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27 de maio de 2012 - 22:01Análises, Automobilismo

From hero to zero

Pastor Maldonado virou a sensação da Fórmula 1 duas semanas atrás. Primeiro venezuelano a ganhar na categoria, deu um show em Barcelona, pilotou como um veterano e recolocou a Williams no alto do pódio. Chegou em Mônaco cercado de mimos e atenções, havendo inclusive quem cogitasse uma nova vitória no principado. Afinal, havia guiado muito bem lá ano passado e só não marcou um impressionante sexto lugar por ter sido abalroado por Lewis Hamilton nas voltas finais. Um bom resultado seria lógico.

Mas não foi bem o que aconteceu. O fim de semana de Maldonado foi de principiante, para não dizer coisa pior. Bateu duas vezes nos treinos livres e ainda causou uma colisão boba com Sergio Perez que lhe rendeu uma punição de dez posições no grid. Um pouco exagerada, mas tá no regulamento. Então, que se cumpra.

Já que sairia lá da rabeira mesmo, a Williams decidiu trocar sua caixa de câmbio. Com isso, caiu para último do grid. Mas, mesmo assim, ainda poderia fazer uma boa corrida, se não colocasse tudo a perder. Mas Maldonado colocou. Logo na largada, bateu na traseira da HRT de Pedro de la Rosa e eliminou os dois da corrida. Um desfecho condizente com a tônica do final de semana.

Isso significa que Maldonado é um braço-duro, piloto pagante, que não sabe o que está fazendo na F1? Não. Assim como a vitória na Espanha também não significava a ascensão de um futuro campeão. Pastor é bom, mas faz bobagem. Algo perfeitamente aceitável para um piloto que está apenas em seu segundo ano na categoria. Maldonado é isso, garantia de show. Faz coisas excepcionais, mas faz bobagens homéricas. Nigel Mansell – ainda que mais piloto – fazia coisas parecidas e hoje é reverenciado por ter sido o showman da F1 nos anos 80 e 90.

Então pessoal, sem pedradas desnecessárias. É bom curtir o nosso showman enquanto é tempo. No futuro, vamos acabar sentindo falta dele.

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21 comentários

  1. Fernando Cruz disse:

    Devemos comparar o que é comparável. Claro que Nigel Mansell foi um piloto de uma dimensão que o Maldonado poderá não atingir. Mas na sua segunda época o venezuelano já fez mais do que o inglês no confronto com os colegas de equipa. Mansell era normalmente batido por Elio de Angelis na Lotus e só em 1984, na sua quarta temporada completa, conseguiu inverter essa tendência. Maldonado conseguiu logo na época de estreia andar ao nível de um piloto como Barrichello e na sua segunda temporada está naturalmente mais forte, até agora quase imbatível nas qualificações. Além disso venceu na primeira ocasião em que teve um carro ao nível dos melhores, algo que não aconteceu nem com Mansell nem com muitos pilotos que vieram a tornar-se campeões mais tarde.

  2. Sandro Marques disse:

    Deixa o Maldonado errar e acertar a vontade. Fazem falta pilotos deste estilo. Tudo bem que dificilmente vamos ter o prazer de ver um novo Mansell, mesmo assim é melhor que a monotonia que ainda é muito recorrente na F1.
    Ainda sinto falta das loucuras do Montoya, um dos poucos que o Schumacher respeitava.
    Só um comentário. Nada de sangue como disse alguém aí em cima, que as emoções sejam somente por conta do espetáculo proporcionado.

  3. Jonas Pires disse:

    Discordo. O Maldonado estava indo bem, quando deram uma punição esdrúxula para ele. Largando no fundo, ele não teve culpa na batida (veja a on-board no youtube). O De La Rosa freiou muito forte em razão do acidente do Grosjean (cujo culpado foi o Alonso, mas ninguém fala isso – veja a on-board no youtube também) e o Maldonado acertou a traseira dele pois não tinha como desviar nas ruas apertadas de Mônaco.

  4. degelo disse:

    todos tem que falar o duro é ter a capacidade deles que mordam os cotovelos e parem
    de cecar os outros e de valor a nossos brasileiros abraços a quem tem competência
    que “DEUS os abençoe.

  5. J. Amorim disse:

    Concordo com Gilles, essa porra tem q bater, arrancar posições na marra, fica numa viadagem do carai pra passar.

  6. Tiago disse:

    “tapa com luvas de pelica”
    hahaha

    Grande Maldonado, voltou ao normal.

  7. gilles disse:

    Nesse mundo do politicamente correto, onde tudo e proibido, acho que tem muita gente ainda que gosta de um piloto porra-louca como Villeneuve, Peterson, Pironi, Scheckter, a lista vai longe, assistir a corrida para ver um trenzinho de carros nao da. Vamos torce para o KOBA SAM, MALDONADO, HAMILTON, PEREZ. Abraços.

  8. Venom disse:

    Talvez o que mais espante em Maldonado seja sua mudança de humor. Quando venceu, uma fleuma quase britânica. Mais calmo que muitas vitórias de Vettel. Mas saiu em ultimo em Monaco e achou que estava de passeio no parque e ia ganhar 5 posicoes por volta?

