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7 de fevereiro de 2012 - 12:15Análises, Automobilismo, Novos carros

Tyrrell reloaded

Já há algum tempo venho associando a imagem da decadente Williams à da extinta equipe Tyrrell. Embora o passado da primeira seja bem mais glorioso que o da segunda, são histórias que se assemelham. Ambos times britânicos, tocados por garagistas apaixonados pelo que fazem. Ambos tiveram uma subida meteórica, tornando-se protagonistas da Fórmula 1 e conquistando títulos num intervalo de poucos anos. Porém, algumas decisões erradas – entre elas não se associar fortemente a uma montadora – levaram ambas a uma longa e penosa decadência. A Tyrrell ficou quinze anos sem uma vitória até que fosse finalmente vendida e sua história, encerrada. A Williams já não sabe o que é ganhar há oito anos.

Mas ao ver essa foto do lançamento do FW34 hoje, em Jerez, essa sensação se pronunciou. O carro é azul marinho, carece de um patrocinador principal e tem a terceira pintura diferente em três anos, exatamente como fazia a Tyrrell, que tentava assim resgatar algum tipo de identidade já perdida no tempo. Os macacões meio improvisados, com poucas marcas costuradas de forma irregular, e os dois pilotos – pagantes – também me remeteram definitivamente aos últimos anos da Tyrrell.

Aqui cabe um aparte: piloto pagante sempre houve na Fórmula 1 e não é demérito para ninguém em início de carreira. O problema é quando estes pilotos se perpetuam na categoria sem apresentar nada que lhes justifique o assento além do dinheiro, como foi o caso de Andrea de Cesaris e Pedro Paulo Diniz. Bruno Senna chega, sim, apoiado por dinheiro, mas é a primeira vez que terá uma temporada inteira numa equipe minimamente decente para mostrar seu talento. Merece algum crédito. E Pastor Maldonado tem muito mais má fama do que realmente falta de talento. Ano passado andou várias vezes à frente do experiente Rubens Barrichello. Não merece sofrer tanto bullying. Fim do aparte.

É de uma ironia suprema que Frank Williams, hoje, precise ter em seus carros dois pilotos que não necessariamente sejam escolha sua. Vale lembrar que ele e Patrick Head assumiram o risco de perder os motores Honda no final de 1987 por não aceitarem ter Satoru Nakajima em um de seus cockpits. Um gesto bravo, mas que colocou a equipe em sério risco. E nos últimos anos ambos tiveram que engolir justamente o filho de Nakajima, por “sugestão” da Toyota. Sinal dos tempos.

No lançamento do novo carro, algumas ausências notáveis. Patrick Head, o projetista que copiava (sem deméritos, ele era bom nisso mesmo), deixou o barco no final do ano passado. Sam Michael, diretor técnico, também saiu. Para seu lugar, foi chamado Mike Coughlan – sim, aquele mesmo que andou xerocando umas coisas que não podia da Ferrari e detonou o maior escândalo de espionagem da F1. Resta ver como a equipe vai reagir a tantas mudanças.

No rodapé do grid de largada, a Williams é, hoje, uma caricatura de sua história. O carro é feio, como o regulamento de 2012 requer, e os motores serão Renault. O carro precisa ser bem nascido, pois há poucos testes disponíveis e não há mais a figura experiente de Rubens Barrichello para auxiliar no desenvolvimento. Se começar mal, de última tentativa de ressurreição, a temporada pode virar o último suspiro do time que, no ano passado, amargou a pior temporada desde sua estreia, em 1976.

Olhando o copo meio cheio, dá para concluir que pior do que está, a Williams não fica. Só se fechar as portas.

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comentários

27 comentários

  1. Mario Sérgio disse:

    http://shar.es/fFmZq ” @BSenna disse: “Foram dois dias de testes mais funcionais. Os testes de performance começarão em Barcelona”

  2. João Carlos Bifulco disse:

    Temo que esse Titanic leve o Bruno junto…

  3. Pedro Jungbluth disse:

    Antes um aparte: Tyrrell foi vendida para a BAT (British American Tobacco) que criou a famigerada BAR (British American Racing) que hoje é a Mercedes, depois de ter sido Honda.

    Vale lembrar que a McLaren, apesar da forte aliança com a Mercedes, seguiu a mesma fórmula, garagista e manteve a independência, mas com melhor gestão, e até hoje é uma equipe vitoriosa. Então o problema não é com a fórmula, mas sim com a competência.

    A Willians tem erros históricos de gestão. Lida mal com patrocinadores e com parceiros. Os perde sem pensar direito, em geral por teimosia. Perdeu bons motores no passado por isso (perdeu o Honda depois de ser campeão com ele, quando a BMW criou time próprio romperam, etc) e lida mal com a carreira dos próprios pilotos, ou seja, os queima mesmo (um exemplo recente foi o que fizeram com Hulkemberg), tornando um assento na Willians um lugar nada desejado por campeões. Sem bons relacionamentos, o time perde aqui e lá, aos poucos, até ficar sem recursos. Tudo isso num time com ótima capacidade técnica, o que é uma pena.

