MENU

24 de junho de 2012 - 12:35Análises, Automobilismo

Não tem pra ninguém

Que Fernando Alonso está entre os melhores pilotos da atual geração da Fórmula 1, não há dúvidas. O que fica em discussão é se ele é mesmo o melhor ou se Sebastian Vettel e, quem sabe, Lewis Hamilton, não são capazes de batê-lo. Mas a julgar por tudo que se viu hoje em Valência, não há muito o que argumentar. Alonso é um gênio, dos maiores da Fórmula 1, e o grande cara em atividade.

Apesar de correr em casa, tudo conspirava contra o espanhol hoje. A Ferrari não foi bem na classificação e ele sairia apenas em 11º, sendo que havia gasto dois jogos de pneus macios na tentativa desesperada de largar melhor, o que prejudicaria sua estratégia para a prova. Além disso, no circuito portuário de Valência as ultrapassagens são difíceis, para não dizer impossíveis. Com dificuldades de ultrapassar e com a estratégia prejudicada, suas chances na corrida eram ínfimas. Antes da largada, o próprio piloto admitia que estava fora do pódio e que brigava para apenas fazer alguns pontos. Era uma corrida de administração de perdas.

Porém, quando se tem um talento muito acima da média, as coisas podem fugir do script de uma forma maravilhosa. E foi o que aconteceu hoje no GP da Europa. Fernando Alonso conquistou uma vitória maiúscula, talvez a mais espetacular de sua já longa carreira, que teve todos os elementos de uma grande conquista: boa estratégia, desempenho sensacional em pista, ultrapassagens antológicas, timing perfeito, e uma ajudinha da famosa sorte dos campeões. Como diz a máxima de Thomas Jefferson: “quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho”. Alonso trabalha e a sorte lhe sorri.

Já na largada, ganhou três posições, passando Jenson Button, Nico Rosberg e Paul di Resta. Em oitavo, foi subindo na classificação conforme as paradas de box aconteciam. Parou mais tarde, fez boas voltas, e a Ferrari ainda fez um ótimo trabalho no pit stop, o deixando numa virtual quarta posição. Porém, voltou no meio do tráfego dos carros que ainda não tinham trocado pneus e ali poderia perder um tempo precioso. Mas foi este o primeiro momento de genialidade do espanhol no dia, que um a um foi escalando o pelotão dos pilotos descalços. Em duas voltas, passou por Mark Webber, Bruno Senna e Michael Schumacher. Todas ultrapassagens difíceis, certeiras, limpas, numa pista em que apenas tentar a ultrapassagem é quase um ato heróico. A maioria das tentativas acabaram em esfregões, toques ou beijos no muro. As de Alonso foram precisas, milimétricas.

Assim, espetacular, confirmou a quarta posição, o que deveria ser seu posto final na prova. Não havia como ansiar nada muito melhor, com Sebastian Vettel liderando com mais de 20s de vantagem e com Romain Grosjean e Lewis Hamilton consolidados em suas posições. E foi aí que agiu o imponderável. Lá no pelotão de trás, Jean-Eric Vergne teve uma espécie de desinteria mental e atingiu a Caterham de Heikki Kovalainen. A pista ficou uma sujeirada só e uma intervenção do Safety Car foi necessária, levando todo mundo para os boxes e embolando a corrida.

Neste instante, Alonso teve sorte e talento. Sorte pela milésima cagada da McLaren num pit stop nesta temporada, que fez com que Lewis Hamilton perdesse o terceiro lugar para o espanhol. E talento no momento em que, na relargada, deu um bote preciso sobre Grosjean para tomar-lhe a segunda posição. Uma ultrapassagem espetacular, perfeita, limpa, que inesperadamente lhe valeu a liderança. Algumas curvas depois, a dominante Red Bull de Vettel encostou na pista. O carro simplesmente apagou, abrindo caminho para a vitória da Ferrari.

Grosjean seguia pressionando o espanhol, o que prometia um final de prova emocionante, até que o motor Renault de sua Lotus também desligou. Desolado, o francês abandonou a corrida que tinha grandes chances de vencer. E Alonso, quem diria, ficou com o GP da Europa na mão. Vitória sensacional, inesperada, na Espanha, com direito a volta da vitória com bandeira, saudação à torcida e choro emocionado no pódio.

Não bastasse a vitória da maneira como foi, Alonso ainda teve seus principais adversários na briga pelo campeonato zerados. Vettel abandonou e Lewis Hamilton se enroscou com Pastor Maldonado na penúltima volta, indo parar no muro. Com isso, o espanhol abriu mais de 20 pontos de vantagem para cada um na classificação, uma diferença considerável numa temporada tão apertada. Além disso, Alonso foi o primeiro piloto a repetir vitória na temporada e com um dado que comprova seu gigantesco talento: foi o único a ter vencido, as duas vezes, sem largar da primeira fila.

