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1 de maio de 2012 - 17:33Análises, Colunas, História

Coluna de hoje – O 11 de setembro da F1

Completam-se hoje 18 anos de um dos dias mais sombrios de toda a história da F1. Dado o ineditismo e a sequência de desastres que marcaram aquele final de semana em Imola, é possível traçar um paralelo com os atentados de 11 de setembro de 2001. Os dois eventos macabros que foram transmitidos ao vivo para todo o mundo marcaram a história de forma irremediável: a organização política do planeta nunca mais foi a mesma depois que os aviões sequestrados atingiram as torres do World Trade Center e o Pentágono, assim como a F1 nunca mais foi a mesma depois que Roland Ratzenberger e Ayrton Senna encontraram a morte junto aos muros do autódromo italiano.

Porém, diferentemente dos atentados terroristas aos Estados Unidos, no caso do GP de San Marino de 1994 não é possível apontar culpados. Na época falava-se muito no regulamento e até hoje há quem repita que “o regulamento deixou os carros instáveis”, “os pilotos tinham medo de guiar” ou que “a velocidade aumentou e a falta da eletrônica deixou os pilotos reféns de verdadeiras cadeiras-elétricas”. Uma imensa bobagem. De fato, a retirada das assistências aos pilotos em fins de 1993 (suspensão ativa, controle de tração e freios ABS) tornou mesmo os carros mais ariscos e o resultado foi uma temporada com mais acidentes. Porém, nenhuma das fatalidades de Imola se deveram a isso.

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comentários

31 comentários

  1. Marcos Gonçalves disse:

    Realmente Capelli. O seu texto foi o melhor dentre os blogs que comentaram o 1º de maio. Estarei por aqui com mais frequência, a partir de agora, já que o Flavio Gomes me baniu do blog dele por eu te-lo comparado com um certo jornalista que trabalhava na Veja, eheheeh.

  2. Lucas R disse:

    Belo texto, Capelli.

    Ele me lembrou a coluna “Idades da F1″, de autoria de Jefferson Reinholds, publicada no GP Total em janeiro de 2007: http://www.gptotal.com.br/2005/Leitores/Help/20070124.asp

  3. Daniel Pescadinha disse:

    Acho um exagero enorme comparar o 1º de maio de 1994 com 11 de setembro de 2001. Ok. Foi uma catástrofe na F1 e para os fãs brasileiro (que sem hipocrisia, aumentaram exponencialmente depois da moret dele. Antes era longe de ser uma unanimidade, tinha muita, mas muita gente que achava que o Piquet sim era o melhor brasileiro que passou pela F1, hoje é raro ouvir alguém diser isso. Só dá Senna. Virou Santo, intocável, incriticável, modelo de perfeição. Só porque morreu…). Além disso o atentado em NY, esse sim, uma catástrofe mundial, seja verdadeiro ou fabricado (sim, há quem diga que foi planejado pelo prórpio EUA para justificar ações no Oriênte Médio, mas isso não vem ao caso), matou milhares de pessoas que não estavam lá deliberadamente arriscando sua vida por fama e fortuna (ou pro prazer, que seja), e direta ou indiretamente, afetou o dia-a-dia de milhões (talvez bilhões de pessoas). Acho que o acidente do Ayrton está mais para a morte do Dan Wheldon (que não nos tocou tanto pelo simples fao do cara não ser brasileiro) que uma tragédia com as proporções das torres gêmeas.

    • Capelli disse:

      O paralelo é entre o impacto que o 11 de setembro causou no mundo e o impacto que o fim de semana em Imola causou na F1. É o macro versus o microcosmos. É óbvio que, se comparados, o atentado terrorista foi muito mais grave e impactante.

      • Daniel Pescadinha disse:

        Entendi o paralelo, mas mesmo assim acho exagero… Não acho que F1 mudou tanto com a morte do Senna, quanto como o mundo – e mais ainda os EUA – mudaram depois dos atentados. De qualquer forma é só uma opinião. Muitos concordarão contigo, outros comigo, e é justamente isso que jaz o mundo ser bacana, não é? Abraço!

  4. Sérgio Balbino disse:

    Malandro, mas como escreve bobagens nos comentários…

    Capelli, sua coluna foi a melhor de todas no que se refere ao 01 de maio… Parabéns!

  5. Gerhard Berger disse:

    Excelente texto!

    Acho que é da natureza humana buscar explicação para um acidente, buscando um culpado, alguém ou alguma coisa que possamos direcionar nosso sofrimento de perda.

    A morte de Senna e Ratzemberger foram os mais puros acidentes, estúpidos e inimagináveis que poderia acontecer…..Como ninguém lida bem com isso, culparam a Williams, a FIA, a FOCA, Bernie Ecclestone, Mosley, o regulamento, a competitividade, o Schumacher, Patrick Head….alguém tem que ser punido por um acidente que tira uma vida e nos faz sofrer.

    O acaso não é uma explicação aceitável para o ser humano.

    A melhor explicação, em minha opinião, veio de Piquet, com sua habitual simplicidade, no mesmo dia.

    “A Bruxa tá solta na F1″

    Somente um grande karma coletivo naquele momento em ímola poderia explicar tantos acidentes graves repentinamente.

  6. Fabiano Regra disse:

    Meus parabéns!

    Deu “gosto” de ler o seu texto!

  7. ALEX disse:

    perfeito o titulo da matéria..

  8. José Carlos P de Almeida disse:

    Capelli

    Jochen Rindt foi campeão já morto, graças a Emerson Fittipaldi.

