MENU

15 de abril de 2012 - 6:43Análises, Automobilismo

Pneus foram a chave para a vitória

Nico Rosberg é alvo de muitas brincadeiras por seu jeito um tanto andrógino. Sua delicadeza e traços femininos renderam-lhe até um maldoso apelido de “Britney” entre seus colegas pilotos. Mas, ironicamente, foi justamente uma condução delicada que lhe garantiu hoje, em Xangai, sua primeira vitória na Fórmula 1.

Apesar da pole position, foi sim uma vitória surpreendente. A Mercedes destacou-se nas duas primeiras corridas do ano por ser um carro rápido, mas indócil com os pneus. Em poucas voltas, a borracha ia para o espaço, fazendo Rosberg e Schumacher se arrastarem pela pista. Imaginava-se que o mesmo aconteceria hoje no GP da China. Ledo engano.

Partindo da pole, Nico Rosberg disparou na frente e manteve um ritmo de corrida competitivo e estável. Enquanto seus principais rivais – leia-se a McLaren – apostaram em uma estratégia de três paradas para troca de pneus, incrivelmente o W03 papa-pneus aguentou apenas dois pit stops e foi dominante do início ao fim. E a dobradinha só não aconteceu por causa de um erro do famoso “homem do pirulito”, que liberou Michael Schumacher de seu primeiro pit stop antes que o pneu dianteiro direito fosse devidamente aparafusado. O mecânico responsável surtou, gesticulou, bateu as mãos no chão e de nada adiantou. Schumacher voltou para a pista apenas para abandonar algumas curvas depois. O que a Mercedes descobriu nestas duas semanas em que a Fórmula 1 voltou para a Europa, não se sabe. Mas a solução do problema crônico de desgaste de pneus coloca a equipe alemã entre as favoritas para as próximas corridas.

A única real ameaça a Nico Rosberg na corrida partiu de Jenson Button, que fez três paradas e chegou a assumir a liderança da corrida em um intervalo de pit stops. Porém, a McLaren fez bobagem em sua segunda parada, acabando com suas chances. Ainda assim, a minha aposta é que Nico venceria da mesma forma, talvez com apenas um pouco menos de facilidade.

Outros pilotos também arriscaram uma estratégia de apenas duas paradas, mas sem o mesmo sucesso. Kimi Raikkonen, com a Lotus, foi segundo colocado o tempo todo, mas ficou completamente sem pneus nas últimas voltas e despencou para 14º. Felipe Massa foi outro, apareceu bem mas acabou apenas em 13º. Porém, um adendo: chegou apenas cinco segundos atrás de Fernando Alonso, que parou três vezes e terminou em nono. A Ferrari é uma draga, não deu para fazer milagre, e é possível classificar a corrida de Felipe hoje como aceitável. Não foi um resultado satisfatório, longe disso, mas mostrou uma certa recuperação do piloto brasileiro. Não foi um fiasco como nas últimas provas.

A Red Bull apostou em uma estratégia para cada piloto. Webber parou três vezes e chegou em quarto, ultrapassando Vettel no finalzinho numa briga emocionante. Embora tenha perdido para o companheiro, o resultado do atual bicampeão não foi de todo ruim. Partiu mal, despencou de 11º para 14º, mas na base da estratégia chegou a aparecer em segundo no final da corrida. Porém, como Kimi, ficou sem borracha no fim e foi perdendo posições.

O GP da China foi uma corrida aborrecida no começo, mas com boas brigas no final. Porém, tudo devido aos pneus Pirelli e seu rendimento instável. Daqui a algumas provas, quando as equipes entenderem melhor o comportamento dos compostos, as surpresas e diferentes estratégias acabarão. O que é uma pena. Hoje a emoção da F1 é absolutamente dependente da ignorância das equipes com relação aos pneus. Quando tudo estiver dominado, o tédio tomará conta e dificilmente teremos resultados como estes das primeiras provas, com três diferentes vencedores de três equipes diferentes.

Comentários do Facebook

comentários

10 comentários

  1. Pneus disse:

    Em alguns momentos não é tão bom dominar um determinado assunto ou objeto, acaba perdendo a graça. Foram três provas e três vencedores diferentes, no entanto, a Renault já leva a melhor disparadamente entre o ranking dos construtores. Além de ocupar a primeira colocação com a Red Bull, o motor francês também está em terceiro com a Lotus.

  2. [...] Ivan Capelli: emoção tende a diminuir quando as equipes dominarem os pneus [...]

  3. Steven disse:

    curioso que tirando os times mais novatos, o massa é o único sem pontos…

  4. Erick Breder disse:

    Lógico que a Mercedes surpreendeu.. longe de mim discordar.

    Mas creio que além do carro competitivo nessa corrida, e a questão do carro não ter gasto tanto pneu quando nas duas corridas anteriores, não são os principais fatores da vitória, apenas.