A Ferrari não é um grande carro, talvez seja a terceira ou quarta força da temporada. Mas, como as diferenças são pequenas e o talento de Alonso é gigantesco, a briga fica equilibrada. Eu, que há dois meses ri quando a Ferrari disse que brigaria pelo título, hoje dou o braço a torcer. A Ferrari não só está na briga como Alonso desponta como favorito. Confirmando-se para o resto do ano a tendência de equilíbrio, chegar sempre nos pontos com, talvez, quatro vitórias, seja o suficiente para garantir o título mundial. E, para tal, Fernando Alonso já tem literalmente meio caminho andado.

Alguém duvida?

Comentários do Facebook

comentários

28 comentários

  1. Franco disse:

    Pena que, por conta de picuinhas bestas de torcedores e alimentadas pela TV Globo, a maioria das pessoas que acompanha a categoria não desfrutam da oportunidade de ver um dos maiores pilotos de todos os tempos. O mesmo aconteceu com Schumacher, Mansell e até mesmo Piquet, todos mal vistos pelo simples fato de serem adversários do eleito Ayrton Senna.

    Alonso é um gênio, um piloto magnífico. Feliz daquele que sabe curtir as oportunidades de ver gênios como ele, Sebastian Loeb, Valentino Rossi, Schumacher…

    • Lucas disse:

      Onde eu assino?

      Concordo em gênero, número e grau com o que você disse aí em cima. Pena que tanta gente esteja jogando fora a oportunidade de ver um momento histórico da F1 sendo escrito. Só pra constar: desde o início da temporada não houve um único momento em que a Ferrari parecia finalmente ter voltado ao grupo das três melhores equipes, e o cara está simplesmente liderando o campeonato, após oito etapas, nessas condições. Quando foi a última vez que isso aconteceu na história da F1?

      Outro ponto: Alonso já é o quinto piloto que mais venceu na história da categoria, apesar do fato de nunca ter tido um carro dominante (daqueles que só não faz dobradinha em todo lugar se acontecer algo de muito errado com um dos pilotos, como as McLarens de 88 e 89, a Williams de 92 e as Ferraris de 2002 e 2004), coisa que *todos* acima dele na lista de maiores vitoriosos tiveram por pelo menos uma temporada inteira (alguns por duas, embora, no caso de Prost e Senna, um tirou pontos do outro, enquanto os companheiros de Mansell em 92 ou de Schumacher na Ferrari nunca eram grande preocupação). Mais três vitórias e ele desbanca o Mansell (que correu com as excelentes Williams de 86, 87, 91 e 92).

    • Alexandre Ferez disse:

      Também concordo inteiramente com a opinião de ambos e lamento a obtusidade da maioria de se levar pelos comentários prá lá de ufanistas do emissora para criar uma antipatia sem nenhum motivo e deixar de aproveitar a beleza de se assistir os grandes gênios do esporte.

  2. Julio disse:

    Bem feito pro Vettel, quem mandou falar mau de gato preto!!! Até no mundo felino os humanos metem seu preconceito de cor. E o pior é falar isso em público e o povo ainda achar engraçado. Isso é racismo! Bastar ser da cor preta que não presta!!!

    • J Fernando disse:

      Discordo e acho que o preconceituoso é você.
      Vettel não falou mal de gato preto, falou que é supersticioso e pelo que reza a superstição, um gato preto cruzar seu caminho é azar. Esse que ele viu no aeroporto nem cruzou o caminho dele, mas deu azar de qualquer forma. A superstição acabou se confirmando.
      Quem disse que basta ser da cor preta que não presta foi você mesmo, não o Vettel ou qualque outra pessoa contrária a estas manifestações absurdas contra preconceito onde não há preconceito.
      Ah, e eu sou negro, ok?

  3. Lucas disse:

    Em tempo: se a Red Bull tivesse corrido esse fim se semana sem contratempos, teria simplesmente humilhado o grid inteiro.Vettel construiu uma vantagem absurda até o safety car, e depois dele não teve a menor dificuldade em construí-la novamente. E o Webber chegou em quarto, babando, depois de ter largado em *décimo nono*. E largou dessa posição simplesmente porque o DRS travou aberto (mesmo problema que o Schumacher teve na corrida passada). Parece-me perfeitamente razoável, portanto, imaginar que, se não fosse os problemas técnicos, a Red Bull ia ganhar de lavada. Aparentemente, Red Bull e McLaren estão muito acima das outras equipes, mas, para sorte de quem quer ver um campeonato disputado até o final, estão também tendo um bocado de problemas técnicos (principalmente a McLaren, é impressionante como praticamente não tem um GP em que tudo dá certo).

