MENU

13 de dezembro de 2008 - 20:34Análises, Notícias

F1 muda não mudando

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

E depois da reunião desta semana em Paris, quando esperava-se um pacotão que mudaria radicalmente a Fórmula 1 daqui pra frente, a comissão formada por equipes e dirigentes decidiu que a categoria vai mudar, mas não mudando.

Explico: embora tenham sido tomadas medidas mais fortes visando cortes de custos, na prática a mais importante delas, que seria o polêmico motor-padrão, acabou não passando. E o resto, é preciso ser dito, não passa de perfumaria. Proibição de testes durante a temporada, por exemplo, parece indicar que quem tiver um carro mal nascido vai se dar mal e não poderá desenvolvê-lo. O mesmo aplica-se à limitação de uso de túnel de vento. Mas seria inocência demais acreditar nisso. As equipes – leia-se montadoras – darão um jeito.

O congelamento de motores imposto ao final de 2006, por exemplo, provou-se uma imensa farsa. Sob o pretexto de “melhorias de durabilidade”, novas especificações de materiais e peças eram enviados para a FIA durante os últimos anos e foram prontamente aceitas. Durante os dois anos de congelamento, os propulsores de Ferrari, BMW e Mercedes evoluíram espantosamente, enquanto Renault e Toyota ficaram para trás. Curiosamente, mesmo com alterações homologadas visando “apenas” durabilidade, os motores Ferrari quebraram diversas vezes nessa temporada. E, não por acaso, a FIA acaba de autorizar uma alteração nos V8 da Renault. E a Velhinha de Taubaté acreditou que os motores estavam de fato congelados…

Não há dúvidas de que a F1 precisa de um corte de custos, mas assim, no canetaço ou num acordo entre engravatados, ele não vai acontecer. Os custos só serão substancialmente reduzidos quando as montadoras resolverem enxugar as torneiras de vez. O que pode mesmo acontecer com a atual crise econômica global. Mas, enquanto houver uma delas ainda disposta a gastar os tubos, as que tiverem fôlego financeiro para tal vão continuar acompanhando.

E enquanto isso, através de uma “pesquisa de mercado”, o público vai decidir se a pontuação atual deve continuar ou se será adotado o sistema de medalhas. Assim como um “novo sistema de classificação”, que ninguém viu até agora, e uma diminuição no tempo das corridas serão postos a júri popular. Mais uma perfumaria que não vai passar.

A medida mais impactante – e surpreendente – de todas é a proibição do reabastecimento em 2010. Por essa ninguém e esperava e, isso sim, mudará a dinâmica das corridas a partir de então. O que será bom.

Para saber tudo o que mudou não mudando, confira esta lista elaborada pelo Becken Lima, no cada dia melhor F1 Around.

Comentários do Facebook

comentários

19 comentários

  1. [...] mesmo com alterações homologadas visando “apenas” durabilidade, … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  2. [...] O F1 Around começa a colecionar referências interessantes em importantes blogs que tratam da Formula 1. Primeiro foi no super blog inglês F1fanatic de Keith Collantine. Agora foi no prestigiado Blog do Capelli. [...]

  3. Capelli,

    Muito obrigado pela referência e link indiocativo e, principalmente, pelo elogio.

    Abraços e, uma vez mais, obrigado pela generosidade!

  4. Nóbrega disse:

    Desgraça???

    Revê seus conceitos ai amigo heheheh

  5. Bernardo disse:

    Ninguém parece ter percebido, mas tirar o aquecimento dos pneus, os famosos cobertores, será uma desgraça, pois até atingirem a temperatura ideal, serão necessários mais voltas. Isso pode ser um risco no início das corridas e um problema para os pilotos na classifiação. Se fosse esse ano, a Ferrari andaria lá atrás, pois ela era a que demorava mais a aquecer os pneus.

    Abs,

  6. Jorge H disse:

    Essa ideia do fim dos testes e do fecho das fábricas durante 6 semanas é ridicula. Assim so vai conseguir gerar despedimentos de inúmeros engenheiros de testes. É muito mau que para diminuir custos de passe pelo despedimento de pessoas. Não bastará diminuir o custo dos motores de 20 milhoes de euros para 5 M€? Não bastará aumentar o tempo de vida util de cada motor?

    A ideia que nao havendo testes as equipas fracas se aproximarão das fortes é uma ideia errada… o que vai acontecer é que uma equipa com menos experiencia que produza um carro mau, jamais o poderá recuperar durante a época. Ao invés disso, as equipas poderosas começarão a trabalhar muito mais na pré-época… e que nao conseguir…azar!

  7. marcelo disse:

    Salve Capelli,

    É uma verdade,muito pouco para quem busca reduzir custos,mas ao menos é um começo,só quero ver na hora H,quando afunilar a briga entre equipes ninguém vai testar nada mesmo,tenho minhas dúvidas.

    abraço

  8. Totalmente OFF…

    Já te viu pilotando uma Toleman??

    tá aqui:http://f1nostalgia.blogspot.com/2008/12/o-que-voc-esta-fazendo-ai-roberto.html

    Último colocado cara?
    Hheheheh
    Abraços.