    Primeiro, foi o erro no pitstop de Button. Isso fez com que ele saísse no meio do pelotão após seu pit, e ali perdeu muito tempo. O outro fator, foi exatamente este, estar no pelotão, e atrás de Massa (sem querer criticar o brasileiro). Mas ele segurou muita gente.

    Enquanto Button poderia andar proximo de 1:40, naquele momento da prova (ainda mais de pneus novos), Massa com carro mais lento e pneu gasto estava girando a 1:43. Isso fez toda a diferença. E foi benéfico até para Bruno Senna… que certo momento estava 5 ou 6 segundos atrás daquele pelotão que se formou. E andando na casa de 1:42.. 1:41 alto… chegou nesse grupo da frente.

    Agora.. sobre a questão da Mercedes ter descoberto como não degradar tanto os pneus. Acredito que temos que ver como o carro se comportará nas próximas corridas. A principio o GP da China teve uma temperatura muito mais branda que a de costume, e menor ainda que as encontradas em provas anteriores.

    E isso para um carro que gasta muito pneu, esse tipo de clima pode ser satisfatório, já que normalmente o pneu aqueceria mais que os demais, e com a pista mais fria, ele não passaria da temperatura ideal, enquanto para quem consome pouca borracha, pode ser ruim, já que ao contrário, o pneu não aquece tanto, perdendo em aderência.

  5. Raphael Mendes disse:

    Reitero o que disse em outros blogs…o ritmo de corrida do Alonso foi igual ao de Webber e das Mclaren. Ele estava grudado em Hamilton depois do 3o pit stop. Se não fosse o erro ao tentar ultrapassar o Maldonado (no qual perdeu uns 5s e foi para 10o) ele teria brigado pela 4a posição com o Webber. O maior problema da Ferrari é a classificação. Ficar largando de nono trás esse tipo de dificuldade, vai estar sempre remando lá de trás e por isso se metendo em brigas com carros competitivos e que tentam estratégias de uma parada a menos.

    • Lucas disse:

      Andar bem momentaneamente é completamente diferente de “ter bom ritmo de corrida”. Embora por alguns (parcos) momentos o Alonso conseguia andar num ritmo razoável, na maior parte da corrida a velocidade da Ferrari era muitíssimo mais baixa que a dos outros carros. E mesmo quando rende melhor ainda está anos-luz atrás dos demais – basta ver a lista de melhor voltas e ver que onze pilotos conseguiram fazer uma volta melhor que a do Alonso, que estava nada menos que 1.1s atrás da mais rápida da corrida (diferenças enormes também foram vistas na Austrália e também no finalzinho da Malásia – foi só a pista começar a secar que todo aquele pessoal atrás dele conseguiu ser bem mais rápido e ele terminou com uma melhor volta que era 0.9s mais lenta que a melhor daquela corrida). A Ferrari é um carro ruim de classificação, ruim de ritmo de corrida e ruim de consumo de pneus, e a não ser que chova cântaros de novo, o Alonso vai ficar brigando por merreca enquanto o Massa vai sofrer até pra entrar na zona de pontuação.

  6. Lucas Rodrigo disse:

    Foi uma vitória tão surpreendente quanto a pole. Eu achava que as Mercedes não aguentariam muito tempo na frente, mas a corrida mostrou que a possibilidade dos dois pilotos dos carros prateados terminarem no pódium era real.

    Rosberg, nesse fim de semana, parece ter captado alguma particularidade sobre a pista que ninguém mais captou. Aquele tempo absurdo da pole e a vantagem que ele rapidamente abriu logo no início da prova, mostra que ele conseguiu tirar mais do carro do que os demais.

    O erro na parada do Button foi no mínimo brochante. Aquilo facilitou demais a vida do alemão. Seria mais emocionante se ele tivesse que defender a sua posição nas voltas finais da corrida.

    Legal mesmo foi ver a expressão do pessoal da equipe após a vitória: pareciam não acreditar que estavam vivendo aquele momento. Era bem provável que esperavam que seria Schumacher o primeiro a conseguir a primeira vitória pós-2010 da equipe.

    • Zé Fini disse:

      Verdade, mas eu ainda acho que se Button tivesse ali perturbando ele, ele não seguraria o Jenson não. Ou se Button usasse a mesma estratégia de duas paradas só, já que ele tbm conduz economizando pneus, poderia ter tirado essa vitória de Rosberg.

      No entanto, Nico e a Mercedes surpreenderam positivamente. E se a equipe resolveu o problema do consumo excessivo de pneus, azar de RedBull e Ferrari, que além da McLaren, terão que se preocupar com a Mercedes tbm.

  7. Richard disse:

    Esquecesse de comentar a atuação do Bruno Senna, apesar de ter aparecido pouco acho que foi o piloto que mais ganhou posições na prova.

  8. Ainda tem Montreal e Spa para salvar o restante da temporada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>