  4. Gustavo Oliveira disse:

    Acho que melhor que o Hamilton ele é sim, apesar de Lewis ser um excelente piloto, parece que muitas vezes falta alguma coisa, um detalhe aqui, uma parada de box melhor. Agora com o Vettel acho que não dá pra saber ainda. Mas que Alonso é capaz de mais fatos brilhantes, isso ele é.
    A melhor notícia de tudo é que hoje temos 3 grandes pilotos em atividade e em grandes equipes, disputando campeonatos, só melhora se aparecer um quarto elemento ai.

  5. Diego Queiroz disse:

    Ele é bom mesmo mas porque chorou e carregou a bandeira d seu país já virou o ídolo da viuvada.

  6. Billy disse:

    Cara, esse Vergne é muito burro. O cara simplesmente erra ao ultrapassar uma Caterham (!) e provoca a entrada do safety-car com o Vettel, da matriz, com a prova na mão. Por muito menos, o Helmut Marko mandou o Alguersuari embora ano passado.

  7. Mauricio disse:

    O cara é simplesmente brilhante!
    Consegue, com um carro mediano, ser ao mesmo tempo o mais regular e o que mais venceu na temporada. FAntástico!

  8. Marcus Vinicius disse:

    Capelli,

    Concordo plenamente que crucificar Bruno e Felipe, especialmente ao se basear em Valencia, é um baita exagero. A corrida de ambos foi boa.

    Quanto ao incidente entre Koba e Senna, nesse vídeo do Youtube, vê-se que Kamui não bateu na traseira do Senninha (http://www.youtube.com/watch?v=uFYdPjzSiR0). Ele se enfiou (com o bico do carro) entre Senna e o muro. Bruno, ao tentar fazer a tomada, não o viu, ou achou que ele ia retirar, enfim, e deu uma beliscada no bico do japonês.

    Pra mim, infortúnio de corrida.

  9. Joao Vivaldo disse:

    Até Que Fim! Alguma Atualização!

  10. Gerhard Berger disse:

    Alonso é Brilhante!
    Brilhante porque é o cara que sai de 11º pra vencer a corrida.

    …Claro que existem “explicações” pra isso, mas nenhuma “explicação” supera o fato de que alguns caras conseguem isso, e outros não.

    Geralmente, os que conseguem esses feitos, são os considerados “Grandes pilotos”.

    Alonso, hoje, foi GRANDE!! (De novo!!)

  11. Rafael disse:

    Discordo da sua argumentação Capelli.

    É claro pra mim que Alonso é o piloto mais completo do grid atual mas, particularmente hoje, ele não chegou na frente de Vettel e Hamilton por méritos próprios.

    Vettel quebrou e Hamilton foi prejudicado pela equipe no pit stop, onde acabou sendo ultrapassado por Alonso e Kimi.

    • Mauricio disse:

      Ah sim, e ele saiu de 11o. para alcançar a 2a. posição por méritos de quem, rapaz?
      E por estar em segundo, herdou a liderança.
      Puxa que azar do Massa, não? Estava no pelotão da merda quando o Vettel quebrou!!!
      É nessas horas que lembro dao Tiger Woods: “Engraçado, quanto mais eu treino mais sorte eu tenho!”

      • Rafael disse:

        Meu ponto é simples… Alonso não ganhou na pista as posições de Hamilton e Vettel, por isso não concordo com a argumentação do Capelli.

        Ganhar na pista é fazer o que o Hamilton fez em Montreal, por exemplo.

  12. Fred Paniza disse:

    Grande coluna Capelli!

    Falar o que de Fernando Alonso…eu nunca fui fã do cara, considerava-o maquiavélico demais em algumas situações, porém estas últimas atuações o colocam definitivamente no olimpo da F1, ao lado dos gênios de todos os tempos.Se ganha x pela Ferrari merece ganhar 2x pelo que vem fazendo.

    A performance de hoje eu coloco no mesmo patamar do GP da Europa de 1993 vencido pelo Senna.Aliás esta temporada do Alonso lembra bem a temporada de 93 do Senna pela McLaren.

  13. Marcelo disse:

    Merece, a muiito tempo, o tricampeonato. Desde Senna é o melhor indiscutivelmente. Vitórias conseguidas com talento, arrojo, consistência e gana. Nenhum piloto atualmente tem a regularidade e a visão de corrida do espanhol. Ganhou duas sem estar na primeira fila. Não vejo como comparar Vettel com ele. O alemão anda bem sozinho, mas quando tem que vir do pelotão de trás faz corridas apagadas. Ah se a Ferrari tivesse um carro um pouco melhor…

  14. Pedro disse:

    Ele é fantástico, genial, brilhante. Esse eu chamo de ídolo.

  15. Danilo disse:

    Alonso é o Ayrton Senna da Espanha.

  16. Juliano Maia disse:

    O 1° a chutar a bunda do Schumacher e o melhor da categoria atualmente.

  17. Lucas disse:

    É o melhor desde a era Senna-Prost, ponto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>