  9. Manuel dos Santos disse:

    Em parte concordo com algumas medidas como: o regresso dos slicks e fim dos reabastecimentos

    … mas,… cortam: na aerodinâmica, nos testes, nos pneus… e…

    …depois,… as equipas GASTAM MILHÕES em motorhomes gigantescas que, não servem para nada a não “show.off”…

    Enfim…

    MS

  10. Jonas disse:

    Bom, já passou da hora de haver mudanças significativas na Fórmula 1. Dentre as mudanças propostas acredito que o fim do reabastecimento é realmente um fator que traz mais emoções. Utilizar um motor padrão parece absurdo para a F1, mas o que aconteceria se o câmbio fosse padrão por exemplo? E todos os motores fossem feitos com base nesta peça? Haveria maior equilibrio provavelmente… Medalhas para vencedores? Rídiculo! Para não haver grandes mudanças e premiar os melhores acredito que os cartolas deveriam deixar de ser tão “britânicos” e ousar um pouco mais:
    1º lugar – 15 pontos;
    2º lugar – 10;
    3º lugar – 7;
    4º lugar – 5;
    5º lugar – 4;
    6º lugar – 3;
    7º lugar – 2;
    8º lugar – 1.

    Pronto! Valorizado o vencedor e também a briga pelo terceiro posto no podium.

  11. Onyas disse:

    Ainda sobre o reabastecimento:

    Assino em baixo do que disse o Felipe Weber no tópico 7 do post dele. Um exemplo disso foi a penúltima prova da Stock Car deste ano, onde a troca de pneus foi fundamental no resultado final e gerou as uma das melhores disputa de posição da temporada.

  12. Felipe Weber disse:

    Em tempo: “CapeLLi”

  13. Felipe Weber disse:

    Meu caro Capeli, deixo aqui minhas rapidinhas sobre as novas regras:

    1) MOTOR: Ótimas medidas, além de escapar da rídicula padronização, o corte em 50% no valor ajudará e muito as “independentes”, assim como a obrigação de serem mais duráveis, portanto, muito mais economicos.

    2) FIM DOS TESTES: Gera relevante corte de despesas (gasta-se milhões para os testes privados/coletivos, sobretudo com transporte, logistica e pessoal) e de um modo geral tende a equilibrar o certame, uma vez que as mais ricas – que faziam mais testes de desenvolvimento – não poderão mais fazê-los.

    3) RESTRIÇÃO À PESQUISA AERODINÂMICA: BALELA da grossa, muito embora a restrição quanto aos tuneis de vento, não há como controlar rigorosamente isso, nem mesmo a quantidade de testes em cada fábrica…

    4) SUSPENSÃO DAS ATIVIDADES NAS FÁBRICAS: Muito pouco ou quase nada de relevância, pq salários e a estrutura toda estarão lá gerando custo…

    5) REDUÇÃO DAS EQUIPES: Medida acertada. Na Indy, por exemplo, apenas 6 pessoas podem participar dos pits (na F-1 tem no mínimo 20!). Fora a quantidade incrível de funcionários que participam de um fim de semana de GP. Em outras categorias (mesmo as mais importante) não tem nem 1/3 disso…

    6) SISTEMA DE PONTOS (MEDALHAS) – Uma das coisas mais ridículas da história do automobilismo e da F-1. Automobilismo não é Olimpiadas e não ocorre a cada 4 anos! Cada ponto no automobilismo é importante e a regularidade tem sim que ser premiada… De onde me tiraram um idéia tão pífia quanto essa? Querem valorizar mais a vitória? Pois voltem ao sistema antigo 10-6-4-3-2-1.

    7) FIM DO REABASTECIMENTO: Tende a aumentar as disputas. Quem não se lembra de década de 80/90 quando aquele que não entrava nos boxes tinha q se manter milagrosamente na pista, enquanto o que trocava pneus (ou fazia mais trocas) perdia tempo mas depois vinha “babando” pra passar os que tinham pneus velhos… Fora que isso dá um importânca muito maior ao fator PILOTO, coisa que falta na F-1 atual. Pq nesse caso, todos com o mesmo peso de gasolina, o piloto precisa encontrar um “balanço” entre velocidade (maior gasto de pneus) e uma tocada mais suave (c/ menor gasto). Os pilotos “acertadores” de carro, bem como os talentosos que conseguirem andar rápido sem gastar muita borracha, farão muita diferença.

    Me parece que essa crise veio para o bem da F-1…

  14. Onyas disse:

    Boa pergunta Smirkoff! Abaixo esse negócios de encurtar os GPs!

  15. Smirkoff disse:

    Relendo a lista de decisões dá pra notar que a FIA empregou aquilo que o Millôr chamava de “vaguidão específica”. Gostei de algumas coisas (o fim do reabastecimento em especial) e detestei outras, como a idéia felizmente ainda não decidida de encurtar os já curtos GPs. E a pergunta que fica é: se encurtarem as corridas, por acaso vão cobrar menos pelos ingressos?

  16. Ivam disse:

    A duração dos GPS continua a mesma?

  17. Aderson Pereira disse:

    Se o uso do KERS já implicava num aumento consideravel de peso pros carros, adicione a isso um tanque de combustivel que proporcione uma corrida inteira sem reabastecimentos.
    Resumindo, os carros de 2010 terão um aumento significativo de peso. E a tendençia por pilotos magrinhos vai ser maior. Todo mundo comendo alface pra não engordar.
    O Montoya não volta pra F1 nunca mais. :)

  18. Onyas disse:

    Sinceramente, adorei essa notícia do fim do reabastecimento. Junto com a volta dos pneus “slicks” foram as melhores notícias nesse período conturbado em que a F1 está vivendo.

    Eu só acho que não adianta de nada mudar as regras, pois as equipes sempre arranjam um “jeitinho” para contornar o regulamento. Pode funcionar em um curto prazo, mas a F1 é muito dinâmica para se manter fiel às regras a um longo prazo.

  19. Ivan Mello disse:

    Só achei curioso que em 2010 teremos mais restrições aerodinâmicas… fico imaginando o que virá dessa vez??? Daqui a pouco vão abolir os aerofólios (asas) ou obrigar as equpes a colocarem mais alguma traquitana na traseira do carro…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>