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7 de setembro de 2008 - 14:44Análises, Curiosidades, História

14 anos depois, a história se repete


Spa-Francorchamps, 28 de agosto de 1994. Michael Schumacher chega em primeiro no GP da Bélgica, conquistando sua oitava vitória em 11 corridas e encaminhando seu primeiro título mundial. Mesmo sabendo que precisaria cumprir duas provas de suspensão por ter ignorado uma bandeira preta em Silverstone, a vantagem de 35 pontos que tinha sobre Damon Hill, segundo colocado na prova, era segura o suficiente para que ele voltasse para as últimas três corridas do ano com 15 pontos à frente, ainda que seu adversário vencesse na Itália e em Portugal. E poderia até viver o inusitado de ser campeão sem estar na pista, caso o inglês não conseguisse marcar mais que cinco pontos nas duas etapas.

Schumacher salta no pódio, sorri e comemora. Sai dele, vai para a coletiva, volta para o motorhome relaxado. Até que, minutos depois, um baque. Os comissários identificam que a prancha de madeira sob sua Benetton – novidade do regulamento introduzida 30 dias antes, em Hockenheim – estava com um desgaste de 1mm acima do permitido. Um milímetro. Resultado: desclassificação.

Nos boxes da Williams, comemoração. Damon Hill foi declarado vencedor da prova e viu, numa canetada, a diferença de Schumacher despencar de 35 para 21 pontos. O alemão não mais poderia ser campeão durante suas férias forçadas e mais: poderia voltar com apenas um ponto de vantagem em caso de dupla vitória do inglês. O que, de fato, terminou ocorrendo e culminou na infame decisão num acidente em Adelaide.

A decisão foi controversa, já que a Benetton tinha uma justificativa bastante plausível. Na volta 19, o alemão perdera o controle do carro e o deixara rodar, raspando a prancha de madeira por sobre a zebra. O incidente explicaria o desgaste, causado pelo imprevisto e não por uma regulagem que tivesse deixado o carro propositalmente mais baixo.

Os comissários foram rígidos e confirmaram a polêmica desclassificação de Schumacher, tal qual no caso da punição a Lewis Hamilton hoje, no mesmo GP da Bélgica. Quando Marx disse que “a história se repete como farsa”, não imaginava que o dito, um dia, poderia se espelhar numa corrida de automóveis.

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comentários

11 comentários

  1. Tiago disse:

    Capelli, Capelli, imagino que deve estar pensando que todos(os brasileiros) são a favor de Massa, mas nem todos. A questão é que o que foi analisado foi se L.H. se aproveitou da manobra para ultrapassar ou ter vantagem, e o regulamento usa o termo VANTAGEM não ultrapassagem apenas, então acho que foi acertado e nada a ver essa comparação, por favor, tu acerta 95%, concordo normalmente contigo, mas hoje, sorry man.
    Abraço

  2. Jeba disse:

    Capelli, adoro seu blog, mas esse seu post foi de uma viagem na maiosene ímpar. Inicialmente, concordo contigo: DESCLASSIFICAR um corredor de uma corrida por conta de um desgaste de 1mm na madeira embaixo do carro me pareceu ser uma medida extrema, apesar de todas as vigarices que a Bennetton fez naquele ano de 1994, hoje devidamente comprovadas (controle de tração disfarçado, falta de filtro na mangueira de reabastecimento, e otras cositas mas). Porém, o que se viu hoje foi simplesmente a aplicação de o equivalente a um drive-through, ou seja, 25 segundos de penalização, que nem de LONGE é uma medida tão extremada quanto uma desclassificação. Também concordo que a punição foi por demais severa, mas também ficou MUITÍSSIMO claro pra mim que o inglês se aproveitou SIM do corte da chicane para aplicar a ultrapassagem na La Source. Ou será que alguém aí ainda acha que Hamilton teria como ultrapassar Raikkonen na curva seguinte se tivesse contornado a chicane? Acho que não né…

  3. Daniel Médici disse:

    Enquanto sennistas, schumistas e piquetistas continuam fagocitando memórias nos comentários acima…

    Gostaria de dizer que o ano de 94 foi muito manchado, não só pelas mortes e acidentes, mas pelas manobras nos bastidores, as mangueiras de combustível, as interpretações de novas leis, as súbitas mudanças de humor dos comissários.

    1994, na F1, independente da ordem de chegada, já foi uma farsa, que, espero, não se repita 14 anos depois.

  4. Anonymous disse:

    Ahhh pronto! Senna em 89 foi prejudicado também? Cê tá de brincadeira! Não só não foi prejudicado em 89 como deveria ter sido desclassificado do de 90 por ter deliberadamente tirado Prost da corrida na atitude mais absurda de todos os tempos da F1 que poderia ter resultado em morte inclusive! Ahhh… fala sério!!!

  5. Anonymous disse:

    FIA = Ferrari International Aid

    Essa decisao eh uma piada, visto que quem jogou o Lewis pra fora foi o Kimi.

    Tremenda palhacada!

    Senna em 89, Lewis em 2008!

  6. Wallace disse:

    Fabricio, o regulamento nao fala nada sobre devolver posição, ou ganhar posição cortando chicane, ele fala em ganhar vantagem, que no caso pode ser uma posiçao, se o piloto corta a chicane ele pode ‘devolver’ a vantagem tirando o pé e perdendo tempo de novo, o que nao aconteceu hoje, devolver a posiçao nao foi se desfazer da vantagem.
    Para visualisar melhor, pense num piloto que esta 10 segundos atras do outro e começa a cortar a chicane todas as voltas ate tirar a diferença e depois ultrapassar o piloto da frente sem cortar a chicane.

  7. Anonymous disse:

    Comparação fraquíssima heim… que tem a ver a prancha de madeira da Benetton 94 com a marota manobra de hoje? Viajou…

  8. bruno disse:

    Schumacher foi garfado em 94 !!

    Só que na ultima corrida aquela manobra do alemão foi muito suspeita.

  9. Anonymous disse:

    Blogueiro torcedor!!!!

  10. Guilherme Hirata disse:

    “Quando Marx disse que “a história se repete como farsa”, não imaginava que o dito, um dia, poderia se espelhar numa corrida de automóveis.”

    Capelli te adimiro mto cara. Mas vamos deixar o lado torcedor de lado né, 94 sim houve controversias, hoje foi claro o Lewis mereceu.

  11. Fabricio disse:

    Acho que a decisão de hoje nem de perto foi tão controversa quanto essa do Schumacher x Hill.Controverso pra mim é o significado de “devolver a posição” de acordo com o regulamento da FIA, alguém sabe o que a FIA considera como devolver a posição?

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