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22 de abril de 2012 - 13:10Análises, Automobilismo, Curiosidades

De volta ao topo (também)

Tudo bem, eu sei que essa Lotus não é aquela Lotus e tal. É um time meio esquizofrênico, que diz ser Lotus, é de propriedade de um grupo esquisito chamado Genii, tem raízes na Toleman e exibe em seu carro três estrelas pelos títulos de construtores da fábrica de Enstone (Benetton 1995, Renault 2005/2006). Mas o fato é que a equipe está inscrita como Lotus e, para todos os efeitos, é Lotus.

Então, sendo este time a Lotus, o GP do Bahrein hoje confirmou o renascimento do tradicional nome na Fórmula 1. Kimi Raikkonen foi segundo, Romain Grosjean terceiro, e foi a primeira vez em cerca de 24 anos que um piloto de um carro de nome Lotus subiu ao pódio. O último havia sido Nelson Piquet, terceiro no GP da Austrália de 1988. Além disso, a última vez que dois pilotos de uma equipe chamada Lotus haviam subido juntos ao pódio havia sido na Espanha, em 1979, quando Carlos Reutemann chegou em segundo e Mario Andretti, em terceiro, tal qual hoje em Sakhir. Curioso: nas duas situações, nenhuma das Lotus ostentava o preto e dourado que a atual equipe travestida diz se orgulhar. Em 1988, Piquet guiava o carro amarelo dos cigarros Camel. Em 1979, Reutemann e Andretti vestiam verde, o british green, com patrocínio da Martini. Uma bela máquina, aliás.

E foi por pouco que Kimi Raikkonen não venceu a corrida. Largou bem, saltando de 11º para 7º, mas se enrolou numa disputa com Nico Rosberg e acabou perdendo uma posição para Felipe Massa, numa bela ultrapassagem do brasileiro. Precisou remar para recuperar o posto e ali perdeu um tempo precioso. Kimi galgou mais posições, se deu bem por ter um jogo de pneus macios a mais que os demais e apareceu na segunda posição a partir da metade da prova. E, para surpresa geral, com o carro mais rápido de todos.

Calçado com pneus médios, pressionou o líder Vettel, que tinha macios desgastados, mas não conseguiu a ultrapassagem. Após o último pit stop, em igualdade pneumática de condições, não pôde mais exercer a mesma pressão. Ainda assim, chegou muito perto. Não tivesse perdido tempo atrás da Ferrari de Massa no começo da corrida, é provável que tivesse conseguido passar Vettel e a história seria diferente. Mas não foi.

Ainda assim, o resultado foi excepcional, principalmente pelo terceiro lugar de Romain Grosjean, o primeiro pódio francês na Fórmula 1 desde 1998, quando Jean Alesi foi também terceiro no Belgian Bowling F1 GP. Curioso: Grosjean é, na verdade, suíço, nascido em Genebra. Porém, como não há automobilismo na Suíça, corre como francês.

Saldo da história: um francês que não é francês sobe ao pódio com uma Lotus que não é Lotus numa corrida num país politicamente em frangalhos e que finge que está tudo bem. A F1 é, no fim das contas, uma grande farsa.

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comentários

25 comentários

  1. Luis disse:

    Uma dúvida para algum entendido responder…

    O começo do artigo fala que a “Lotus” exibe 3 estrelas pelos campenatos conquistados pela equipe quando era Benetton (1995) e Renault (2005 e 2006).

    Pergunta… E o campeonato da Benetton com o Schumacher em 1994, não conta?

    Abraços a todos.

  2. Mauricio disse:

    Não é farsa, é burlesco.

    Lembra mais Commedy Cops.

  3. Definição perfeita no fim do post

  4. Gerhard Berger disse:

    Capelli, belo texto!

    Gostei de todas as frases, mas especialmente do último parágrafo.

    Não há dúvidas, a Formula 1 é um mundo de ilusões.

  5. Khaw disse:

    Prá uma fórmula 1 que não tinha mais graça nenhuma anos atrás, este ano está o maior barato…

  6. Jonathas Nascimento disse:

    É bom ver uma equipe com o nome Lotus fazendo jus a fama. Não tenho nenhuma dúvida de que Kimi optou pela Lotus por acreditar que poderia ao longo da temporada disputar a ponta.
    O Ice Man me parece muito à vontade na Lotus e ainda acredito que poderá conquistar pelo menos um triunfo nesta temporada. Go Kimi!!!

  7. Gustavo disse:

    Capelli, gosto de acompanhar seus textos pelos aspectos técnicos precisos e curiosidades.
    Acho que pisou na bola ao arriscar um estilo engraçadinho e irreverente. Espero que não seja uma orientação do Grupo Grande Prêmio.
    Desejo-lhe sucesso.

  8. Tomando a atual equipe Lotus como Lotus esses resultados (primeiro pódio duplo desde o GP da Tchecoslováquia de mil novecentos e Nilo Peçanha etc.), fico com uma certa impressão de artificialidade.

    Mas se, ao contrário, compararmos esta Lotus com a Renault dos anos anteriores, que, aliás, é a mesma equipe, enxergamos um padrão bem definido. Em 2010 e 2011, eles conseguiram pódios surpreendentes nas primeiras corridas (eu me lembro de dois em Melbourne, com Kubica e Petrov, respectivamente), e, no decorrer do ano, foram sugados pelo meio do pelotão.

    Será interessante ver se a Lotus se manterá competitiva ou se vai padecer, a exemplo de sua antecessora, dessa obsolescência precoce.

    A título de coincidência, esse padrão de um carro bem nascido, mas que não acompanhava a a evolução da concorrência, era muito, mas muito comum de se verificar com os carros de Gérard Ducarouge, que projetou Ligiers e… Lotus nos anos 80.

  9. Victor Serrão disse:

    Capelli, gostaria de te sugerir uma pauta. De repente você já até abordou isso, mas o que acha de falar da origem das atuais equipes? Red Bull vindo da Stewart, Lotus vindo da Toleman, Force India da Jordan, Mercedes da Tyrrell… E por aí vai. Seria legal, não?

  10. Victor disse:

    Primeiro podium de um Suiço na F1?

  11. diogo c. disse:

    Se tem uma coisa que não é farsa é a pilotagem do Kimi. Nem parece que ele parou.

  12. Luiz Aguiar disse:

    A Suíça já teve circuito na Fórmula 1 e era lindíssimo nos anos 50, por sinal há muita gente que sei que lamente por não ter corrida lá..

  13. MTP disse:

    Se eu não me engano, Grosjean é filho de francês que nasceu na Suíça e, na hora de optar pela nacionalidade, optou pela francesa.

  14. Vinícius Lucas disse:

    O Galvão na transmissão toda hora falava dessa Lotus como se fosse aquela Lotus, achei idiotice comparar e ligar a história das 2.

  15. Laysson disse:

    O apelido Circo da F1 ganha contornos literais.

  16. Ué Capelli, mas o Buemi não corria como suiço? Não haver automobilismo na Suiça não deve ser o motivo.

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