  4. Kadu Nogueira disse:

    Tyrrel nada, é Brabham: passado glorioso (e com um brasileiro) cada vez mais distante, carro azul e branco sem patrocinadores, pneus Pirelli e bancarrota marcada pelo fim da parceria com a BMW.

    Uma pena, mas a Williams assinou seu atestado de morte ao aceitar dois nadas para pilotar seus carros esse ano. Acho que o mundo deles realmente acaba em dezembro desse ano.

  5. Anchor disse:

    Tomara que tenha um desempenho melhor que os outros anos. Todos nos pelo jeito torcemos mais pela equipe do que o Bruno Senna.

  6. Abner disse:

    Interessante ressaltar que a Williams não está somente equipada com motor Renault, ela trouxe (e pagou bem por isso) o suporte técnico da montadora p/ auxiliá-los.

  7. MARCELOZ disse:

    Fizeram Roleta Russa com tambor da arma carregado com 6 balas, colocaram um bom motor num carro que se enxerga nitidamente que nasceu ruim igual aos antecessores. E a dupla de pilotos……melhor nem comentar. Williams Down…Dead…tantos adjetivos ruins para uma grande história. A fórmula 1 tá uma merda

  8. Victor Serrão disse:

    Acho que o paralelo entre Tyrrell e Williams não é exatamente apropriado. Ken Tyrrell foi um homem que quis resistir ao tempo, e que perdeu a competitividade já na era do carro-asa. E a Tyrrell resistiu no meio do grid até os anos 1990.

    A Williams abriu capital, e vem se renovando internamente. Tem pilotos pagantes, é verdade, mas não estamos falando de nenhum Ricardo Rossett.

  9. Fabio de Deus disse:

    Acho que, se tivesse algum comprador disposto, a Williams fecharia as portas em no máximo mais 3 anos. O problema é que a crise tá feia pra todo mundo…

  10. Welington Leal disse:

    Patrick Head não era o homem que copiava, mas sim oq aperfeiçoava o invento dos outros.

    A Williams não tem folego financeiro, tentou colocar as ações na bolsa de Frankfurt e não deu certo. Estão mais em baixa doq barriga de cobra.

    Ainda conta com uma boa estrutura, mas o staff tecnico está cada vez pior. Titio Frank não consegue mais segurar bons profissionais nem pela grana e nem pelo prazer de estar na Williams.

    Quem sabe tenham acertado no carro, 2005 foi um ano do cão tb e conseguiram uma melhora nos anos seguintes.

    E pensar que reclamavam do Nico Rosberg.

  11. Eddie disse:

    Só pra constar, quem fazia os xerox na Ferrari se chamava Nigel Stepney.
    O Coughlan aí só recebia o material. haha

    E Barrichello é tão útil no desenvolvimento que o carro do ano passado terminou o ano um foguete né?

    Melhor garantir um dindin a mais pra pagar inveções do que saber o que fazer e não ter um tostão pra colocar isso em prática.

  12. Aderson disse:

    Um bom pressagio para a Williams é que na maioria das vezes que fez parceria com a Renault, sempre apareceram bons resultados para a equipe.
    Que o diga Damon Hill, Jacques Villeneuve, Nigel Mansell e Alain Prost.

  13. Lucas R disse:

    Mais um patrocínio de shampoo?! :P

  14. ALEX disse:

    puta… ta c/ aparencia de fim de grid mesmo.. esses macacões parecem costurados pelas maes dos pilotos e ate a apresentação do time, em frente a um box fechado, um carro feio c/ cores s/ sal nenhum remetendo aos ultimos anos de decadencia… sei não, podemos estar assistindo o fim do fim.. tomara q não.

  15. frank disse:

    cade o logo da empresa do Eike no carro???

  16. Vinícius Lucas disse:

    Dá tristeza ver a Williams desse jeito.

    Pelo menos eles tem um motor bem melhor que o dos últimos anos, mas a dupla de pilotos e o resto do carro são belas incógnitas.

  17. meu deus… o que fizeram com a williams? de volta ao tunel do tempo… LOL

  18. Eugenio Bastos disse:

    Ainda dá tempo de colocar duas rodas extras antes de fechar as portas?

  19. Samir disse:

    Capelli, só acho que a pintura é provisória. Todo ano, a Williams apresenta um carro com a pintura predominantemente azul. Tudo bem que esse tem mais branco que os outros, mas sei lá…

  20. Gonzalez disse:

    Pior fica sim… basta levar tempo da Caterham, aí fica bem pior

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