  9. Marques disse:

    Perez, Koba e o Hamilton quando vem do fim do grid são muito mais “showmans” de que o Maldonado. É um bom piloto, só.

  10. Felipe Fugazi disse:

    O Galvão é um que deve achar (a amar, adorar, vibrar) que o Maldonado é “From Hero to Zero”.
    Não aceita, admite, engole a vitória do venezuelano (e não do senninha), e fica marcando/secando o rapaz.
    E não seca só ele, mas também o Grosjean.
    Esconde as falhas dos brazucas, não menciona que o Alonso é líder do campeonato com aquela draga chamada Ferrari, que o Maldonado ganhou a primeira corrida da Williams em 8 anos, etc;
    Quanto ao Maldonado já que ele é o assunto do post; é normal o piloto iniciante ser agressivo, ele vem de categorias onde é matar ou morrer.
    Quem ganha vai pra próxima etapa (F-3, WSbR, GP2) e quem não ganha fica pelo caminho, pra engrossar o grid da Stock Crash, WTCC, etc;
    Quando chega na F1, demora um pouco a entender que pra ganhar, tem que administrar a brincadeira.
    É o que Hamilton está fazendo esse ano, tanto é que já está dominando o Button, que já era uma especie de “novo Prost” (minimalista, ultra-técnico, refinado, etc;) na visão dos globais.

  11. Fernando Cruz disse:

    Quanto ao “from hero to zero” do Maldonado convém lembrar que o venezuelano apanhou tráfego no Q3, caso contrário teria feito um tempo melhor do que fez. Claro que já estava tudo estragado pelas penalizações (10 lugares pelo toque no Perez e 5 lugares por causa da mudança da caixa após erro na curva do Casino). Na corrida o de la Rosa travou mais cedo do que o normal e Maldonado foi surpreendido. São coisas que acontecem quando há um acidente na largada e não foi necessariamente um erro do piloto. Para muitos nem o Grosjean errou, simplesmente viu-se subitamente apertado entre Alonso (que lhe deu um toque) e Schumacher (para onde foi atirado). Mas é verdade que já é a terceira vez que o francês fica de fora logo no início da corrida. Comparado com ele Maldonado tem errado menos.

  12. Erick Breder disse:

    Na questão Showman… prefiro o Kobaiashi. Até porque o Koba geralmente dá show fazendo ultrapassagens ousadas e não batendo. Não to falando que o Kobayashi não bate, mas o número de “espetáculos” é a favor e não contra.

    Já o Maldonado faz muita é bobagem mesmo e nem é tão ousado nas ultrapassagens assim.

    E aproveitando que tocamos no assunto Maldonado, acho que a Williams precisa melhorar alguns pontos. O carro (viva!) é bem melhor que em anos anteriores, mas eles continuam pecando em estratégia… e aí.. se vê com um carro muito bom, não entregando todos os resultados que poderia.

    Em mônaco erraram d+ na estratégia com Bruno. Podiam escolher parar antes ou depois de Kimi, que era muito mais lento que todas as equipes intermediárias, e resolveu levar o Bruno aos boxes junto com o Kimi, para ele voltar atrás dele, sabendo-se que em Mônaco é praticamente impossível passar.

    • Diego Queiroz disse:

      A culpa é sempre dos outros quando se trata de Bruno Senna.

      • Fernando Cruz disse:

        A Williams errou logo no FP3, preparando a corrida (com o carro mais pesado) numa sessão que serve para preparar a qualificação. Pior ainda por ser no Mónaco, onde seria fundamental os pilotos treinarem mais voltas agressivas em condições de qualificação e onde a posição de partida é muito mais importante do que o ritmo de corrida. Qual o interesse em ter um carro rápido quando se parte tão atrás numa pista onde não se consegue ultrapassar? Os erros de Maldonado nos treinos livres também foram em parte o resultado dessa estranha opção da equipa. Só nos últimos instantes do FP3 os pilotos tentaram voltas rápidas em configuração de qualificação e nessa altura havia muito tráfego. O carro poderia lutar nas primeiras posições, os erros da equipa e dos pilotos deitaram tudo a perder. Depois, na corrida, Bruno Senna era muito mais rápido do que Raikkonen. Não teria sido melhor deixar o brasileiro fazer mais umas voltas com pista livre após a troca de pneus dos seus adversários diretos? Acho que faltou ousadia na estratégia, o Bruno tinha condições para terminar em sétimo, na frente do Paul di Resta.

      • Erick Breder disse:

        Não é questão de culpa é dos outros no caso do Bruno Senna.
        A Williams já vinha errando na estratégia desde o ano passado, com Maldonado e Barrichello. (só que com aquela carroça, não fazia muita diferença, errar ou não)
        O que quis colocar, é que esse ano eles tem um carro muito melhor que nos últimos anos, com possibilidade de brigar mais na frente, só que continuam errando na estratégia.
        Ou seja, melhoraram num ponto (o carro), mas precisam melhorar em outros.
        Só ver, que tem carros piores que a Williams, conquistando posições interessantes em uma e outra corrida.
        Como o colega abaixo falou, ele poderia ter sido sétimo. O Di Resta que estava atrás de Kimi, Hulkbenberg e do próprio Bruno Senna, fez a estratégia correta e ganhou a posição dos três em sua parada no box.

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