio disse:

    RT @alankelon: Entendendo a asa móvel do carro de F1 | Dica: é controlada por software http://bit.ly/eQpkMy

  5. RT @alankelon: Entendendo a asa móvel do carro de F1 | Dica: é controlada por software http://t.co/QeTBTy3

  6. Alan Moraes disse:

    Entendendo a asa móvel do carro de F1 | Dica: é controlada por software http://bit.ly/eQpkMy

  7. RT @ivancapelli: Entendendo a asa móvel http://bit.ly/e8mtkz

  8. RT @ivancapelli: Entendendo a asa móvel http://bit.ly/e8mtkz

  9. Carlos Ganhadeiro disse:

    Com as asas móveis, acabou-se o acerto da asa traseira?

    • Lucas R disse:

      Olá Carlos.

      A resposta para a sua pergunta é não. A asa móvel tem apenas duas configurações: ativada e desativada. Não há meio-termo.

      Por isso, o acerto ainda é necessário para definir o ângulo em que a asa ficará quando ela estiver em sua posição normal.

  10. Paulo Gustavo disse:

    #f1 Entenda como funciona a asa móvel com o @ivancapelli. http://t.co/bjPRzVM Ou espere o Galvão explicar tudo errado na hora da corrida.

  11. Paulo Gustavo disse:

    #f1 Aprenda tudo sobre a asa móvel http://t.co/bjPRzVM Um verdadeiro tutorial do @blogdocapelli. Quero só ver o Galvão explicando isso aí.

  12. RT @flaviogomes69: Quer entender a regra das asas móveis? O @ivancapelli explica: http://is.gd/5UuVqn

  13. RT @flaviogomes69: Quer entender a regra das asas móveis? O @ivancapelli explica: http://is.gd/5UuVqn

  14. Flavio Gomes disse:

    Quer entender a regra das asas móveis? O @ivancapelli explica: http://is.gd/5UuVqn

  15. Celso Renato disse:

    Esquema simples de entender a asa móvel dos F1 2011 RT @ivancapelli: Entendendo a asa móvel http://bit.ly/e8mtkz

  16. RT @f1brasil: Entendendo a asa móvel http://migre.me/47dLS #f1

  17. Capelli, muito bom o post, muitos detalhes que eu ainda não sabia.
    Você não acha que vai virar meio covardia? O carro que está atras vai ter muita vantagem. Se o problema era que a turbulência gerada pelo carro da frente desestabilizava o de trás então os dois podendo abrir a asa resolveria o problema. Você não acha?

  18. lucastex - f1 disse:

    Entendendo a asa móvel http://goo.gl/fb/cjhDQ #automobilismo #notícias #gpdaaustrália #luizrazia #regulamento

  19. Entenda as asas traseiras móveis introduzidas na #F1. Respostas no blog do @ivancapelli, com colaboração de @luizrazia. http://is.gd/5UuVqn

  20. Capelli disse:

    Afinal, como diabos funciona a tal asa móvel da F1? Respostas com colaboração de @luizrazia lá no blog: http://is.gd/5UuVqn .

  21. tibúrcio barros disse:

    Prezado Capelli,
    Tudo bem que vc esteve ao longo do ano passado “largado” para este blog e por isso teve o “benefício” de ser excluído da minha lista de favorito. As desculpas foram aceitas, voltei a visitar o blog, mas com este FAQ você ganhou o direito de retomar a minha lista de favorito.

    Realmente ficou muito bom este blog. Eu achava que tinha entendido bem, mas as informações colocadas completou bem. Se me permiti sugerir, talvez vale a pena explorar tecnicamente um pouco mais o tema do KERS, tanto o funcionamento quanto o impacto no planejamento do carro (pesso, aerodinâmica e outros). Quem sabe tenha mais informação que meu conhecimento de leigo não sabe hoje.

    Que tenha uma boa temporada e como diria Cid Moreira, “estamos de olho”.

    Abraços,
    Tibúrcio Barros

  22. Bom post, Ivan.

    Tenho duas coisas a dizer. A primeira é sobre a zona de ultrapassagem. Acho que o ponto escolhido não deveria ser o principal ponto de ultrapassagens do circuito, deveria ser um outro, pois assim haveria a possibilidade de mais ultrapassagens. Em Interlagos, por exemplo, usaria-se a Reta Oposta, pois o S sempre é uma boa oportunidade. Se for utilizado no trecho principal, as ultrapassagens ficarão mais artificiais do que já prometem ser e acontecerão só em um trecho da pista.

    A outra é sobre fazer as curvas com a asa aberta. Como uma tiradinha de pé já faz o mecanismo voltar ao normal, pode acontecer, em uma curva de alta, um acidente forte, pois o carro terá seu equilíbrio completamente alterado no meio da tangência.

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