  9. Fabio disse:

    Capelli, me permita concordar com um ponto e discordar de outro. A morte do Ratzemberger realmente parece não ter muita relação com a mudança de regulamento. A Simtek era uma equipe mambembe, e provavelmente em nada ou muito pouco foi afetada com o banimento de aparatos eletrônicos. Por conta dessa falta de recursos, provavelmente a asa se soltou, numa curva de alta e aí a tragédia aconteceu.

    Já o acidente do Senna, apesar de teórica e tecnicamente não envolver nenhum dos itens banidos pelo regulamento, foi resultado da busca da Williams por uma competitividade que lhe foi tirada através da canetada. Com um piloto altamente exigente em termos de performance, e vendo os resultados pífios de seu equipamento, a equipe tentou soluções mirabolantes, comprometendo a qualidade construtiva de seu carro. Fora que, se a fadiga da barra de direção foi causada, por exemplo, por excessiva trepidação da mesma, era algo que não ocorreria com a suspensão ativa, por exemplo. Concorda?

    • Capelli disse:

      Concordo, mas aí as relações de causa e consequência estão distantes. Como disse no texto, a mudança de regulamento serve como pano de fundo, mas não explica nada.

      • mauricio disse:

        Vale lembrar que o “remendo” na barra de direção da Williams de Senna não tinha nada a ver com a perda de performance devido às proibições técnicas, mas sim à falta de espaço no cockpit.

  10. Mauricio disse:

    Infelizmente Capelli, a mudança no regulamento influiu e muito para os acidentes naquele ano.
    A fatalidade foram todos eles terem acontecido todos num único fim de semana.
    Como influiu?
    Simples, as equipes começaram a reduzir o peso dos carros para aumentar a velocidade. O que era uma barbaridade. O caso do carro do Senna foi um assinte! A barra de direção quebrou por que estava muito fina, muito além do limite do que seria o aceitável. Esitem vídeos da época que mostram o Senna muito preocupado com esse fato.
    O fato de não haverem culpados até hoje indica apenas que a maioria deles são pessoas tão fortes e influêntes no meio que não podem ou não devem ser punidas.
    Saca aquele medo de que tudo pode acabar se fulano de tal não estiver aqui?
    Pois é né.

    • Capelli disse:

      O regulamento, há muito tempo, prevê peso mínimo para os carros. Logo, concluir que “as equipes reduziram o peso para aumentar velocidade” não faz sentido algum.

  11. Murilo disse:

    Aquele velho ditador chamado Ballestre, presidente da FIA na epoca, deixou a Williams e seus aparatos eletronicos funcionarem livremente em 92 e 93.
    E justamente quando Senna mudou-se para a equipe, a FIA proibe todas as vantagens que a Williams tinha.
    Porque ele não fez isso apos 1992?
    Claro, seu amigo Alan Prost iria correr pela Williams em 1993 e ae tudo bem, tá liberado.
    Mas quando foi a vez do Senna, tá tudo proibido.

    Por isso eu digo que de certa forma, Ballestre contribuiu para a morte de Senna.

    Será que tendo todas as vantagens eletronicas, Senna e a Williams estariam naquela situação dramatica?
    Ayrton estaria pressionado na busca por vitorias?
    Haveria a necessidade de mexer na barra de direção?

    Fica essas duvidas. Fica a grande saudade do Ayrton nas pistas.
    Fica a curiosidade de saber o que ele teria conseguido a mais na sua carreira e o que estaria fazendo hoje.

    Será que o Schumacher seria Heptcampeão atualmente?

    • Mauricio disse:

      Não seria, teria dividido pelomenos a metade dos titulos com Senna e outros talentos que viriam.

    • Capelli disse:

      Nada a ver. No começo da temporada de 1993 já tinha ficado decidido o banimento da eletrônica a partir de 1994. Além disso, Balestre saiu da presidência da FIA em 1991, já não tinha mais nada a ver com o pato.

  12. cristian daniel disse:

    meu caro capelli…

    exelente, exelente coluna …
    muito boa msmo…
    abraco a todos…

  13. Rodrigo CPQ disse:

    O pior é que nesse dia, o Correio Popular aqui de Campinas publicou uma charge, com a Morte na linha de chegada, segurando a foice com a bandeira quadriculada. Prestes a cruzar a linha, as caricaturas de Senna e Schumacher. Ainda tenho esse jornal aqui. Até hoje não sei dizer se o cara tinha o dom de fazer previsões ou tinha um extremo mal gosto.

  14. Carlos disse:

    Não foi a barra de suspensão que causou o acidente do Senna…

  15. Vinícius Lucas disse:

    Boa coluna Capelli.

    Hoje vi postarem por aí os vídeos do Nelson Piquet em 2/5/94 no Roda Viva, ele disse que na Tamburello só dava para bater se fosse falha do carro, e que mesmo que tivesse barra de pneus ou a área de escape aumentasse, não teria como evitar o acidente.

    Uma pena que isso fez os Tilkódromos nascerem.

    Ah, e antes que eu me esqueça, tem um pequeno bug no site do Grande Prêmio, se eu vou na seção da Indy ou da F1, as últimas notícias que aparecem são do dia 26.

  16. Stanis disse:

    Capelli, suponhamos que a legislação italiana fosse respeitada e a corrida fosse cancelada após a confirmação (na pista) da morte de Senna…..O resultado oficial da prova seria a última passagem pela última volta completa (número 6) e Senna, mesmo morto, venceria a prova???

    Pensei nisso esses dias,…seria bem surreal um morto ganhando a prova.

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